Proletariado de toda a Índia marcha contra a superexploração

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Operários e trabalhadores de 20 estados diferentes marcharam na capital. Foto: The Indian Express

Milhares de operários e demais trabalhadores, provenientes de 20 estados de toda a Índia, realizaram uma grande marcha na capital, Deli, exigindo melhores condições de trabalho, salários e seguridade social. O enorme protesto de massas foi mobilizado pelos principais sindicatos do país, agrupados no movimento Mazdoor Adhikar Sangharsh Abhiya (Masa).

“Hoje em dia, o neoliberalismo, e especialmente o regime atual respaldado por forças fascistas, está causando estragos graves nas condições dos trabalhadores indianos. Se produz um aumento da exploração, da repressão e da criminalização dos trabalhadores, intensificando-se a precarização e o desemprego, a queda dos salários reais e do nível de vida das massas.”, criticou um dos dirigentes do movimento.

Os operários mobilizados reivindicam um salário mínimo acima de 25 mil rupias mensais, sendo que, hoje, a média do salário por dia trabalhado na cidade de Deli, onde o salário é mais alto, não ultrapassa 450 rupias. Outra exigência é a mudança no sistema de contratação atual, que aumenta a precarização e a negação de direitos trabalhistas, e mudança no sistema de seguridade social, exigindo que seja pago aos desempregados 15 mil rupias por mês em seguro-desemprego.

A mobilização também rechaçou os recentes processos de privatização das empresas do setor de energia elétrica, a repressão aos movimentos operários e defendeu a liberdade dos operários de formar sindicatos nas empresas, hoje questionado pelo regime arquirreacionário de Narendra Modi e pelas suas políticas fascistas.

Miséria ao proletariado

O salário mínimo na Índia é um dos mais baixos do mundo, sendo o país, por isso, palco de “investimentos” de grandes empresas imperialistas que buscam superexplorar os operários e demais trabalhadores com salários miseráveis para alcançar lucros máximos.

A quantia média paga a um operário em Deli, de 423 rupias, é equivalente aproximadamente a 6,30 dólares, ou R$ 23 (segundo cotação de 6 de março de 2019). Ainda que o operário trabalhasse todos os dias do mês, ele não conseguiria, segundo a média salarial da capital, ultrapassar o valor de 12,6 mil rupias, o equivalente a R$ 700.

Já em Bihar, por exemplo, a média salarial por hora é de 160 rupias, quase três vezes inferior à média da capital, não ultrapassando o valor de R$ 8,70 por hora. Ainda que trabalhasse todos os dias do mês em Bihar, o operário não conseguiria, de acordo com a média salarial, mais do que 4,8 mil rupias por mês, um salário miserável que não ultrapassa o equivalente a R$ 265, segundo a cotação de 6 de março.

Além disso, na Índia, o operário ou o trabalhador em geral não tem nenhum direito garantido pelas leis trabalhistas a não ser o salário. Direitos como férias, vale-transporte, vale-alimentação, hora extra, bônus ou mesmo o 13º salário não são assegurados e dependem da boa vontade das grandes empresas. Por isso, em momentos de alta no desemprego, os trabalhadores são obrigados, para fugir do desemprego, a trabalhar em condições desumanas, com salários ainda mais miseráveis e sem nenhum direito.

Para piorar, na Índia, segundo o site Direitos Brasil, pelo menos 90% da força de trabalho está na informalidade ou ilegalidade, sem carteira de trabalho assinada, num número que ultrapassa 420 milhões do total de 460 milhões de trabalhadores indianos. Por isso, estima-se que parte desses trabalhadores sequer têm as garantias do salário pago e nada podem fazer legalmente.

Por isso, para manter o preço dos alimentos e bens de consumo baixos o suficiente que permitam ao proletariado sobreviver com esse salário miserável, o velho Estado indiano mantém, igualmente, o campesinato em um duro regime de fome, taxando sua produção e impondo preços baixos.

A Índia, por esse regime desumano imposto ao seu proletariado e ao campesinato, é palco de uma guerra popular prolongada, dirigida pelo Partido Comunista da Índia (Maoista), que conta com o Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL) para realizar a revolução e acabar com o regime capitalista burocrático indiano.

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