Estudantes da Universidade Estadual de Goiás (Campus Luziânia) se mobilizam contra os ataques à educação

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Reproduzimos relato enviado por estudantes do campus de Luziânia da Universidade Estadual de Goiás (UEG).


Recentemente, estudantes da UEG – Campus Luziânia fizeram importantes mobilizações contra os ataques à educação pública e gratuita!

No dia 11, os estudantes fizeram passagem em salas convocando os estudantes de Pedagogia e Administração para Assembleia Geral Estudantil, no dia 15 de Maio, em conjunto com as manifestações e paralisações que estavam sendo marcadas para o mesmo dia no país inteiro. A Assembleia foi aprovada de forma unânime pelos estudantes e uma oficina de cartazes foi convocada para dia 14. Os estudantes responderam ao chamado e escreveram várias palavras de ordem:

- “Cadê os 30%? Queremos nossa verba”

- “Onde há opressão, há resistência”

- “Cresce por todo o Brasil, o novo movimento combativo estudantil”

- “Não ao fechamento de 57 cursos!”

- “Se você paga, não deveria, educação não é mercadoria!”

- “Pedagogia é união, não deixe o MEC acabar com a educação!”

Aproveitando que vários estudantes estavam no pátio, foi feito um vídeo convidando todos e todas para a Assembleia no dia seguinte, e chamando a atenção daqueles que estavam tendo aula.

No dia 15, mais de 100 estudantes compareceram à Assembleia! Todos de preto, em luto pela educação, os estudantes se puseram à luta. A Assembleia iniciou com um informe da situação política nacional e estadual, rechaçando a comissão de redesenho institucional, que, em verdade, é uma comissão de destruição da UEG; a “reforma” da Previdência Social, que vem com o objetivo de retirar direitos históricos conquistados pelos trabalhadores em luta, além de convocar todos e todas à Greve Geral de Resistência Nacional. Finalizado o informe, passou-se ao debate.

Muitos estudantes se emocionaram com a situação; foi a primeira Assembleia Geral Estudantil do Campus, e tudo feito pelas mãos dos próprios estudantes! Uma estudante do sétimo período de Pedagogia declarou que poderiam parecer ser poucas pessoas ali, mas que representavam muito, e que eram a mudança. Um estudante do terceiro período de Pedagogia, vindo da África, afirmou que no país dele havia guerra, mas ao menos não atacavam a educação, como faziam no Brasil. E finalizou, dizendo que iria fazer de tudo para defender o curso de Pedagogia. Os estudantes de Administração participaram, unindo-se à luta em defesa do curso de Pedagogia, e concretizaram a palavra de ordem “Juntos, venceremos!”. Num espírito de combatividade, as palavras de ordem “se você paga, não deveria, educação, não é mercadoria!”, “onde há opressão, há resistência”, foram puxadas.

A Assembleia encaminhou a criação da Comissão Pró Diretório Acadêmico, passo muito importante, visto que o DA do Campus está irregular, que além de servir como construidora do DA, serviria como comando de luta dos estudantes. Além disso, a união com os outros campus da UEG, para ida ao Palácio da Esmeralda em Goiânia, e manifestar pela defesa da universidade. Mobilizar as escolas estaduais e municipais em defesa das universidades públicas; fazer uma grande manifestação no centro de Luziânia; a criação da comissão de mobilização para ida ao 39º ENEPe. Por último, a realização de uma Audiência Pública no campus com o intuito de denunciar a situação da UEG – Campus Luziânia, e dar mais visibilidade ao mesmo!

A Assembleia terminou de forma vitoriosa, e os estudantes iniciaram imediatamente os preparativos para a Audiência Pública, demostrando espírito permanente de mobilização, e de que não iriam deixar a situação esfriar!

Audiência Pública vitoriosa realizada pelos estudantes!

