RS: Estudantes indígenas da UFSM protestam contra o desmantelamento da Sesai

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Os estudantes debateram a importância da luta pela saúde indígena e da resistência dos povos

Na quarta-feira (27/03), no auditório de núcleo de ações afirmativas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foi criado um espaço de debate entre estudantes indígenas e não indígenas, onde apresentou-se a estrutura da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), como a secretaria funciona, seus polos base, distritos sanitários, informações básicas e didáticas para mostrar em que acarretaria a transferência da gestão da saúde indígena para os municípios. Já na quinta-feira, dia 28, foram colados cartazes no hall de entrada do Restaurante Universitário (RU) e aconteceu um momento de microfone aberto, onde vários estudantes se manifestaram a favor da resistência indígena contra a retirada de direitos.

Rodrigo Kuaray, do povo Guarani, estudante de direito, diz que a ideia de mobilização veio da Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB) e que, mesmo distantes de suas comunidades, sem o impulsionamento de lideranças, tomaram a iniciativa, a partir do chamado da APIB, de criar um diálogo com os discentes. Ele explica que a decisão do ministério de acabar com a Sesai (em um primeiro momento) sobrecarregaria os municípios cujo sistema de saúde já é sucateado, o que prejudicaria tanto a população indígena quanto a não indígena. Isso tornou necessária uma ação de conscientização da população em geral sobre esse possível retrocesso, com os estudantes panfletando no RU, chamando os alunos para a roda de conversa e dando a dimensão histórica da luta por uma secretaria de saúde específica, que já acontece há muitos anos.

Sobre o que significou a proposta do fim da secretaria, Rodrigo disserta:

— Acho que é uma série de medidas visando a retomada de uma exclusão ou negação histórica dos direitos dos povos indígenas em geral no Brasil, e acho que a municipalização da Sesai é apenas mais um ponto específico no projeto desse governo que é declaradamente anti-indígena. Então acho que a proposta do atual governo, com essas medidas que pretendem ser adotadas, como o caso da saúde indígena, são só faces do projeto anti-indígena que o governo pretende instalar — diz.

Além disso, mencionou que a “volta atrás” do ministro na proposta foi pela pressão dos povos indígenas, e não em ato de simpatia com a causa.

O aluno também diz que, para o povo indígena, a investida de retirada de direitos não é novidade, e que a tentativa de deslegitimar a luta indígena, de negar espaços e direitos, é histórica.

— Não é algo novo, mas a conjuntura atual é crucial no sentido de que o discurso de ódio vem fortalecido com o atual governo, com os ministros etc. A própria população se sente legitimada em tomar atitudes que venham de encontro aos direitos dos povos indígenas. A gente presencia agora a bancada ruralista cada vez mais fortalecida, o agronegócio também se fortalecendo. É uma causa que sempre esteve sendo pautada por nós e esse momento vem a ser o de a gente pensar em como fortalecer o movimento, porque a gente nunca parou, a gente nunca descansou, mas acho que atualmente estávamos um pouco acomodados. Fortalecer ainda mais as discussões em nível nacional seria interessante — aponta.

Relembrando o histórico de luta no país, Rodrigo fala que seria hipocrisia dizer que a violência contra os povos indígenas começou com o governo Bolsonaro.

— É interessante pensar em quanto tempo estamos lutando e há quanto tempo acontecem essas barbaridades. São vários acontecimentos que não são de agora, e que não irão parar depois de quatro anos de governo Bolsonaro. É uma luta histórica que pensamos que um dia vamos conseguir vencer e ter nosso lugar ‘ao sol’. Ter o nosso momento de descanso, com terra para todo mundo e espaço para viver a nossa cultura. É o que nós realmente queremos — conclui Rodrigo.

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