RJ: Mais uma chacina no Complexo da Maré deixa oito mortos

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Crianças correm pelas ruas da Maré assustadas pelo tiroteio e sobrevoo do helicóptero da polícia. Foto: Reprodução / Maré Viva

Na manhã do dia 6 de maio, moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, mais uma vez viveram momentos de terror durante operação das tropas do governador Witzel, declarado inimigo do povo. A ação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, começou no início da manhã e só terminou no final da tarde. Por horas, moradores rastejaram por abrigo dos tiros disparados de veículos blindados e, principalmente, dos helicópteros da polícia, deixando marcas nas paredes e nos telhados das casas e nas memórias do povo que saía de casa para trabalhar e estudar. Ao menos oito pessoas foram mortas.

Na internet, os moradores inundaram a rede de imagens do terror vivido. Na Escola Municipal Marielle Franco, crianças tiveram que se abrigar nos corredores da unidade, deitadas no chão e acalmadas por professores e funcionários. A professora Rosália Romão enviou uma mensagem pelo celular à organização Maré Vive, que repassou o texto à redação de AND. Um relato de medo, revolta e impotência de quem luta todos os dias para acalentar as mentes e corações de milhares de crianças perturbadas diariamente pela política de extermínio do velho Estado.

— Por volta das 9h começamos a ouvir os disparos e o som foi ficando cada vez mais próximo. Então passamos a ouvir o barulho do helicóptero, que é assustador. Foi muito rápido e as crianças que estavam do lado de fora não conseguiram entrar. Eram alunos do 6º ano. Eles correram desesperados para procurar abrigo do lado de fora. As crianças mais novas foram levadas para o corredor e choravam muito. Mesmo com medo, a gente faz o que pode para manter as crianças calmas, mas é muito difícil. A gente almoçou no corredor, porque esse pânico se estendeu até a hora do almoço. Quando deu uma trégua, um funcionário chegou e disse que a escola seria evacuada. Então nós saímos de lá com muito medo, porque os tiros iam e voltavam muito rápido. Se para mim é horrível trabalhar nessas condições, imaginem para essas crianças que vivem na Maré e passam por situações como essa todos os dias — conta a educadora.

Na Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), que fica a 200 metros do Complexo da Maré, profissionais de saúde e estudantes também tiveram que evacuar o prédio pela saída dos fundos, voltada para a favela de Manguinhos. Segundo relatos de funcionários nas redes sociais, antes da evacuação, todos tiveram que buscar abrigo nos corredores da unidade.

— Sempre que isso acontece, a gente fica sem saber onde é a operação, se é em Manguinhos ou se é na Maré. Quando os sons dos tiros foram se distanciando, muita gente olhou pelas janelas para saber onde era a operação. Foi quando vimos o helicóptero da polícia voando bem baixinho sobre a Maré. Eles não paravam de atirar. Foram pelo menos duas horas de tiros e mais tiros. Olhando de fora, não dá para acreditar que vivem pessoas ali. Não é possível que essa é a única política do governo contra o tráfico. Na verdade, é política contra o povo que vive ali, porque o tráfico está aí a décadas e pouca coisa mudou — diz uma funcionária prefere não se identificar.

A operação se estendeu pelas favelas Palace (Conjunto Esperança), Salsa, Merengue e Vila do João e dois homens foram presos. Sobre os oito mortos, a recém-criada secretaria de Polícia Civil, até a publicação dessa nota, não havia divulgado as identidades das vítimas e se restringiu a dizer, em nota, que todos eram traficantes e foram mortos em confronto.

Além disso, a nota diz que o objetivo da operação era a prisão do traficante Thomaz Jhayson Vieira Gomes, que atualmente se autodenomina 3N do Salgueiro. O traficante varejista não foi localizado.

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