Suspeitos do covarde assassinato político de Marielle Franco são presos no Rio

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Manifestação exige justiça para Marielle e Anderson e o fim da intervenção militar no Rio de Janeiro, 20/03/2018. Foto: Rodrigo Duarte Baptista

Na manhã desta terça-feira, 12 de março, a Divisão de Homicídios da Polícia Civil e promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz pelo assassinato político da vereadora Marielle Franco/PSOL, ocorrido em 14 de março de 2018.

Ronnie, policial militar reformado de 48 anos, e Élcio, ex-policial militar expulso de 46, foram presos por volta das 4h30 como responsáveis, segundo a força-tarefa que levou à Operação ‘Lume’, pelo crime que também vitimou o motorista Anderson Gomes. Segundo as investigações, Élcio é apontado como o motorista do veículo que perseguiu a vereadora e Ronnie Lessa como o autor dos 13 tiros que assassinaram Marielle e Anderson.

Em 1998, Ronnie era terceiro-sargento da PM quando recebeu uma moção de congratulações na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) “por honrar, permanentemente, com suas posturas, atitudes e desempenho profissional, a sua condição humana e de militar discreto mas eficaz”. Outro fato interessante é que Ronnie foi preso em sua casa na Barra da Tijuca, no mesmo condomínio onde o gerente federal Jair Bolsonaro tem uma casa.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o crime político foi planejado durante três meses e Ronnie fez pesquisas na internet sobre locais que Marielle frequentava. Além destas prisões, foram realizados mandados de busca e apreensão nas residências de outros denunciados.

Ainda na manhã desta terça, o gerente estadual Witzel concedeu uma entrevista coletiva para falar do caso. Entre suas palavras, Witzel só “esqueceu” de lembrar do conhecido fato público de que ele participou de um comício em que a placa de Marielle foi destruída.

Ronnie Lessa e Elcio Queiroz, presos na manhã deste 12 de março

Um crime político descarado

A participação de policiais no assassinato de Marielle e Anderson só comprovam a tese sustentada por diversas entidades e organizações populares de que este foi um crime de caráter explicitamente político. 

Em sua edição nº 207, na primeira quinzena de abril de 2018, o jornal A Nova Democracia apontava em seu editorial A covarde execução de Marielle:

“Pelo contexto e evidências, a execução de Marielle foi uma demonstração de descontentamento pelos interesses contrariados de grupos de poder bem estruturados nos órgãos de segurança pública, principalmente cúpulas da polícia militar, frente à ameaça que representou a intervenção militar a seu monopólio da violência e do abuso de autoridade, que ademais de rendosos negócios é parte considerável do Poder político. Jogar um cadáver na mesa do general interventor, além de demonstração de força, foi um recado fascista aos lutadores do povo. E, para demonstrá-lo com grande repercussão, ceifaram a vida de uma mulher negra, defensora dos ‘direitos humanos’ e militante da esquerda legal como membra do parlamento”.

E prosseguia:

“O assassinato torpe e os massivos protestos de repúdio a ele assinalam que não só a crise política que sacode o país desde 2015 se aprofundou como crise de segurança pública e militar, mas também e principalmente, que a situação revolucionária que despontou em 2013, com as massivas explosões da juventude em todo o país, está passando a um novo momento, prenunciando novas e maiores ondas do protesto popular.

Pelo lado da reação significa que os seus ataques à luta popular se desenvolveram. Os constantes ataques contra a luta pela terra (com massacres e o assassinato de ativistas e dirigentes, no campo), a prática sistemática das chacinas de pobres na cidade e as perseguições políticas e condenações draconianas de ativistas e lideranças dos protestos de junho/julho de 2013 e 2014, passaram a desenvolver-se com a eliminação de militantes políticos e de lutadores populares. [...]”

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