Rompimento de barragem em RO deixa mais de 100 famílias isoladas

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Foto: Luiz Martins/Rede Amazônica

No dia 29 de março, mais uma barragem se rompeu, dessa vez na cidade de Oriente Novo, distrito de Machadinho d'Oeste, em Rondônia. A barragem estava sob administração da Metalmig, que utiliza a região para a exploração da cassiterita.

A empresa jogou a responsabilidade nas chuvas que atingiram a região no dia do rompimento; chuvas que são comuns nessa época do ano. A força da água só não causou uma tragédia como a de Brumadinho por conta da geografia plana de Machadinho d’Oeste.

No total, cerca de 350 pessoas ficaram isoladas devido à destruição causada pelo rompimento, que danificou sete pontes essenciais para o deslocamento da população que vive naquela região.

“Os principais problemas relatados pelas famílias é o isolamento, o não sair da região, e o segundo problema é o escoamento da produção. É uma região que produz muito leite e eles não têm como levar pra vender. Famílias relatam que além das perdas ambientais que não foram ainda mensuradas, há animais morrendo e gados levados pela força da água”, afirma Francisco Kelvim, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

O Ministério Público acionou através de um ofício a Agência Nacional de Mineração, para que apresente laudos que, segundo a mineradora Metalmig, atestam a segurança da barragem, que se encontrava desativa há pelo menos três décadas.

Foto: Luiz Martins/Rede Amazônica

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental, em nota, também condenou o crime da mineradora.

“A mineradora Metalmig, que explora cassiterita na região há décadas, se eximindo de responsabilidade, joga a culpa do rompimento nas fortes chuvas, que todos sabemos serem volumosas na região amazônica, especialmente nessa época do ano. Os criminosos rompimentos de barragem são resultados da voracidade como são saqueadas as riquezas minerais do país. Como predadores, eles querem arrancar tudo no menor tempo e no mais baixo custo possíveis. E danem-se as populações e meio natural. Existem tecnologias para beneficiar minério a seco. Por que não se obriga todos a adotá-las? Porque as barragens assassinas são mais baratas e este velho Estado e seus governos de turno são cúmplices. As mineradoras só pensam em seus lucros bilionários e fica mais barato para esses exploradores comprar meia dúzia de políticos, emissoras de televisão e enterrar o povo sob toneladas de lama. Nos países imperialistas, a exploração mineral cumpre regras rígidas. Nos países dominados como o nosso, para esses tubarões exploradores, o povo não vale nada!”, protesta a LCP.

Os camponeses criticam ainda a grave situação de várias barragens, cujas irregularidades e riscos têm a vista grossa do velho Estado. "Segundo informações oficiais da Agência Nacional de Águas, em Rondônia cerca de 22 barragens de diferentes finalidades tem alto potencial de dano podendo causar mortes e grande destruição em caso de rompimento. Estão incluídas aí as hidrelétricas Santo Antônio, Jirau e de Samuel. Ainda segundo a mesma agência, em Rondônia há 15 barragens classificadas como de alto risco para rompimento. Diante de tão grave situação, o que tem feito os órgãos ambientais tão diligentes quando se trata de perseguir, punir e ameaçar pequenos camponeses, inclusive cometendo para isso toda sorte de ilegalidades?", denunciam, para logo condenarem: “As barragens são bombas montadas e crimes premeditados. Seu rompimento é verdadeiro atentado terrorista contra nosso povo e o meio natural. Os responsáveis pelas mineradoras são os principais criminosos e os governantes seus cúmplices!”.

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