Grupo de rap Ameaça Vermelha lança vídeo com a poesia 'Matarás', de Mazdaki / Gushek

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O grupo de rap Ameaça Vermelha lançou, no último dia 30 de julho, novo vídeo com a poesia 'Matarás', Mazdaki / Gushek. Compartilhamos a obra com nossos leitores e leitoras.

Assista o vídeo

Descrição do vídeo

"Matarás" - Poema de Mazdaki / Gushek
Em um trabalho audio/visual produzido por Ameaça Vermelha.

Ficha Técnica:
Texto: Poema Matarás - Mazdaki / Gushek
Trilha Sonora: Whitesand - Eternity (Epic Beautiful Dramatic Emotional Instrumental) / Canal Whitesand
Audio/visual: Ameaça Vermelha

Matarás

Ó! Quantos são os flagelos!
Mãos laboriosas em carne crua;
costas fustigadas,
queimadas do sol ardente
e da vida drenada!
Feridas abertas;
podres chagas ensanguentadas,
que, palpitantes,
sangram agonia
— ora, pela gangrena da pobreza;
ora, pela assassina perfídia de homens da Lei,
que não servem, senão,
a Lei duns poucos homens! —

Ó! Quanto é o desespero!
Famintas legiões mortivivas;
legiões de homens e mulheres,
que, pelo mero perpetuar de sua prole,
atendem ao menor estalo de dedos
dos capitães de negócios,
barões do trabalho,
e dos coronéis da terra e da guerra,
senhores dos víveres!
Estalam sob as sandálias de suas crianças,
as poças d’água suja,
espurca e fedorenta;
cortam os seus rostos, precoces rugas
— e testemunham, os seus olhos,
o sangue derramado
de seus amigos e irmãos;
sangue enxaguado das calçadas com mangueiras d’água,
como se sujeira fosse;
sangue que borbulha, espumante,
em seu trajeto a canais de esgoto quaisquer! —

Ó! Quantas são as armas!
Muitas são, as de nossos inimigos!
Ó, quantas!
E todas apontadas contra nós!
O ferro frio, que reluz e ressoa!
A escravidão por dívida!
As correntes opressivas do salário!
O mortal titubeio entre a dívida e a carestia!
Quantas — e quais? — são nossas armas?
Quê temos,
além de uns aos outros?
Quê temos,
que não a força de nossos braços, corações e espíritos?
Quê temos de temer?
A morte?
Por quê nos assusta, se é certa?
Quê temos de esperar,
para tomar em mãos as nossas armas?
Até quando guardaremos o Quinto Mandamento?
Em nome da História e da liberdade,
devo exortar: Matarás! ,
A compaixão é uma doença sofrida por cães domesticados!
Erguei-vos!
Unamo-nos!
Façamo-nos unos
— sejamos mortais e imortais,
bravos conquistadores de nossas esperanças,
embebendo-as em sangue,
qual as Hordas Douradas! — 
Lutemos até o último homem e a última mulher!
Não ocupemo-nos, pois,
de morrer por nossa justa causa,
mas de matar por ela
 — é isto o que importa! — ;
empenhemos nossas faculdades
espirituais, emocionais,
físicas e morais
na forja de nossos corpos e espíritos
em imbatíveis, irrefreáveis,
industriais máquinas de matar!
Jamais cogitar morrer pela causa,
mas matar até o último inimigo do povo!
Dos nossos irmãos,
nesta árdua luta,
muitos hão de perecer,
mas brindarão, as páginas da História,
ao seu glorioso martírio,
escrevendo, em reluzente tinta de ouro,
os seus nomes,
os nomes daqueles que,
em prol do futuro,
sacrificaram-se
no altar da revolução,
consagrado à morte dum nefando passado

 — a morte dum cinzento inverno,
que traz um novo fulgor de sol trás os montes;
a morte de grandes e robustas árvores,
de cuja seiva se fará raiz
dum radiante e luminoso futuro! —

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