RO: Seminário 'O Marxismo e a Questão Feminina' é realizado na UNIR

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O Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no Brasil" (HISTEDBR/UNIR), em conjunto com a Executiva Rondoniense de Estudantes de Pedagogia (ExROEPe), realizou, na última quinta-feira, 14 de março de 2019, às 19h, no Auditório da Universidade Federal de Rondônia (UNIR-Centro), o Seminário O Marxismo e a Questão Feminina.

O evento teve a palestra da Professora Doutora Marilsa Miranda de Souza (PPGE/UNIR) e foi seguida de um debate acerca da relação entre a teoria marxista e a Questão Feminina. A atividade também celebrou o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora (08 de Março) e se propôs, entre outras temáticas, a relacionar a origem e o histórico da opressão feminina, bem como problematizar as lutas atuais acerca da emancipação da mulher e das relações de exploração existentes na sociedade de classes. Na abertura do evento, a expositora saudou a memória da dirigente fundadora do Movimento Feminino Popular (MFP), Sandra Lima; da militante do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), Remís Carla, assassinada em 2017, e da vereadora Marielle Franco, em razão de nesse dia estar fazendo um ano de seu assassinato no Rio de Janeiro.

Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1 estupro a cada 11 minutos em 2015. Segundo o IPEA, cerca de 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. Dados do Ministério da Saúde de 2016 apontam que há em média 10 estupros coletivos notificados todos os dias no sistema de saúde do país. Na cidade de São Paulo, há 1 estupro em local público a cada 11 horas. Outros estudos estimam que os números oficiais representam apenas 10% do total dos casos que realmente acontecem. Ou seja, o Brasil pode ter a medieval taxa de quase meio milhão de estupros a cada ano.

Segundo divulgou o MFP, nos últimos anos houve um aumento vertiginoso de todo tipo de violência contra a mulher. Espancamentos e estupros efetivados com todo o tipo de crueldade contra mulheres adultas, jovens e crianças. O Brasil é o quinto país do mundo no ranking mundial da prática de feminicídio. Entre 2003 e 2013, o número de mulheres mortas de forma violenta em todo o Brasil aumentou 21%, passando de 3.937 para 4.762. São 13 mortes violentas de mulheres por dia (números do mapa da violência contra a mulher – 2015). Conforme o Marxismo, a origem e causa da opressão feminina é a propriedade privada e divisão da sociedade em classes antagônicas, que se baseia na exploração e opressão. Por esse motivo, somente a erradicação completa desses fatores e sua substituição por novas relações de produção, baseadas na propriedade coletiva dos meios de produção social e de distribuição da riqueza pode conduzir a emancipação das mulheres ao emancipar politicamente a classe operária e demais massas trabalhadoras. A exposição, além de elucidar a concepção marxista sobre a Questão Feminina, delimitou campo e apresentou diferenciações entre as correntes do feminismo burguês e pós-moderno.

O seminário contou com cerca de 170 participantes, a maioria jovens estudantes universitários e secundaristas, que lotaram as dependências do Auditório da UNIR-Centro (prédio da reitoria da Universidade Federal). O espaço ficou pequeno para um público ávido por compreender a temática sobre a perspectiva Marxista. Também esteve presente a Pró-Reitora de Extensão Universitária, Prof.ª Marcele Regina Nogueira Pereira, que saudou os presentes conclamando a necessidade de discutir de forma mais ampla esta temática.

Diversas organizações estiveram presentes, entre elas o MFP, o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), Centros Acadêmicos e Organizações de Mulheres. O Comitê de Apoio ao A Nova Democracia realizou exposição de materiais de propaganda e da edição atual. Já os ativistas da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) realizaram panfletagem denunciando a invasão de terras indígenas e o MFP realizou uma intervenção contundente acerca da luta da mulher trabalhadora frente as medidas antipovo e vende-pátria da gerência Jair Bolsonaro, além da divulgação de seu boletim informativo sobre o 8 de março. Muitos estudantes expuseram seus questionamentos e dúvidas no debate ao mesmo tempo em que compartilharam seus anseios em torno da superação das relações de opressão vivenciadas em seu cotidiano.

Ao final de sua exposição, a palestrante conclamou todos os presentes à mobilizarem-se na construção da Greve Geral de Resistência Nacional, defendendo a posição classista de mulheres e homens da classe trabalhadora, para barrar os ataques aos direitos do povo.

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