PR: Em defesa da saúde, indígenas ocupam a Sesai em Curitiba

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Fotos: Comitê de Apoio ao Jornal A Nova Democracia - Curitiba

Cerca de 100 indígenas ocupam o prédio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em Curitiba, contra os ataques aos seus direitos na área da saúde. Além daqueles vindos das aldeias de todo o estado do Paraná, há presença de aldeias dos demais estados do Sul, além de São Paulo e Rio de Janeiro.

A principal reivindicação é a contratação definitiva de veículos e motoristas que fazem o transporte de pacientes, agentes de saúde e agentes sanitários das aldeias para os centros de saúde. Hoje o serviço é terceirizado e está estabelecido mediante contrato emergencial que se encerra no dia 30 de julho e não há, até o momento, previsão de nova licitação. Segundo o Cacique Vera Popygua, da Aldeia Tenondé Porã, em São Paulo, a falta do serviço coloca em risco a saúde da população indígena:

“Vai gerar muita morte de criança porque a gente tem aldeias com mais de 150 quilômetros para levar uma criança que fica doente, gestantes e os mais velhos que precisam de um tratamento. Então isso vai ser um impacto muito grande na nossa comunidade.”

De acordo com Eugênio, da Aldeia Ivi Porã, município de Terra Roxa-PR, em algumas aldeias do interior do Paraná a disponibilidade de veículos e de atendimento em saúde já é insuficiente, trazendo muitos problemas para a saúde infantil, agravada pelas difíceis condições de vida.

Além da ocupação, que já entra na terceira semana, a falta de uma resolução para o problema tem gerado diversas ações em outras localidades. Como noticiou recentemente o AND, houve trancamento com queima de pneus da BR-277, na região metropolitana de Curitiba, gerando mais de 10 km de congestionamento em ambos os sentidos da rodovia, atividade coordenada com bloqueio de mais quatro pontos no interior do Paraná.

Ataques a saúde indígena não são de hoje

A precarização do atendimento em saúde dos povos indígenas vem sendo um dos principais ataques do governo de Bolsonaro e dos generais, por meio do reacionário ministro Luiz Henrique Mandetta, que desde o início do ano vem ameaçando extinguir a Sesai e passar a responsabilidade da saúde indígena aos municípios.

Por conta disso, em março também houve ocupação da Sesai em Curitiba, como parte das manifestações nacionais contra a municipalização da saúde indígena. Frente a dezenas de atos radicalizados em todo o país, o ministro retrocedeu afirmando que manteria a estrutura por seu caráter simbólico e importância para os povos originários. Porém, a não renovação dos contratos de transporte revela o desinteresse em assegurar o funcionamento da instituição. “A gente não quer só o prédio, só o nome Sesai, a gente quer a estrutura que garanta, que atenda as necessidade de saúde para nós, os indígenas, uma saúde diferenciada”, completou Vera Popygua.

O cacique ainda faz o chamamento aos apoiadores da luta indígena a unir-se contra o gerenciamento de Bolsonaro e dos militares: “só ataque, a gente recebe um ataque atrás do outro […] a gente está muito preocupado, e vem nos atacando não só dentro do governo Bolsonaro e dos generais, mas esse é o pior, a gente precisa de apoio”.

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