Poema: 'Assim disse um operário'

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Saía de casa
O sol ainda não reluzia
Carregava comigo a minha marmita
Subia a escadaria
Descia na mesma medida
O macacão da fábrica já vestia
Pois assim ganhava uns minutos a mais no meu dia
Peguei o lotação
Depois o trem
Duas horas se passaram
O clarão apresentava o que viria
Bati o cartão
Ponto registrado
Pelos galpões passei
Liguei toda a maquinaria
Zé já estava na lida
Nossos olhos se cumprimentaram
E por horas
Repetidos atos construímos
Até ouvirmos a sirene anunciando o almoço
A bóia já estava fria
Ou comia aquele papado
Ou comia!
Lá perto havia um P.F.
Mas o preço era pra patrão
E com o preço das coisas não se brinca...
Arrastaram-se as horas até às cinco
Mas ainda tinha que cumprir a extra
Como quase todos os dias
Porque a lei me obriga
Neste mundo mais vale pra empresário sugar trabalhador
Do que pagar mais dois
Já era noite quando da fábrica saia
E outra lida enfrentaria
Mais duas horas entre lotação e trem...
De repente já é nove da noite
E agora que a porta de casa estou a abrir
Verei meus filhos e esposa
Queria mais tempo com eles passar
Entretanto tenho que descansar
E amanhã, às cinco, acordar
E tudo novamente enfrentar.

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