Norte de Minas: Camponeses, professores e estudantes fazem protesto pela Greve Geral em Januária

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Fotos: Comitê de Apoio ao Jornal A Nova Democracia - Norte de Minas

Na madrugada do dia 14/06, duas faixas foram afixadas no cume das maiores árvores no trevo entre Januária e São Francisco, no Norte de Minas. Uma faixa de 10 metros anunciava: Greve Geral de Resistência Nacional, e a outra disparava: Nem Bolsonaro, nem Mourão, nem congresso de corruptos! Fora Forças Armadas reacionárias!

Este trevo fica localizado próximo à entrada da Área Revolucionária Cleomar Rodrigues. Tudo indicava que os camponeses, acossados pela criminosa “reforma da Previdência”, pelas declarações de guerra contra a luta pela terra e demais políticas antipovo do governo latifundista de Bolsonaro (tutelado pelo Alto Comando das Forças Armadas) se somariam, nos sertões de Minas, aos protestos que sacudiam centenas de cidades por todo o país.

Passadas poucas horas, as bandeiras vermelhas da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Sul da Bahia se somaram ao protesto convocado pelo Sindicato dos professores da rede estadual (Sindute), junto a estudantes e professores do Instituto Federal do Norte de Minas (IFNMG).

Em duas colunas, camponeses, professores e estudantes erguiam faixas e cartazes. À frente do protesto, uma grande faixa com as consignas: Nem Bolsonaro, nem Mourão, nem congresso de corruptos! Fora Forças Armadas reacionárias! marcava a união dos camponeses dos sertões de Minas com os grandes embates travados pelos trabalhadores e a juventude combatente por todo o país.

Palavras de ordem como A nossa luta unificou: é estudante, camponês e professor!, Viva a luta dos professores! e É terra, é terra, para quem nela trabalha! Viva agora e já, a Revolução Agrária! eram ouvidas e aplaudidas pelos trabalhadores na rodoviária, mercado municipal e pelas ruas do centro da cidade às margens do rio São Francisco. Os manifestantes também exaltavam o exemplo de luta do dirigente da LCP assassinado pelos latifundiários da região em 2014, gritando: Companheiro Cleomar! Presente na Luta!

As bandeiras do USA e do Estado sionista de Israel foram queimadas durante o protesto, enquanto os manifestantes gritavam: Fora ianques da América Latina! Muitas pessoas que passavam pelo local aplaudiam e tiravam fotos.

Em entrevista ao Comitê de Apoio ao AND, um trabalhador rural, de 53 anos, que passava pelo local afirmou:

— O povo tem que se unir mesmo, ir para as ruas, não podemos aceitar esta situação. O governo quer acabar com nossa aposentadoria, como uma pessoa feito eu vou aposentar aos 70 anos? Já estou cheio de problemas de saúde, trabalho desde criança, já estava contando os dias para minha aposentadoria para ter um pouco de sossego — concluiu.

Centenas de panfletos eram distribuídos e, no carro de som, os discursos denunciavam como a “reforma da Previdência”, a legalização do armamento dos grupos paramilitares dos latifundiários e medidas como o corte de verbas na educação compõe uma mesma política entreguista a serviço dos banqueiros e do imperialismo, parte do golpe de Estado militar preventivo ao inevitável levantamento das massas.

Uma representante da LCP enfatizou: “Nós camponeses, que trabalhamos debaixo deste sol escaldante para sustentar nossas famílias e fornecer alimento para os trabalhadores da cidade, não aceitaremos que este governo de militares, puxa-saco dos banqueiros, tirem nossos direitos que conquistamos com décadas de luta. Muito sangue já correu para conquistarmos esses direitos e nossas terras! Não temos medo deste velho Estado podre, desses políticos e Congresso de corruptos e seus juízes comprados! É como diz nossa canção: ‘o risco que corre o pau, corre o machado’. Um novo Brasil, uma Nova Democracia, onde os camponeses, operários, professores, estudantes, pequenos e médios proprietários e comerciantes do campo e da cidade terão todos os seus direitos garantidos por meio de uma Grande Revolução Democrática já está em curso! Vamos construir um Brasil Novo, uma nova e verdadeira democracia! E esta Revolução já se iniciou com a Revolução Agrária, vamos tomar todas as terras do latifúndio! Custe o que custar, o povo unido e organizado vai triunfar!”.

No encerramento do protesto, uma diretora do sindicato dos professores em Januária afirmou ao AND:

Foi muito importante para nós organizar este protesto junto com os companheiros da Liga. Não conhecíamos os companheiros pessoalmente, nos conhecemos aqui na luta. É isso mesmo, agora é hora do povo se unir, estamos todos no mesmo barco e temos de resistir juntos!

Ver também: Greve Geral de 14 de junho mobiliza camponeses do Norte de Minas

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