MS: Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas relembra os 3 anos do Massacre de Caarapó

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Fotos: Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas

Reproduzimos na íntegra a nota enviada pelo Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas sobre o evento que ocorreu no mês passado no Mato Grosso do Sul em memória dos três anos do Massacre de Caarapó e da morte do guerreiro Clodiodi.


3 ANOS DO MASSACRE DE CAARAPÓ: NÃO ESQUECEREMOS, NEM PERDOAREMOS!

No dia 14 de Julho de 2016, os latifundiários da região de Caarapó com mais de cem caminhonetes e armas de grosso calibre atacaram covardemente o tekohá Kunumi Poty Verá atirando nos homens mulheres, homens e crianças indígenas que lá estavam. O resultado foi a morte do agente de saúde Clodiodi de Souza e mais de 13 pessoas feridas, entre elas jovens e crianças, e das quais algumas permanecem com as balas alojadas no corpo até hoje.

Desde aquele dia, a repressão e criminalização dos povos indígenas e de sua luta só aumentou. Ameaças, perseguições e todo tipo de agressões é o que os indígenas da área tem que enfrentar cotidianamente, lembrando da prisão e criminalização em 2018 de Ambrósio Alcebiades, um senhor indígena de 80 anos. No final de 2018 ocorre mais um episódio dessa tramanha: Leonardo de Souza, pai de Clodiodi foi preso e condenado acusado falsamente em mais uma tentativa de criminalizar a luta e suas lideranças. Uma nota lançada esse ano pela comunidade da aldeia Te’yi Kue por ocasião dos 3 anos do massacre demonstra a brutalidade com que esse Estado agiu “Na ocasião, a Força Nacional invadiu a aldeia Te’yi Kue, agrediu os familiares de Leonardo fisicamente e usando spray de pimenta e gás lacrimogênio, além de matar um cachorro e revirar a casa”. Leonardo está hoje encarcerado na penitenciária de Dourados, sem acesso a medicamentos e visita de seus familiares. Além disso, os latifundiários condenados pela justiça pelo ataque foram libertos e hoje seguem soltos. Isso é mais uma demonstração da falsa democracia em que vivemos: O ESTADO MATA O FILHO E PRENDE O PAI! Além disso, solta os assassinos!

Longe de serem silenciados diante de mais esse crime cometido pelo latifúndio em conluio com as forças do Estado, a luta dos povos indígenas só aumentou, resultando em mais quatro retomadas na região desde essa data. Como foi dito depois da ocasião do massacre: CLODIODI TOMBOU, MUITOS SE LEVANTARAM!

Desde 2017, o Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas junto às comunidades recuperam a memória de luta de Kunumi Poty Verá e do massacre.

Assim, no dia 08 de Junho desse ano, o povo Guarani e Kaiowá se reuniu no tekoha Kunumi Poty Verá em Caarapó (MS), para relembrar a memória de Clodiodi de Souza e do massacre. Na ocasião, lideranças em ato diante do túmulo de Clodiodi relataram fatos do dia do massacre e reafirmaram o caminho e disposição pela luta e que as retomadas não cessarão, independente das intimidações dos latifundiários.

Também foi organizado em conjunto com RECC (Rede Estudantil Classista Combativa), UE-AP (União Estudantil Alvorada do Povo), FAE (Frente Autônoma Estudantil) e estudantes da LEDUC (Licenciatura em Educação no Campo) e outros cursos um grande evento na Universidade Federal da Grande Dourados no dia 13 de Junho para relembrar o ocorrido a três anos e denunciar os crimes do latifúndio.

A atividade começou de forma combativa com um ato-passeata que percorreu os blocos da universidade fazendo ecoar pelos corredores palavras de ordem como “Clodiodi Vive! Leonardo livre!”, “Morte ao Latifúndio!” defendendo a luta dos povos indígenas e chamando todos os presentes a compor a atividade. A atividade contou com a participação massiva dos estudantes da LEDUC, curso que além de estudantes camponeses possuí muitos estudantes indígenas de todo o estado. Os alunos da LEDUC demostraram para a comunidade acadêmica também que estão dispostos a lutar pela manutenção do seu curso, que pelo sucateamento e corte de verbas corre o risco de fechar. Além disso, esteve presente no ato professores e estudantes que estavam denunciando os cortes na educação e a “reforma” da previdência.

A atividade se encerrou com a apresentação de um mini-documentário sobre o dia do massacre seguido de um debate. As falas combativas de pessoas que inclusive estiveram presentes no dia do massacre, fizeram não só emocionar os presentes, mas também acender mais ainda a disposição da luta.

Nos 3 anos que marcam o Massacre de Caarapó, diante do avanço da repressão a luta no campo promovida pelo governo militar de Bolsonaro, que declara guerra aos povos indígenas e avança na criminalização de sua luta, tais eventos são a prova de que esta continua firme e não cessará, contando cada vez mais com o apoio de estudantes, professores, trabalhadores e demais democratas que a apoiam e se solidarizam, sabendo da sua justeza.

CLODIODI TOMBOU, MUITOS SE LEVANTARAM!

CLODIODI VIVE! LEONARDO LIVRE!

AVANÇAR AS RETOMADAS, DESTRUIR O LATIFÚNDIO!

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