PR: Indígenas acampam em frente à sede do governo

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Fotos: Comitê de Apoio ao AND - Curitiba

Na manhã de quinta-feira (28/03), cerca de 200 indígenas montaram acampamento em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo do estado do Paraná, em protesto contra o fim da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a consequente municipalização da saúde indígena. A medida, anunciada pelo Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no último dia 20, deixaria de levar em conta a questão específica e cultural dos povos indígenas, colocando a Sesai dentro de outra secretaria, a de atenção primária, delegando a responsabilidade da saúde indígena aos municípios.

Segundo uma das lideranças presentes no acampamento, o atendimento ao indígena é mais complexo por conta da diferença cultural e da língua, necessitando de equipe especial na qual a maioria dos profissionais é bilíngue: “o município não está preparado para isso, ele não tem estrutura física, financeira e cultural para atender os povos”.

A ameaça de extinção da Sesai provocou inúmeros protestos em todo o Brasil. Na terça-feira (26/03), o grupo, hoje acampado em frente ao Palácio Iguaçu, ocupou a sede do Ministério da Saúde em Curitiba e depois se dirigiu para a frente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), onde realizou um ato.

No interior do Paraná outras importantes manifestações ocorreram. Na manhã da segunda-feira da semana passada, em Guaíra, cerca de 200 indígenas interditaram a BR-163. Na terça-feira a tarde, em São Miguel do Iguaçu, houve fechamento de uma das pistas da BR-277.

Por conta das manifestações, o Ministro da Saúde recuou em relação à mudança na estrutura da saúde indígena. Porém, os indígenas acampados em Curitiba afirmam que não sairão do local até a oficialização da manutenção Sesai, prevista para ocorrer no dia 02 de Abril. De acordo com a liderança do movimento, o recuo poderia ser apenas uma tentativa por parte do ministro de gerar desmobilização, tendo em vista sua fama de não cumprir os acordos que estabelece com os representantes indígenas.

Parte da descrença também se deve ao fato de que Luiz Henrique Mandetta defende os interesses do latifúndio. Ele, assim como a ministra Tereza Cristina, participou do “leilão da resistência”, evento ocorrido em 2013 em que latifundiários arrecadaram R$ 640 mil para resistir, inclusive de forma armada, contra ações de camponeses e indígenas em defesa da demarcação de suas terras. Além disso, não estão sendo repassados adequadamente, desde o início do ano, os recursos para os profissionais da saúde e equipes específicas que trabalham na Sesai, numa tentativa de precarizar o serviço.

Entretanto, não é só na saúde que os povos indígenas vem sendo atacados. Desde que assumiu a gerência do Estado brasileiro, o governo militar de Bolsonaro baixou diversas medidas que afetaram diretamente os povos indígenas, como a remoção da FUNAI do Ministério da Justiça e a transferência do processo de demarcação de terras para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, escancarando ainda mais seu caráter latifundista.

Por conta de todas essas medidas, e pelo crescente número de invasões a territórios indígenas, durante todo o mês de janeiro centenas de atividades ocorreram em prol da mobilização nacional contra o genocídio da população indígena no Brasil e pela demarcação de suas terras. A campanha nacional Janeiro Vermelho, coordenada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), teve centenas de ações em todo o Brasil e algumas manifestações no exterior.

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