Amigos e familiares acusam e rechaçam o Exército genocida durante enterro de músico

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Evaldo é enterrado com bandeiras do Brasil manchadas de sangue. Foto: Henrique Coelho/G1

Sob forte emoção de parentes e muitos amigos, foi enterrado na manhã desta quarta-feira, 10 de abril, o corpo de Evaldo dos Santos Rosa, músico fuzilado pelo Exército genocida num carro com a família em Guadalupe, Zona Norte do Rio de Janeiro, no último domingo, 07/04.

O enterro ocorreu no cemitério de Ricardo de Albuquerque, também na Zona Norte do Rio, e contou com a presença de cerca de 200 pessoas. O clima era de intensa revolta e os presentes levaram bandeiras do Brasil manchadas de sangue.

Inicialmente, de forma mentirosa e cínica, o Comando Militar do Leste havia dito que os militares atiraram contra criminosos que praticaram assalto na região. Porém, a verdade apareceu rapidamente e o fato gerou gigante insatisfação na sociedade, obrigando o Exército reacionário a “mudar de opinião”, afirmar que iria “apurar o caso” e prender os envolvidos.

Ainda nesta quarta, a juíza Mariana Campos, da 1ª auditoria da Justiça Militar, decidiu pela conversão da prisão temporária em preventiva de 9 dos 10 militares presos por participação no crime hediondo.

Foto: Estadão conteúdo

No enterro, Elizabete de Oliveira, amiga de Evaldo desde jovem, em declaração à imprensa, disse não acreditar na punição para os militares, demonstrando uma visão lúcida sobre o caráter farsante da “democracia” brasileira.

Em entrevista ao jornal O Dia, um homem apresentado como Donato protestou contra o Exército. “Essa bandeira simboliza um tiro na democracia. Um tiro no nosso direito de ir e vir. Um tiro na nossa cidadania. Um tiro na nossa liberdade. Não sei se vamos poder continuar andando nas ruas onde estamos acostumados a andar", disse, acrescentando: “Até agora, nem familiares e nem amigos, fomos procurados pelas autoridades, nem pelos militares. O governo do estado não se manifestou. O governo federal não se manifestou, e nós estamos esperando uma satisfação”.

Segundo informações enviadas por membros de organizações democráticas presentes no enterro, muitas pessoas corretamente associaram o assassinato de Evaldo ao governo Witzel e ao governo militar de Bolsonaro, tutelado pelo Alto Comando das Forças Armadas reacionárias. Ao mesmo tempo, o enterro foi marcado por alta consciência política dos presentes, seja com as bandeiras do país manchadas de sangue, seja com as críticas contundentes às “autoridades”.

Os 80 tiros disparados contra o carro em que Evaldo levava sua família para um chá de bebê despertou grande sentimento de revolta e escancarou, mais uma vez, o papel das Forças Armadas reacionárias: reprimir os pobres e defender esta velha ordem protegida a ferro e fogo pelo velho Estado burguês-latifundiário brasileiro.

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