Garimpeiros invadem terra indígena e matam liderança no Amapá

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Cerca de 50 garimpeiros fortemente armados invadiram a aldeia indígena Wajãpi, na região de Pedra Branca do Amapari, a 200 km de Macapá, e assassinaram o cacique Emyra Wajãpi, de 68 anos. Esse é o mais recente episódio do continuado genocídio dos povos indígenas no Brasil.

O caso veio à tona depois que lideranças indígenas denunciaram às autoridades públicas a invasão dos garimpeiros ocorrida no dia 23 de julho. Por pressão da opinião pública democrática, os governos federal e estadual foram obrigados a enviar equipes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Militar do Amapá para a região. Apesar da Fundação Nacional do Índio (Funai) não querer confirmar os detalhes da morte do cacique, os indígenas informaram que Eyra Wajãpi foi esfaqueado na mata quando voltava para aldeia.

A PF e o fascista Bolsonaro, em declarações nada surpreendentes, afirmaram que “não há fortes indícios” de que o cacique tenha sido assassinado, e que não foram encontrados “sinais de invasão” de garimpeiros. Basta recordar que durante a campanha, Bolsonaro foi um ávido defensor da mineração e dos garimpos em terras indígenas.

Apesar do silêncio oficial, um documento interno da Funai publicado pelo jornal Folha de São Paulo, no dia 28 de julho, aponta que a fundação sabia que os garimpeiros estariam portando arma de grosso calibre, e que teriam feito incursões para intimidar os índios da região. 

De acordo com os relatos dos indígenas, além de assassinarem brutalmente o cacique Eyra Wajãpi, que teve o corpo jogado num rio próximo à aldeia, os garimpeiros invadiram e se instalaram na aldeia Marirí. “Nós não queremos mais a morte das nossas lideranças indígenas”, disse um dos indígenas no vídeo enviado para o jornal El País. Os indígenas relatam ainda que garimpeiros estão invadindo aldeias durante a noite e agredindo mulheres e crianças. Também estão realizando disparos com armas de fogo para intimidar as comunidades locais.  

O território Waijãpi fica próximo à divisa com o Pará e é lar de 1,3 mil indígenas dessa etnia. Ele abrange uma área de 6 mil km quadrados ricos em ouro, o que a torna um objeto de cobiça de garimpeiros e mineradoras. Mas somente os indígenas possuem autorização para explorar o ouro de forma artesanal. 

Não há como negar que os ataques sofridos pelos povos indígenas pelo país estão sendo estimulados pela postura criminosa para com os direitos indígenas tomada pelo governo de Bolsonaro e dos generais, e pelos marginais do agronegócio. O discurso belicista, preconceituoso, o projeto de legalização dos garimpos e as fortes críticas às demarcações de terras ancestrais desses povos são um estímulo à barbárie.

Por outro lado, o fenômeno dos garimpos ilegais, cujos exploradores são em grande parte camponeses sem terra largados à própria sorte, é resultado da grande concentração de terras nas mãos do latifúndio (agronegócio). A procura do "enriquecimento rápido" parte das massas são jogadas contra os indígenas, enquanto os verdadeiros responsáveis (latifúndio e os seus governos lacaios) passam impunes.

Cacique Emyra Wajãpi. Foto: Reprodução

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