Com 600 estudantes, conclui-se o vitorioso 39º ENEPe em Guarulhos!

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Fotos: Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe)

Após cinco dias de intensos debates, chegou-se ao fim o 39º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe), sediado em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. Mais de 600 estudantes, tanto de pedagogia quanto de diversos outros cursos, além de trabalhadores, jovens e intelectuais honestos se reuniram para discutir a defesa da Universidade pública, gratuita e democrática. Na próxima edição impressa de AND traremos uma grande reportagem sobre o evento.

O Encontro ocorreu em meio aos diversos ataques perpetrados pelo governo reacionário de Bolsonaro e dos generais contra a autonomia e a democracia nas universidades brasileiras. Para responder a esse turbulento e fértil momento político do país, os estudantes deliberaram um Plano de Lutas a ser seguido pelo movimento estudantil para o segundo semestre de 2019.

Ao longo da semana, foram promovidas diversas mesas com palestras e discussões políticas, tangendo assuntos que dizem respeito à pedagogia, mas também a qualquer pessoa interessada em uma educação pública de qualidade. Com a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) dirigindo o evento, mas com auxílio de todos os presentes, demonstrou-se o notável nível de organização dos estudantes, que fizeram com que o Encontro funcionasse do início ao fim sem adversidades, por meio de comissões designadas para a limpeza, alimentação e logística com ampla participação. 

ENEPe vai além de um movimento da pedagogia

Mais do que discutir os ataques à educação que têm sido lançados (como o projeto privatista “Future-se” e a escolha de reitores por meio da lista tríplice, desrespeitando as consultas populares das universidades), o ENEPe se propôs a apresentar propostas concretas para a educação brasileira. Por defender os princípios da autonomia universitária, do co-governo estudantil e das cátedras livres de forma aguerrida, o Encontro possui um alcance muito maior do que apenas estudantes da própria pedagogia. Sobre isso, o recém eleito presidente da ExNEPe afirmou ao AND, em entrevista:

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— O ENEPe, de modo geral, é representante da pedagogia, mas abarca estudantes de todo o Brasil. Nós recebemos gente tanto de pedagogia, quanto de física, matemática, história, psicologia; tinha gente de vários cursos aqui. Isso é fruto da luta que tem sido desenvolvida e do papel destacado que a Executiva Nacional tem tomado contra o oportunismo no movimento estudantil, contra o oportunismo, por exemplo, da União Nacional dos Estudantes (UNE), que só usa o movimento estudantil como palanque eleitoral. A ExNEPe tem se colocado na linha de frente da luta pela universidade pública e gratuita; da democracia, da autonomia nas universidades, junto a quem concorda com a ideia de impulsionar a Greve Geral de Resistência Nacional e a luta classista e combativa — afirmou.

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A professora Marilsa de Souza, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), afirmou ao AND que o ENEPe “é de grande importância devido a luta combativa que os estudantes de pedagogia vem travando nos últimos anos. Além de romper com o oportunismo dentro do movimento estudantil, organizaram um legítimo e importante movimento dentro da Pedagogia, que fez dela uma grande referência para os estudantes de demais cursos. Com certeza a ExNEPe tem sido a vanguarda do movimento estudantil na defesa da Universidade pública, gratuita e de qualidade e em defesa da autonomia universitária”.

No último dia do encontro, os estudantes organizaram um Plano de Lutas, que definiu as diretrizes do movimento estudantil. Entre elas, constava a defesa incansável da autonomia universitária e da democracia no ambiente educacional, e a luta contra qualquer forma de intervenção, seja pelo governo federal, ao selecionar um reitor ou um pró-reitor arbitrariamente; seja por forças da repressão, como policiais federais, militares ou espiões invadindo e infiltrando-se nas universidades. 

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Além disso, deliberou-se que o movimento estudantil tem a responsabilidade de impulsionar a Greve Geral de Resistência Nacional por todo o país, junto aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros, bem como de efetuar greves de ocupação em suas universidades e nas escolas como forma única de pôr em prática o co-governo estudantil. Sob os gritos de Derrubar os muros da Universidade! Servir ao povo no campo e na cidade!, os estudantes aprovaram o documento. Em seguida, foram promulgadas, também, diversas moções em solidariedade às lutas do povo, como aos presos políticos no Brasil e em outros países, aos camponeses do Norte de Minas que tiveram suas casas arrasadas pelo latifúndio e pela polícia em Miravânia e contra a nomeação de uma espiã da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). 

— Tiramos um vitorioso Plano de Lutas que, só pela animação dos companheiros, já sabemos que será vitorioso. Sem dúvida, no próximo semestre, haverão várias greves de ocupação no Brasil inteiro, generalizadas, e com a Executiva Nacional à cabeça dessas greves. Isso tudo que estamos propondo agora é para não privatizar as universidades, é para barrar os ataques e as intervenções tanto do governo federal, como da intervenção direta dos militares para impedir a liberdade de organização e manifestação dos estudantes e de cercear qualquer liberdade democrática, direito duramente conquistado ao longo do século passado — concluiu o presidente da Executiva.

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