Estudantes da UFMS realizam vitoriosa ocupação de bloco e deflagram estado de greve contra os cortes de Bolsonaro

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Cartazes com palavras de ordem. Foto: Comitê de Apoio ao AND.

O comitê de apoio ao jornal A Nova Democracia acompanhou de perto as primeiras semanas de maio na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que foram marcadas por vigorosas mobilizações estudantis em todo o campus central, Cidade Universitária, em Campo Grande. Cerca de 100 estudantes se reuniram no dia 2 de maio em frente a central do DCE para discutir sobre os cortes de 30% nas verbas de custeio até então anunciadas pela instituição.

A partir deste ato foram formadas comissões, com a pauta de construção da Greve Geral no dia 15 de maio. Desde então, foram desempenhadas atividades de agitação e propaganda por meio de panfletagens na frente do Restaurante Universitário, aulas públicas e assembleias, as quais contaram com a participação de cerca de 200 estudantes. A comunidade acadêmica também, por meio de páginas como “Registros da balbúrdia na UFMS”, realizaram a exposição de suas pesquisas e atividades acadêmicas, tanto online e com a exposição de banners na Praça Ary Coelho, que também contou com a participação de secundaristas do Instituto Federal - IFMS.

Atividade de agitação realizada em frente ao DCE, dia 9 de maio, com cerca de 200 pessoas. Foto: Comitê de Apoio ao AND

Seguindo a onda de combatividade, promovida por calorosos discursos desferidos em assembleias por diferentes pessoas, estudantes traçaram estratégias organizacionais e de articulação do movimento estudantil com as demais categorias e campi. Nas assembleias realizadas nos cursos de Psicologia, História e Ciências Sociais foram aprovadas ações mais contundentes para compor a paralisação do dia 15, como a construção da ocupação da Unidade VI, onde os respectivos cursos e também apoiadores da Filosofia, Nutrição, Biologia, Artes Visuais, Geografia, Enfermagem e pós-graduação formaram frente para execução da mobilização.

Agitação feita durante manhã e tarde, enfrente da unidade, no dia da ocupação. Foto: Reprodução

As articulações culminaram com a deflagração da ocupação da Unidade VI no dia 13 de maio, às 18:30, contando com a presença inicial de cerca de 150 acadêmicos, que realizam aulas na unidade. Os alunos também aprovaram e entraram em sincronia com as manifestações nacionais que ocorreram no dia 15 de maio. Durante os dias que resistiu a ocupação (13, 14 e 15/05) foi criada uma agenda de atividades, mantendo o espaço do bloco aberto para agitação política, contando com a participação de estudantes, técnicos e professores. Foram realizados debates em torno das privatizações, cortes na educação e "reforma" da Previdência. Professores que demonstraram apoio ao movimento, ressaltaram, por meio de discursos, a importância histórica da participação estudantil em processos decisivos mundiais, do Vietnã à luta contra a ditadura militar brasileira, e hoje.

“Melhor alguns dias de reposição do que uma vida inteira de submissão”. Também foi realizada a distribuição de remanescentes da edição 221 de AND. Foto: Comitê de Apoio ao AND

Anunciado em nota oficial o corte de 30% do orçamento do MEC, a ocupação forçou a reitoria a convocar uma reunião com representantes estudantis no dia 14 de maio, onde foi revelado que a Instituição sofreu o segundo maior corte orçamentário do país. Somado a suspensão de verbas parlamentares, os cortes compõe cerca de R$ 80 milhões, equivalendo a restrição de 52% dos recursos destinados ao custeio e infraestrutura, podendo suspender as atividades já no segundo semestre de 2019.

Foto: Marcos Ermínio/Midiamax

GREVE NACIONAL DA EDUCAÇÃO

Na manhã do dia 15/05, estudantes vindos da capital e interior se aglomeraram e interditaram as faixas da Avenida Costa e Silva, em frente a UFMS, seguindo em direção ao Terminal Morenão e com fim no “paliteiro” — monumento símbolo do campus universitário. Estudantes desempenharam atividades de panfletagem para os motoristas que passavam pelo trajeto e nos portões da UFMS. Nos foi relatado que, apesar de muitos comentários negativos, a manifestação teve uma recepção positiva na maioria população que transitava no local, principalmente de caminhoneiros, que realizavam “buzinaços” em demonstração de apoio aos estudantes, técnicos, professores, indígenas e camponeses do Movimento Sem Terra (MST) presentes no ato.

Campo Grande, MS. Foto: Apoiadora

Durante o ato um caminhão do Exército reacionário tentou furar o bloqueio, fato que foi rechaçado pelos manifestantes com gritos de “ditadura nunca mais”. Os estudantes ridicularizaram o veículo através da colagem de “lambes” e adesivos na viatura. Segundo a estimativa de manifestantes, o ato, em seu ápice, conseguiu aglomerar cerca de 5 a 10 mil pessoas. Dentre as organizações sindicais compareceram a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS), ADUFMS, ACP, Sinted, Sista-MS e servidores de Coxim, Três Lagoas, Corumbá, Aquidauana, Ponta Porã, Nova Andradina, Naviraí e Sidrolândia.

Manifestantes começam a se aglomerar no paliteiro

Após o término da manifestação nacional, por volta das 17h, estudantes realizaram a desocupação da Unidade VI e participaram da Assembleia Geral Estudantil às 17h30, convocada pelo DCE-UFMS. Na assembleia haviam por volta de 300 estudantes, que debateram sobre a possibilidade de deflagração de uma Greve Geral Estudantil. Através de falas energéticas, sob forte influência do exemplo de combatividade dos estudantes da Unidade VI, Centros Acadêmicos e estudantes de outras áreas demonstram apoio a possibilidade de mais ocupações. Sob agitação de palavras de ordem como “para barrar a precarização, greve geral na educação!”, por maioria esmagadora, estudantes deflagram estado de Greve Geral Estudantil a partir do dia 15 de maio e a criação de um Comitê Geral de Greve Estudantil, responsável por articular a preparação da greve.

Cerca de 300 estudantes compareceram à Assembleia Geral das e dos Estudantes às 17h30

IR AO COMBATE SEM TEMER, OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!

Para o movimento estudantil da UFMS, este foi um marco histórico e organizacional. Parafraseando um reconhecido gigante do proletariado internacional, “a geração que tem agora cerca de 50 anos, não pode pensar em ver uma nova sociedade. Pois terá morrido antes”. O jornal A Nova Democracia saúda com entusiasmo a iniciativa combativa dos estudantes da UFMS e também de todo o Brasil.

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