Djonga: em novo disco artista retrata a realidade do povo

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Foto: Reprodução

O rapper mineiro Gustavo Pereira Marques, mais conhecido por seu nome artístico, “Djonga”, lançou no dia 13 de março seu terceiro álbum, Ladrão. O artista explica a escolha do nome na primeira faixa do álbum: "O dedo/ Desde pequeno geral te aponta o dedo/ No olhar da madame eu consigo sentir o medo/ Você cresce achando que cê é pior que eles/ Irmão, quem te roubou te chama de ladrão desde cedo/ Ladrão/ Então peguemos de volta o que nos foi tirado/ Mano/ Ou você faz isso ou seria em vão o que os nossos ancestrais teriam sangrado [...] Ladrão/ No olhar de uma mãe eu consigo entender o que pega com o irmão/ Tia, eu vou resolver o seu problema/ E faço isso da forma mais honesta/ E mesmo assim vão me chamar de ladrão/ Ladrão”.

No último 17 de março, um sábado, Kauan Noslinde Pimenta Peixoto, de 12 anos, morreu na Baixada Fluminense após ser baleado pela polícia três vezes, enquanto ia comprar um lanche com o irmão de 10 anos. O álbum de Djonga e a morte de Kauan carregam, consigo, algo em comum: o peso do estigma e da realidade de ser negro e pobre, na favela, no Brasil. “Ladrão” pode ter sido lançado antes da morte do menino, entretanto, foi escrito para ele, afinal, na música Voz o artista rima: “esse disco queria escrever hit, mas não guento mais ler as lápides escrito RIP”.

Doug Now, um dos artistas que participam do álbum, se pergunta em Voz o porquê de ter sobrevivido na favela enquanto tantos, assim como Kauan, eram assassinados, mostrando a angústia da convivência constante com a morte, a incerteza da vida, e o encontro do seu propósito para os que ficam.

“Hoje eu acordei pela manhã e vi que ainda sou parte desse mundo/ Onde o que se ganha em meses se perde em um segundo/ Gente igual a gente morre, a mídia omite/ De acordo com as pesquisas, era pra esse som ser só o beat/ Mas parece que eu não morro/ Parece que pouparam minha vida pra contar história de morro/ De rua e de gorro à noite, madruga e seus açoites/ Ouviram tok tok com o cabo da Glock ao toque do x9 é um touchscreen.”

Sobre os assassinatos covardes promovidos pela polícia em todo o Brasil, Djonga repudia na canção A Pior Música do Ano, escrita por Djonga e o rapper Froid: “Os garoto quer ser ladrão/ Cresce e vira polícia/ Nem mudou a profissão/ Só o que pedem que você vista! [...] Alguns de nós matados/ Alguns de nós morridos/ Policiais safados/ Assassinam meus amigos/ Alguns de nós chapados/ Alguns de nós perdidos/ Muitos de nós calados/ Os que falam soam bandidos!”.

Djonga, na faixa Ladrão, fala sobre as dificuldades de ser uma das vozes que se levantam contra os crimes, as injustiças contra o povo. “Tem que ter muito sangue frio, e eu não tenho/ Pra apertar a mão do seu próprio algoz/ Mano, cê guenta a pressão?/ Cê guenta a perseguição?/ Cê guenta o risco real/ De diante do conflito tomar posição?/ Nadando num mar de ameaças/ Quem diz que vai te defender se mostra indefeso”.

Em 2018, Djonga participou da música Favela Vive 3, que, na voz de DK da dupla ADL fala sobre a execução do menino Marcos Vinícios, na favela da Maré, morto por tropas policiais do velho Estado. Marcos Vinícios foi assassinado em junho de 2018, há menos de um ano, por agentes do Bope, enquanto esperava escondido, entre o tiroteio, para ir para a escola. Na canção, os rappers dizem: “Mano, os cana peida de subir de madrugada/ Sempre marca operação com a porta da creche lotada/ Mais uma mãe revoltada, uma pergunta sem resposta/ Como o policial não viu seu uniforme da escola?/ Vinícius é atingido com a mochila nas costas/ Como é que eu vou gritar que a Favela Vive agora?”.

Na música Hat Trick, Djonga rima: “Falo o que tem que ser dito/ Pronto pra morrer de pé/ Pro meu filho não viver de joelho”, deixando claro que a única forma de trazer justiça, não só à juventude pobre, mas também aos seus pais, é uma: a luta.

A capa do álbum de Djonga mostra o rapper coberto de sangue e dinheiro, representando sua imagem, em meio a um ambiente reacionário em que impera a ideologia burguesa. Entretanto, se a capa retratasse a realidade, o sangue, joias e dinheiro não estariam no cantor, mas sim em outras pessoas (ou classe). “Mano, eu conheço esse caminho igual minha própria palma/ Fala em palma, na sua mão vai ser só dinheiro sujo/ É que quem lucra é o capitão/ vai com calma marujo”. Afinal, como Djonga diria em Bené: “Somos grandes como oceanos, mas jamais pacíficos”.

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