RJ: Mototaxistas enfrentam a polícia pelo direito de trabalhar no Morro do São Carlos

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Na manhã da última terça-feira (16), mototaxistas do Morro do São Carlos, na região central do Rio de Janeiro, fizeram um protesto bloqueando a rua Frei Caneca. Segundo os trabalhadores, desde que assumiu o comando da Polícia Militar (PM) do Rio sob tutela do governador Wilson Witzel, o coronel Rogério Figueiredo de Lacerda vem reprimindo sistematicamente o transporte popular feito por Kombis — conhecidos como cabritos — e mototaxis. 

As ações da PM contra os trabalhadores têm acontecido com mais frequência nos morros e favelas do Centro, entre eles, o Fallet-Fogueteiro, Querozene, Coroa, Prazeres e principalmente o Morro do São Carlos, que fica ao lado da sede da Prefeitura do Rio.

Cansados de terem suas motos apreendidas em blitz do Departamento de Transportes Rodoviários do estado do Rio de Janeiro (Detro) e da PM, mototaxistas do São Carlos fizeram um protesto a princípio pacífico. Não demorou para que policiais chegassem ao local atacando os trabalhadores com bombas de gás lacrimogêneo, efeito moral e tiros de bala de borracha. A ação da polícia levou pânico ao local e se arrastou para a rua São Carlos, principal via de acesso ao morro. Comerciantes tiveram que baixar as portas e, segundo relatos, vários moradores ficaram feridos. 

Mototaxistas não se intimidaram com a ação covarde da PM e resistiram com paus e pedras. Foram mais de duas horas de confronto até a chegada do "Carro" — veículo blindado da polícia — que disparou tiros de munição letal contra os manifestantes.

— Quem conhece o São Carlos sabe o tamanho desse morrão. Sem o mototaxi ninguém chega em casa. É uma das coisas mais importantes para os moradores que moram nas partes mais altas do morro. O nosso ponto tem mais de 30 anos e a gente nunca teve esse tipo de problema. Vários amigos estão sem trabalhar porque eles [a PM] param todo mundo que está de colete e prendem a moto. Quem perdeu a moto não consegue tirar e quem não perdeu está com medo de sair para trabalhar e ter a moto apreendida. A gente é trabalhador, mas está vivendo que nem bandido. Nem trabalhar a gente pode. E pelo visto protestar também não pode. Favelado não tem mais direito a nada nessa cidade — diz o mototaxista Rodrigo Maranhão, de 42 anos, em entrevista exclusiva a reportagem de AND.

 
A via chegou a ser interditada nos dois sentidos. Foto: Reprodução

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