'Se o presidente da OAB quiser saber como o pai desapareceu no período militar, eu conto', diz o fascista Bolsonaro

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Na manhã de 29 de julho, o presidente Jair Bolsonaro declarou, em tom de provocação, que contaria para o presidente da Ordem do Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, como o pai do jurista desapareceu durante o regime militar fascista (1964-1985). "Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade", disse o fascista.

O presidente deu essa declaração ao comentar o desfecho do processo judicial que considerou Adélio Bispo inimputável, ou seja, isento de pena devido a doença mental, o que o levará para um manicômio e não a um presídio. Adélio foi o homem que deu a facada em Bolsonaro durante sua campanha eleitoral.

Após questionar a atuação da OAB no caso e falar que contaria como o pai de Felipe Santa Cruz desapareceu, o provocador Bolsonaro ainda disse: "Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco, e veio desaparecer no Rio de Janeiro".

O pai de Felipe Santa Cruz foi Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, um dos brasileiros patriotas que pegaram em armas e verteram seu sangue na luta contra o regime militar financiado e orquestrado pelo USA após o golpe de 1964. Nascido em Olinda (PE) em 1949, ele integrou as fileiras da Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e foi dado como desaparecido em 23 de março de 1974. 

Após o seu assassinato, Fernando Santa Cruz se tornou um símbolo da resistência ao regime militar nos movimentos populares, em especial no movimento estudantil, onde atuava. 

Antes disso, ainda em 1967, Fernando Santa Cruz já havia sido preso por participar de uma manifestação no Recife contra o acordo MEC-Usaid, uma imposição do imperialismo ianque ao ensino brasileiro. Após sair da prisão, ele foi um dos principais articuladores do movimento estudantil em Pernambuco.

Repúdio às declarações de Bolsonaro

As frases ditas pelo fascista causaram amplo rechaço na sociedade e foram alvos de notas de repúdio de diversas organizações democráticas.

Dentre as personalidades que se posicionaram em repúdio, a diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, afirmou: "É terrível que o filho de um desaparecido pelo Regime Militar tenha que ouvir do presidente do Brasil, que deveria ser o defensor máximo do respeito e da justiça no país, declarações tão duras".

"Desprezível, é o mínimo que se pode dizer de mais um ataque do presidente da República", apontou o Sindicato dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro.

"O desaparecimento, tortura e morte de inúmeros brasileiros no período da ditadura militar são atos da maior gravidade. Foram repelidos nacional e internacionalmente, constituindo uma das páginas mais vergonhosas da nossa história", afirmou o Instituto dos Advogados Brasileiros.

Prossegue a briga pela hegemonia no governo

Enquanto vocifera absurdos para insuflar a crise política no Brasil, Bolsonaro prossegue em sua obstinação de hegemonizar o golpe contrarrevolucionário que está em marcha no país. No Editorial da nova edição impressa de AND, nº 225 (2ª quinzena de julho e 1ª de agosto de 2019) afirmamos:

"A tutela do governo pelo Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) tem confrontado resistência da extrema-direita. O grupo de Bolsonaro aposta no caos e utiliza-se dos acontecimentos que agravam a desmoralização das carcomidas instituições para agitar sua base nas tropas e na opinião pública reacionária, visando pressionar um setor do ACFA a tomar parte em seu plano ante o crescimento de sua influência nas tropas. O seu plano é conformar maior opinião pública possível com a retórica de 'salvação da pátria'. Na verdade, Bolsonaro só é um obstinado na ideia de que é necessário substituir o atual sistema político por um regime corporativo, como único meio de salvar o sistema de exploração e opressão ameaçado de colapso. Tudo para favorecer ainda mais os latifundiários e grandes burgueses locais e se rastejando mais ainda para o imperialismo ianque". E prosseguimos:

"Para a extrema-direita não há solução possível que não seja a imposição de um regime militar. Para a direita no ACFA, tal saída ainda não se faz necessária, é perigosa, cria instabilidade e amplia o campo de resistência. Tal impasse e luta entre as duas bandas reacionárias é insolúvel e só cessará quando uma subjugar a outra."

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