‘Guerra comercial’: USA busca abrir mercado chinês para atuação de seus monopólios

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Reprodução

O presidente ianque Donald Trump declarou estado de emergência nacional para barrar a suposta espionagem de uma das maiores empresas chinesas de telecomunicações, a Huawei, no dia 15 de maio.

O clima tenso entre os dois países imperialistas, ao que parece, está longe de acabar. De acordo com a Casa Branca, as motivações de Trump são de “proteger a América de adversários estrangeiros que estão ativamente e cada vez mais criando e explorando vulnerabilidades nas infraestruturas de equipamentos de informação e comunicação”. E dá poderes à Secretaria do Comércio de “proibir transações que botem inaceitavelmente em risco a segurança nacional”.

De acordo com o monopólio de imprensa BBC, o USA também restringiu agências federais de usarem os produtos da Huawei e encoraja seus aliados a fazerem o mesmo.

Esse escândalo afeta diretamente a empresa, econômica e politicamente, que nega ter qualquer relação de espionagem no país. A filha do fundador da Huawei, Ren Zenhengfei, já havia sido presa em 1º de dezembro em Vancouver, por pedido do USA, sob as acusações de lavagem de dinheiro, fraude bancária e roubo de segredos de comércio.

Diante da acusação de espionagem, os social-imperialistas chineses ironizam: “os norte-americanos estão brigando com o resto do mundo para ver quem ganha o Oscar de melhor roteiro, por isso, os relatos se tornam cada vez mais mirabolantes”.

Sobre o modus operandi ianque, Ren, fundador da Huawei, anuncia que “o USA gosta de promover sanções nos outros; quando há algum problema, eles usam esse tipo de método de combate”.

Essas declarações, de ambos os lados, elevam a rivalidade comercial dos países a um novo nível. Diante da crise mundial, as contradições entre os países imperialistas se acirram, continuamente, procurando pelos lucros máximos e pelo controle dos mercados.

Abrir economia e derrubar o regime político

Em declaração emitida no dia 1º de maio, Partidos e organizações marxistas-leninistas-maoistas analisaram a “guerra comercial”.

“Os imperialistas ianques, atuando com arrogância e atitude imperial, com sua política de ‘America First’, desatou a chamada ‘guerra comercial’ mediante a qual, sob a ameaça de ‘elevação das tarifas’ para as importações, persegue o objetivo de impor regras mais favoráveis ao capital financeiro ianque na Europa, Japão etc., e no caso da China, persegue o objetivo de fazê-la abrir sua economia de par a par para penetrar mais profunda e extensamente o domínio na economia do país. Tudo sob a bandeira da ‘liberalização’ da economia da China, para obrigá-la a seguir os moldes ocidentais de capitalismo, impulsionando a sua tendência a modalidades demoburguesas e o deslocamento da fração burocrática fascista. Avança mais rápido o processo de decomposição do revisionismo até sua bancarrota final”, expõem os maoistas. E prosseguem:

“Contra essas medidas nenhum dos seus rivais pode fazer nada, dada a hegemonia do capital financeiro ianque, expressa na predominância do sistema financeiro do USA, cuja principal praça bancária e financeira do mundo é Nova Iorque, seguida por Londres, expressando ainda a  dominação do dólar como moeda mundial. As sanções econômicas que impõem os imperialistas ianques expressam a hegemonia do capital financeiro ianque sobre todos os demais, sustentado por seu enorme aparato diplomático e militar de alcance global”.

Por isso, os Partidos afirmam que a “guerra comercial” impulsionada pelo USA expressa sua dominação mundial: “Os social-imperialistas chineses, que desenvolvem a restauração associados ao imperialismo ianque, hoje pagam a fatura e são os principais compradores da dívida do Tesouro, sujeitos a uma submissão humilhante ante os imperialistas ianques; foram obrigados a estabelecer uma nova lei de inversões estrangeiras para permitir maior entrada e campo de ação aos imperialistas”.

Já segundo a Associação de Nova Democracia Nuevo Peru, sediada em Hamburgo (Alemanha), analisou o último decreto de Trump, que impede os monopólios ianques de fazer qualquer tipo de negócios com o monopólio chinês da internet sem a autorização do governo ianque.

“A última medida, aplicada sob o pretexto de um perigo de espionagem, práticas contra a propriedade intelectual, são práticas direcionadas contra o comércio da China, especialmente contra a Hauwai. O ataque é para mostrar quem é quem, quem pode impor condições, e visa obrigar o governo social-imperialista chinês a permitir o acesso livre aos grandes monopólios ianques da internet”.

O objetivo dos ianques com as tarifas e as sanções “é obrigar os social-imperialistas chineses a abrirem sua economia, neste caso específico, para que abram o mercado doméstico de consumidores chineses à indústria da internet ianque. Tudo isto em meio das negociações para um novo acordo comercial”.

Segundo a Associação, “a medida parece controvérsia, porque num primeiro momento afeta não somente os monopólios chineses, mas também os próprios monopólios ianques, mas se nós vemos qual é o objetivo da medida (que é alcançar esse imenso mercado chinês e acelerar o processo de decomposição da China) então a medida passa a fazer sentido para os interesses estratégicos do imperialismo ianque”.

Assim, a medida de Trump impede que monopólios ianques utilizem tecnologia de “adversários estrangeiros” sem a permissão do governo, incluído aí o monopólio chinês Huawei. Quase ao mesmo tempo, o Departamento de Comércio (submetido ao governo ianque) incluiu a Huawei e suas filiais na regulamentação especial de exportações, impondo-lhes sobretaxas.

Assim, o monopólio social-imperialista chinês deixará de receber a colaboração de vários monopólios ianque da internet, como Google, Intel, Qualcomm e outros. O fim da colaboração do Google, em especial, afeta bastante a megaempresa chinesa, já que, a partir de então, suas mercadorias não poderão funcionar com o sistema Android, predominante no mundo, tendo que ser substituído por versões de software livre, sem os "aplicativos" mais utilizados. Esse é um golpe bastante duro para as pretensões de expansão mundial da companhia chinesa.

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