AM: Estudantes ocupam centro administrativo da Ufam (campus Coari)

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Estudantes de Medicina da Ufam protestam contra descaso da reitoria e paralisação de grande parte do curso. Foto: Banco de Dados AND

Os estudantes de Medicina do Campus de Coari da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), distante cerca de 363 Km de Manaus, realizaram mais um ato de ocupação do centro administrativo do Campus de Coari, no dia 15 de abril. O prédio só foi liberado no dia 18, após a reitoria emitir documento oficial se comprometendo a resolver as diversas pendências de infraestrutura, ensino, pesquisa e extensão. No início de 2018, os estudantes já haviam realizado ato de ocupação da coordenação do curso contra os mesmos problemas.

O reitor visitou o campus no dia 15 de abril para cerimônia de posse da nova administração e, aproveitando a ocasião, os alunos decidiram organizar um ato de ocupação após o encerramento da cerimônia. Mesmo estando no local, o reitor ignorou a manifestação dos estudantes por melhorias. A estudante Hanna Dourado, que estava no local, denunciou: “Hoje está havendo a posse da nova administração do Instituto, assumindo um novo diretor acadêmico, coordenador acadêmico e coordenador administrativo. O reitor encontra-se presente na cerimônia e nós também, mas fazendo a ocupação, ocupamos o prédio administrativo, no qual os professores e os técnicos administrativos estão sem acesso às suas salas. O curso foi implantado sem planejamento e os principais prejudicados estão sendo os alunos que sofrem desde o início com falta de professor. Atualmente, a única turma que está tendo aula de forma mais ou menos correta é a terceira que está no segundo semestre, porque está no ciclo básico, então não precisa de professores médicos para ministrarem as aulas”.

Assim como no ano passado, o ato foi realizado devido à falta de professores, principalmente professores médicos, para ministrar disciplinas específicas. Mesmo diante desse cenário de precarização a reitoria decidiu manter o vestibular deste ano, agravando ainda mais a precarização do curso.

Os acadêmicos afirmam que essas condições estão adoecendo muitos estudantes de vários cursos do campus que também sofrem com a falta de professores. Os laboratórios funcionam parcialmente devido à falta de diversos materiais que influencia diretamente na qualidade da formação. Outro fator associado são as precárias condições da assistência estudantil, por exemplo, atualmente o Restaurante Universitário funciona de maneira improvisada e não há casa do estudante funcionando. Os estudantes denunciam que já houve uma tentativa de suicídio frustrada por amigos por falta de perspectiva no andamento do curso.

Algumas disciplinas que só podem ser ministradas por médicos estão sem aula há cerca de 3 meses e a reitoria segue sem previsão de solução do problema.

A estudante Ana Coelho denuncia que a turma pioneira do curso até o momento não tem previsão real de conseguir se formar. “O curso de Medicina segue sem aula. A terceira turma ainda está tendo aula porque eles ainda estão no ciclo básico, que tem disciplinas que outros professores podem ministrar. A gente está em uma situação que, no caso da primeira turma, não tem aula para os períodos que virão. Ano que vem, eles entram no internado e está tudo indefinido. Nós só temos três professores médicos que estão atuando, eles têm só 20 horas semanais, que é a metade da carga horária, e eles atuam em regime quinzenal, ou seja estão só 15 dias no município, então é impossível cumprir a carga horária”.

Outra estudante denuncia que a reitoria busca passar uma aparência de que o curso está indo bem, quando, na verdade, está indo muito mal, por uma associação de fatores, como corte de recursos para ensino, pesquisa e extensão com o avanço da precarização e sucateamento da infraestrutura. “O curso existe! Nós estamos aqui! Isso não vale de nada para a Ufam? Nós consideramos, no mínimo, um absurdo atrasar ao menos um período, porque a Universidade se recusa a ajudar. Seja esbarrando em um muro de burocracia na contratação de professores, ou seja, vendendo uma imagem às instâncias superiores de que ‘está tudo às mil maravilhas’. Não está. E, se o curso caminhou até agora, foi dando o famoso jeitinho brasileiro”.

Já o estudante Hiago Silva denuncia que todos estão cansados de enviar ofícios cobrando soluções, desde o início do curso em 2016. A reitoria sempre responde com as mesmas promessas de melhorias na estrutura e contratação de professores, no entanto, nada é resolvido. “Estamos lutando desde que chegamos aqui. Já recorremos a coordenação da Ufam, Conselho Diretor e muitos outros, inclusive à Reitoria para tentar solucionar essa situação. Até mesmo uma equipe do MEC esteve na Ufam de Coari, mas nada foi solucionado. É um descaso o que está acontecendo. A coordenação acadêmica daqui tenta mascarar, dizem que o ensino é bom. E ele é muito bom mesmo, em teoria. Na prática, não serve, não é qualificado, nem ajuda a formar bons médicos. Não temos apoio nenhum, de qualquer instância da faculdade. Apenas os próprios professores que estão nos ajudando, que sabem a realidade e tentam de todas as formas fazer com que esse curso ande para frente”.

Outra estudante de medicina denuncia que a reitoria apenas promete ao invés de mostrar soluções efetivas para melhorias do curso. Ele menciona que o Ministério Público Federal já fez diversas recomendações para melhorias no curso, no entanto, até hoje pouquíssimas foram efetivadas e não houve qualquer punição. “Já estamos nessa luta há um ano tentando fazer algo, porque a Ufam e o MEC não nos mostram soluções, queremos que a reitoria resolva nossa situação de não termos professores médicos, queremos cumprimento do plano pedagógico da Medicina para termos uma formação adequada e contínua em todas as turmas, queremos que eles não abram mais turmas de Medicina aqui até resolverem a situação”.


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