Tríplice fronteira tem atos contra os regimes militares na América Latina

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Somando-se às manifestações que ocorreram em todo país, no último domingo, 31 de março, em Foz do Iguaçu (cidade localizada no Paraná, na Tríplice Fronteira com Argentina e Paraguai), foi realizado um ato em repúdio às comemorações de 55 anos do golpe de 1964 e o governo militar de Bolsonaro. Reunido na tradicional Feirinha da JK, onde muitas famílias se encontram aos domingos, o ato contou com a presença de combatentes e vítimas de tortura no regime militar, familiares das vítimas, estudantes, professores, juristas e trabalhadores em geral. Também participaram militantes e filhos de militantes do Paraguai e Argentina que foram exilados no regime em seu país.

Foram realizadas falas anti-imperialistas, combativas e com muito espírito de luta por todos ali presentes, além de ser discutido o caráter entreguista e vende-pátria do regime militar de 64 e do atual governo. Também foi colocada a questão da privatização das escolas e universidades públicas e a necessidade de levantar alto a bandeira em defesa da educação pública e de caráter nacional.

Diversos depoimentos de militantes que lutaram contra o regime militar foram dados, trazendo à tona os horrores e lutas vividos naquele período. Aluízio Palmar, jornalista, integrante do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu (CDHMP), ex-combatente da resistência contra o regime militar, falou sobre as torturas sofridas, mas afirmou que a luta está viva e que não se arrepende de ter estado ao lado do povo.

Aluízio Palmar fala sobre sua experiência na luta contra o fascismo

O Movimento Fagulha, como parte das atividades realizadas em todo país sobre o Dia do Estudante Combatente, celebrado em 28 de março, saudou a memória do jovem Edson Luís, estudante secundarista assassinado em 1968, destacando o papel da juventude na luta antifascista. Exaltou ainda sobre a necessidade de uma Greve Geral de Resistência Nacional e discutiu a situação nacional, bem como o golpe militar contrarrevolucionário preventivo hoje em curso no nosso país.

Palavras de ordem como “Avante Juventude, a luta é o que muda, o resto só ilude!” e “Greve geral contra as reformas do Banco Mundial!” foram proclamadas durante o ato e uma faixa com os dizeres “Contra a intervenção militar! Ousar lutar, ousar vencer! Edson Luís presente na luta” foi estendida.

Membros do Comitê de apoio ao A Nova Democracia de Foz do Iguaçu também estiveram presentes e distribuíram diversas edições antigas do jornal aos presentes.

Em meio ao ato, um grupelho provocador de fascistas desfilou com veículos do exército buzinando e na tentativa de intimidar circularam o local onde estavam presentes os populares. A convocação do fascista Bolsonaro se conformou na cidade como um verdadeiro fracasso, estando presentes cerca de 10 pessoas.

Outras manifestações 

Debate na UNILA

Ainda como parte dos atos, ocorreu, no dia 1º de abril, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), o debate "Ditadura e Terrorismo de Estado no Brasil", uma atividade do curso de História e da SESUNILA (ANDES) que contou com grande presença da comunidade acadêmica.

Argentina

Segundo o CDHMP, ocorreu nos dias 23 e 24 de março, na Praça San Martins, em Puerto Iguazú, Argentina (fronteira com Foz), eventos pela passagem do Dia Nacional da Memória, Verdade e Justiça.  Os banners peregrinos do CDHMP estiveram estendidos e a praça esteve lotada durante os pronunciamentos.  Apresentações artísticas forma realizadas em tributo aos mortos e desaparecidos políticos das ditaduras militares na Argentina, Brasil e Paraguai. O Nunca Más na Argentina é realizado durante uma semana, com palestras em escolas e eventos públicos.

Faixas do movimento 'Nunca Más', Argentina

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