A audiência pública foi realizada no dia 23, uma semana depois da Assembleia Geral Estudantil. Os estudantes da UEG fizeram panfletagens nas escolas estaduais: Colégio Estadual Prof Antônio Valdir Roriz, Colégio Estadual Alceu de Araújo Roriz, e Colégio Estadual Dona Torinha, (colégios históricos da cidade) além de terem convidado a Secretaria de Educação e Subsecretaria de Educação. Foram distribuídos mais de 200 panfletos nas escolas, além de outros 200 na própria UEG, que contou com ampla participação e apoio dos professores e servidores para produção da Audiência.

A audiência contou com a presença de mais de 250 pessoas, além de apoiadores do Instituto Federal de Goiás (IFG) – Câmpus Luziânia, e da UEG – Polo Valparaíso de Goiás. Vereadores, deputados federais e estaduais estiveram na mesa. Os estudantes não deixaram se intimidar: cobraram os políticos! Várias situações do câmpus foram denunciadas:

1) A inexistência de transporte público e gratuito para os estudantes, sendo que a prefeitura providencia o mesmo para estudantes de uma universidade privada localizada no município;

2) A falta de iluminação adequada para o campus, sendo que o mesmo é localizado em um lugar isolado da área urbana, e portanto há mais propensão a assaltos e roubos, como já aconteceu várias vezes;

3) Segurança insuficiente para o campus, contando com apenas um vigilante há noite, e com poucas rondas da polícia militar pela região, causando maior insegurança na comunidade universitária.

Os estudantes não se deixaram enganar com as promessas feitas pelos vereadores e deputados! Muitos políticos falaram no passe livre estudantil: como o passe livre resolveria a situação se existia apenas um ônibus do transporte público municipal que vai para a zona rural, onde a UEG se encontra próxima? Os estudantes não arredaram o pé: é transporte público e gratuito, dado pela prefeitura! Se todos os vereadores e deputados se comprometeram a defender a educação pública e gratuita, por que forneciam mais investimentos para a faculdade privada que para a UEG?

Nenhum dos dois prefeitos (Valparaíso de Goiás e Luziânia) compareceram a audiência, demostrando que têm preocupações maiores que a educação pública e gratuita. Mas os estudantes não se importaram: iriam fazer a luta, custe o que custar, e iriam cobrar os vereadores. Ao contrário do que alguns políticos quiseram fazer crer, quem realizou a Audiência Pública, de fato foram os estudantes, e portanto estes tinham o apoio daqueles, e não o contrário. Os estudantes não se deixaram enganar quando alguns vereadores agradeceram “o apoio” dos mesmos; deixaram claro que quem estava apoiando eram os políticos, e quem de fato mobilizou dias inteiros para a Audiência foram os estudantes!

A Audiência demonstrou que o movimento estudantil organizado e independente pode fazer grandiosas ações! Os estudantes gritavam a plenos pulmões no auditório as palavras de ordem, levantaram os cartazes, e quando falaram em fazer manifestação, todos apoiaram, e gritaram que iriam participar! Os estudantes estão prontos para irem para a rua no dia 30, mobilizar o povo contra as medidas anti-povo e contrarreformas, e a defenderem a educação pública e gratuita!

Demonstrou também, que na universidade, a força principal são os estudantes, pois que estes correram atrás de exatamente tudo para que a Audiência se realizasse, desde a produção de panfletos, passagem em salas, e passagem em escolas, além de divulgação nas redes sociais. Tudo feito por aqueles que mais se interessam pela transformação da sociedade, dentro da universidade, pela democracia e autonomia da universidade: os estudantes!

ABAIXO O FECHAMENTO DO CURSO DE PEDAGOGIA DE LUZIÂNIA!

QUEREMOS TRANSPORTE, ILUMINAÇÃO, SEGURANÇA E NOVOS CURSOS!

CRESCE POR TODO O BRASIL, O NOVO MOVIMENTO COMBATIVO ESTUDANTIL!

ABAIXO O FECHAMENTO DE 57 CURSOS E 15 CAMPUS!

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