GO: Ambulantes são impedidos de trabalhar em Goiânia

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Ruas da região da 44 vazias após a saída dos ambulantes. Foto: Reprodução

Há tempos, os prefeitos de Goiânia, como Paulo Garcia e de Íris Rezende, têm criminalizado e reprimido os ambulantes que buscam conquistar de forma honesta seu sustento, principalmente da região da rua 44, maior referência da cidade para compras de roupas. Buscando fortalecer o lobby de shoppings na região, os fiscais da prefeitura e a Guarda Civil Metropolitana realizam diversas abordagens criminosas contra os ambulantes, confiscando os produtos que não têm a licença da prefeitura. Entretanto, a realidade é que os trabalhadores que foram atrás da suposta licença nunca tiveram sequer acesso à informação de como consegui-la, além de terem pago taxas para protocolar pedidos que nunca foram respondidos.

A prefeitura tem estabelecido decretos e orientado a Guarda Civil Metropolitana para não mais deixar os ambulantes trabalharem em paz. Vale ressaltar que os vendedores também já foram expulsos dos terminais de ônibus pela Polícia Militar a mando do então governador Marconi Perillo - política continuada por Ronaldo Caiado. Os ambulantes realizaram manifestações contra a repressão, como foi noticiado pelo AND.

Como era o comércio na região da Rua 44. Foto: Reprodução

Uma equipe de brigadistas esteve, no dia 7 de julho, na mesma rua 44 e se deparou com uma situação chocante. Já não havia mais nenhuma banquinha de ambulantes. Os poucos que restaram tinham que vender apenas o que conseguiam carregar à mão e de baixo do sol o dia todo. A região perdeu toda a sua típica movimentação e concentração de pessoas em busca de roupas mais baratas. 

Em entrevista, um ambulante que preferiu não se identificar afirmou:

— Eles [agentes da Guarda Civil Metropolitana] não querem saber de nada, já chegam descendo a porrada em todo mundo.

Outro ambulante, que também não quis se identificar, também denunciou

— Mandam a gente pegar uma licença, mas muitos já foram atrás, já protocolaram pedidos e até mesmo pagaram taxas, mas ninguém aqui nunca viu a tal da licença. Eles levam todas as nossas coisas e já vi muitos colocando dentro dos bolsos. Estão é roubando a gente.

Comércio na região da Rua 44 já começava antes do sol nascer. Foto: Reprodução

Atualmente, a rua 44 representa a mais importante alternativa para o povo da capital goiana, que busca consumir produtos mais baratos frente às contrarreformas e arrochos que vêm sofrendo. Íris Rezende, ao perceber a demanda crescente na região, que já tinha comércio intenso, decidiu por se aliar aos shoppings e criminalizar estes trabalhadores, que mantinham preços acessíveis para a população às custas de sua própria miséria para escapar do desemprego. 

Depois que os camelôs foram expulsos, os consumidores relataram que houve aumento nos preços das roupas oferecidas pelas lojas nos shoppings. Um consumidor local, que preferiu não se identificar, relatou:

— Os preços estão cada vez mais altos. Agora que os ambulantes não estão aqui para oferecer produtos a um preço justo, os shoppings enfiam a faca sem dó.

Outra consumidora relatou:

— Era bom quando eles estavam aqui. Tratavam a gente bem e tinha muitas opções de compra.

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