Tribo da Amazônia denuncia atrocidades do Exército reacionário durante regime militar

A- A A+

Indígenas acusam militares. Foto: Associated Press

No dia 9 de março, o portal G1 reproduziu uma matéria da agência Associated Press intitulada Em audiência, tribo acusa Exército de cometer atrocidades para abrir estrada na Amazônia. Tal trabalho jornalístico relata uma série de denúncias feitas por indígenas da tribo Waimiri-Atroari de crimes hediondos praticados pelo Exército reacionário “brasileiro” durante a construção da BR-174, entre os anos de 1968 e 1977, ou seja, durante o regime militar fascista.

Inicialmente, a matéria relata que, segundo procuradores federais, centenas de indígenas desta etnia morreram na construção da estrada. “No início, chegaram os helicópteros, lançando produtos químicos. Depois, vieram homens armados e de uniforme verde massacrando membros da tribo para abrir o caminho de uma estrada na Amazônia”.

Estas denúncias foram feitas numa audiência que aconteceu “em uma espécie de taba na qual os Waimiri-Atroari fazem celebrações e passam noites contando suas histórias”. “Por um dia, o local se transformou em um tribunal sombrio no qual seis indígenas contaram a uma juíza como a ditadura militar (1964-1985) tentou acabar com eles usando armas, bombas e químicos”. A Associated Press e um jornal brasileiro foram os únicos que obtiveram autorização dos indígenas para entrar na audiência.

Entre os relatos marcantes, está o do indígena Baré Bornaldo Waimiri, que, na época, era adolescente da tribo Waimiri-Atroari na Amazônia profunda. Ele disse que “o dia desse ataque, há muitos anos, foi o último em que viu sua família com vida”. “Perdi meu pai, minha mãe, minha irmã e meu irmão”, relatou.

De acordo com membros da tribo, esta foi a primeira vez que uma juíza foi recebida em terra Waimiri-Atroari para ouvir testemunhas de ataques sofridos pelos aparatos repressivos do velho Estado ao longo dos anos. Enquanto Bornaldo dava seu depoimento, segundo os jornalistas presentes, seis membros do Exército reacionário, vestindo uniformes militares, ouviam em silêncio. O coronel reformado Hiram Reis e Silva acenava negativamente com a cabeça.

Este oficial do Exército reacionário disse “ter trabalhado perto da reserva depois de 1982” e afirmou que estava ali como “representante do Comando Militar da Amazônia”. Alegou ainda que sua “versão da história é muito diferente”.

Militares do Exército reacionário acompanham audiência. Foto: Associated Press

O massacre do Exército reacionário

Em seguida, a matéria da Associated Press aponta que procuradores federais (que acreditam que o ataque tenha ocorrido em 1974) acusam o Estado brasileiro de genocídio na ação civil e dizem que centenas de membros da tribo, talvez milhares, morreram entre 1968 e 1977 durante a construção da BR-174. As origens das mortes são tanto os ataques armados dos militares como as doenças trazidas depois da construção forçada da ponte.

Todos os seis membros da tribo afirmam que o Exército reacionário foi o responsável pelo ato covarde. A própria Associated Press menciona que “as acusações dos Waimiri-Atroari colocam um desafio para as Forças Armadas brasileiras, cujos líderes costumam dizer que o regime autoritário apenas enfrentou adversários que desejavam uma revolução socialista”.

Já o indígena Dawuna Elzo Atroari disse que testemunhou um ataque brutal e inesperado contra a tribo. “Antes desta estrada, nós vivíamos bem e em paz, com muita saúde”, disse Dawuna com as mãos tremendo. “Depois da estrada, pessoas morreram e recebemos ameaças. Apontaram uma arma para a minha orelha”, denunciou.

As graves denúncias trazidas à tona de forma corajosa por estes indígenas, mesmo na presença de milicos, revelam fatos ainda pouco destrinchados na história recente de nosso país: os massacres perpetrados pelo Exército reacionário no campo durante os anos de regime militar fascista financiado e orquestrado pelo USA.

Trazer estes fatos ao cenário atual, ainda mais no contexto de desenvolvimento de um golpe militar contrarrevolucionário preventivo, que se desenvolve dentro do governo militar comandado pelo Alto Comando das Forças Armadas utilizando-se de Bolsonaro como máscara de proa, é revelar qual o verdadeiro papel das Forças Armadas reacionárias “brasileiras” e seu caráter antipovo, de defensora das classes dominantes, da velha ordem da grande burgueses e latifundiários, lacaias do imperialismo, principalmente ianque.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja