MS: Vitoriosa mobilização estudantil barra exibição de filme pró-regime militar na UFGD

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Fotos enviadas pelos estudantes da UFGD

No dia 5 de abril, os estudantes da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul, obtiveram uma grande vitória conseguindo barrar a exibição de um filme pró-regime militar intitulado “1964: Brasil, entre Armas e Livros”. A exibição era organizada por um grupo fascista intitulado “UFGD conservadora” e seria realizado no domingo, 7 de abril, dentro das dependências da instituição. Após a exibição do filme, ocorreria também a palestra de um tenente-coronel reformado do Exército ligado a Escola Superior de Guerra sobre “Gramscismo” e a “Implantação do Neocomunismo no Brasil".

A organização do evento, temendo a resposta dos movimentos populares, contratou uma empresa de segurança privada para atuar. Além disso, foram acionadas a Polícia Militar e a Polícia Federal para fazer a “segurança”, inclusive com rondas pelo espaço. Tudo isso configurando uma grande afronta à autonomia universitária e mais um passo no processo de militarização e intervenção na universidade.

Estudantes se mobilizam

Durante a semana, estudantes independentes se organizaram e fizeram uma ampla campanha de denúncia nas salas de aula contra a exibição do filme, colocando também em pauta o corte de orçamento de 5,8 bilhões anunciado pelo governo federal que já prevê afetar 30% do orçamento da universidade, e o problema de acessibilidade para os estudantes. Com isso, convocaram uma assembleia geral estudantil, ocorrida na noite de quinta-feira, para discutir tais questão. O evento contou com grande presença dos estudantes de vários cursos. Na assembleia, se deliberou, por unanimidade, a realização de uma manifestação para exigir da reitoria o cancelamento do filme, tendo a perspectiva de ocupação caso a reivindicação não fosse atendida. Assim, dezenas de estudantes contundentemente passaram o dia na sede da reitoria, fazendo pressão e colando cartazes exaltando os estudantes e combatentes mortos na luta contra o regime militar fascista. Eles também produziram um documento que colocava para reitoria o posicionamento dos estudantes, assinado por vários centros acadêmicos e organizações, exigindo a suspensão do filme.

A reitoria, que até então está sendo conivente com tais afrontas e permitindo a realização do filme, teve que recuar diante da mobilização dos estudantes, que, de forma combativa, exigiram o cancelamento da exibição e, ao final da tarde, lançaram uma nota retirando a permissão de uso do espaço da universidade para a realização do evento.

Os fascistas não tiveram outra alternativa se não mudar o local do evento, que foi realizado no Clube de Tiro da cidade (local vigiado pelas polícias Militar e Federal 24 horas por dia), o que não poderia ser mais condizente com a verborragia fascista e reacionária que o evento prega.

Também cabe denunciar o caráter pelego e imobilista do DCE, que não emitiu uma única nota nem se posicionou sobre a exibição do filme antes que ocorressem as mobilizações puxadas pelos estudantes de forma independente. Além disso, já durante a mobilização, o mesmo tampouco participou efetivamente, defendo, na verdade, uma posição conciliatória de defesa da “liberdade de expressão” dos fascistas de exaltar torturadores e assassinos. A neutralidade da universidade diante dessas questões foi posição defendida por alguns outros professores e estudantes.

Porém, o movimento combativo dos estudantes, ao contrário, tomou posição clara defendendo que a universidade tem responsabilidade social pelo que é produzido e veiculado dentro de suas dependências, defendendo uma universidade que sirva ao povo e suas necessidades, o que é incompatível com a exaltação de torturadores e assassinos. Defendendo também a responsabilidade da universidade pela verdade e ciência e de se contrapor a um filme de caráter anti-científico e repleto de falseamentos, produzido com o único objetivo de impor sua ideologia fascista para dentro das universidades e a opinião pública.

Sobre o filme

O filme, que vitoriosamente foi barrado pelos estudantes, foi feito pela movimento “Brasil Paralelo”, que é financiada por grandes instituições financeiras e empresas, além de corporações como o Instituto Millenium e Instituto Mises, criadas com o objetivo de desinformação e divulgação de propaganda reacionária. Com a participação de personagens reacionários como Olavo de Carvalho, Príncipe Bragança de Orleans, William Waack (comprovadamente colaborador da CIA no nosso país) e outros, o filme tem como eixo claramente o combate ideológico, buscando, ao mesmo tempo, criminalizar e satanizar o movimento revolucionário da época, e justificar o regime militar como algo necessário para “salvar a nação do comunismo”.

O filme, que relembra muito o material de contra-propaganda criado na época do regime militar, vem na esteira de outras iniciativas recentes do governo de comemoração do golpe de 64, divulgação de um vídeo pró-regime militar pelo Palácio do Planalto, além da declaração do Ministro da Educação de mudar o conteúdo dos livros didáticos sobre o período. Tudo isso como parte de uma campanha para reinscrever a história, passando a visão imposta pelos militares, além da criação de opinião pública para uma maior intervenção das Forças Armadas reacionárias na luta contra os movimentos populares.

Fascistas, não passarão!

A iniciativa dos produtores do filme de incentivarem a exibição deste em todas as universidades públicas tem uma perspectiva estratégica das classes dominantes de travar luta nesses espaços que sempre foram trincheiras de combate ideológico e seguem sendo um barril de pólvora para o velho Estado. Tal investida, corroborada pelos setores mais reacionários nas universidades e organizações do tipo MBL, está sendo rechaçada também em várias outras universidades, como ocorreu na Universidade Estadual de Londrina, no dia 3, e acirra a luta dos estudantes em defesa do caráter científico e democrático da universidade pública contra os planos obscurantistas do atual governo militar de Bolsonaro.

Após a vitória, os estudantes da UFGD fizeram falas colocando o compromisso de continuar mobilizados para enfrentar todos os ataques à universidade pública que estão vindo e fazendo um chamado aos estudantes de outras universidades a rechaçarem essa iniciativa fascista e impedirem também a exibição do filme dentro de suas instituições.

FASCISMO NÃO SE COMEMORA, SE COMBATE!
POR UMA UNIVERSIDADE QUE SIRVA AO POVO!
PRISÃO PARA OS TORTURADORES DO REGIME MILITAR!
VIVA O MOVIMENTO ESTUDANTIL COMBATIVO E INDEPENDENTE!

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