39º ENEPe combativo reúne 600 estudantes em Guarulhos

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Abertura do 39° Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe). Fotos: Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia

Está ocorrendo, desde o dia 22 de julho, o 39° Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe), reunindo cerca de 600 estudantes de pedagogia e outros cursos, movimentos populares e trabalhadores de todo o país. O encontro ocorre na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), unificando os estudantes na combatividade e nas exigências por autonomia universitária, liberdade de cátedra e co-governo estudantil. 

O evento conta com estudantes de 24 estados. Na primeira atividade do dia, de saudação às delegações, os jovens se mostravam determinados e altivos. Fizeram falas contundentes, entoando palavras de ordem e compartilharam com os outros estudantes o esforço e a dificuldade com que foram conquistadas suas idas ao encontro.

Todos enfatizaram a autossustentação, com a qual arrecadaram o valor da viagem até o encontro por meio da realização de bazares, venda de doces e comidas, além da ajuda de professores e tantas outras formas combativas de arrecadação. No final de cada fala, os estudantes denunciaram perseguições e sabotagens que sofreram e enfrentaram por se manterem firmes em uma linha independente. O entusiasmo era patente no rosto de cada estudante.

Saudações das delegações presentes no 39º ENEPe

Nas falas, denunciou-se veementemente a prisão injusta de três jovens nas manifestações da greve geral, no dia 14 de junho, em São Paulo. Secundaristas do Norte de Minas também rechaçaram as ações criminosas do velho Estado e de seus agentes da reação, a mando do latifúndio, na cidade de Miravânia, onde camponeses foram desapropriados e suas casas e plantações, devastadas.

O ENEPe traça um histórico longo e importante de luta no movimento estudantil, pois foi o primeiro curso a romper com a União Nacional dos Estudantes, em 2004, demarcando, a partir daí, um caminho honesto e combativo. Por isso, em cada estudante se expressava vontade e determinação em palavras de ordem como A ExNEPe é pra lutar! O imobilismo não vai nos segurar!

Ainda no dia 22 ocorreu a primeira mesa, sobre “As jornadas de Junho de 2013 e o Novo Ciclo de Luta de Classes no Brasil”. Nela intervieram o ativista e perseguido político em 2014, Igor Mendes; uma dirigente da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), e o professor da Universidade de São Paulo (USP) e filósofo, Vladimir Safatle. Todos, concentrados e atentos, vibraram com as falas e estremeceram o auditório lotado de estudantes.

Organizações populares, estudantis e de mulheres marcam presença no Encontro

Igor Mendes, em sua intervenção, colocou as jornadas daquele ano como um ponto de ruptura entre os que representam a velha democracia e o caminho oportunista, “aqueles condenados a perder”, aqueles a quem só resta lamentar-se; e os que trilham o caminho da luta combativa e revolucionária, por uma Nova Democracia, “os condenados a triunfar”. 

O ativista comparou ainda a juventude presente com “os republicanos radicais que lutavam na era da monarquia, esses que eram chamados de ‘loucos’”, que tinham decisão de transformar aquela podridão em algo novo e enfrentavam a prisão e a morte, mas que venceram e triunfaram. E acrescentou: “Hoje, a monarquia não é nem digna de raiva, damos risada dela por ser um sistema tão ridículo”.

O professor Vladimir Safatle, que estava em um Congresso na Alemanha e fez uma intervenção via internet, na qual expôs o ataque às universidades e aos cursos de ciências humanas pelo governo do fascista Bolsonaro – tutelado pelo Alto Comando das Forças Armadas. E declarou: “A Universidade perdeu seu lugar pois deixou de ser um problema”, referindo-se aos anos de gerenciamento do oportunismo e do imobilismo nas universidades brasileiras, que teriam virado “guetos de luxo” onde, assim como na Idade Média, os intelectuais não escreviam na sua língua natal (à época latim, hoje, em inglês ou francês), pois não se importavam em produzir conhecimento inacessível ao povo da sua própria nação.

A representante da LCP foi recebida com muito entusiasmo e respeito, aplaudida contundentemente quando, com fala altiva, demarcou que as lutas populares de 2013 defendiam a terra para o camponês, uma educação de qualidade e uma saúde pública eficiente, dentre outros direitos pisoteados. Foi acompanhada pelas massas de estudantes, que entoaram: É terra, é terra, a quem nela trabalha, e viva agora e já a Revolução Agrária! É morte, é morte ao latifundiário, e viva o poder camponês e operário! 

Igor Mendes fala na mesa sobre "As jornadas de Junho de 2013 e o Novo Ciclo de Luta de Classes no Brasil"

Colocou, também, que os jovens combatentes naquela jornada não tinham uma reivindicação, mas milhares, sobretudo a reivindicação política: um novo regime político. A dirigente camponesa mencionou ainda a concentração de terras sob o governo oportunista do PT, as ameaças que o reacionário e lambe bota do imperialismo ianque Bolsonaro faz aos camponeses e as perspectivas para a luta pela terra no país.

O evento, que vai até o dia 26, é pautado na coletividade. A Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) dirige o encontro, porém todas as pessoas presentes atuam para o pleno funcionamento, na limpeza do campus, na organização das atividades e das refeições, por meio de comissões. 

Ao romper com o imobilismo e se propor a coordenar, de forma independente e combativa, um plano de lutas consequente para o movimento estudantil, 39º ENEPe produz um verdadeiro salto de qualidade, expresso na firme e resoluta organização dos estudantes, que decidiram trilhar o nobre caminho da luta revolucionária, não apenas da pedagogia, mas de todos os cursos.

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