MS: Juventude combatente rechaça a militarização da ciência brasileira

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Resposta da juventude combatente frente à militarização das ciências na SBPC: faixa é pendurada próxima a UFMS. Foto: Comitê de Apoio AND do MS

Com a notícia de que uma agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), continuadora do reacionário Serviço Nacional de Informações (SNI) da ditadura militar-fascista de 1964, havia sido nomeada pelo Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, para assessora na reitoria na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), realizou-se o 71º Encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Durante uma semana, reuniram-se cientistas de diversos campos de estudos para a discussão dos caminhos da ciência no país.

Não deixa de ser sintomático que, com as ameaças de cortes de água e luz na UFMS por falta de pagamento, o governo Bolsonaro, tutelado pelo Alto Comando das Forças Armadas (ACFA), prepara a repressão em todas as áreas para a inevitável revolta popular. A sabotagem da educação pública e gratuita é parte da planificação do golpe contrarrevolucionário e preventivo na tentativa de impedir o levante geral que se avizinha e abortar o perigo de revolução no Brasil. Eles sabem que as organizações estudantis foram parte ativa e importante no acirramento da luta de classes, como ocorreu em 2013, tendo esse processo sido levado adiante com a prisão de estudantes e professores.

O conhecido reacionário reitor Marcelo Augusto Santos Turine se alia abertamente com o governo federal, em especial com as forças repressivas deste velho Estado, tentando fazer da reitoria da UFMS uma correia de transmissão da repressão. Transforma, sem máscara alguma, a educação brasileira em questão militar. Apenas consegue relembrar que militarizar as Universidades é uma velha e já conhecida prática do regime fascista de 1964, durante o qual reitores colaboraram com a entrega de informação de seus estudantes e professores para os carrascos assassinos eliminarem os revolucionários que lutaram contra o regime fascista implantado no país. Com o processo de reacionarização do velho Estado e a ultramilitarização de suas forças repressivas, aprofundadas pelos ataques do governo de Bolsonaro e dos generais, o caminho que se traça no Brasil é de perseguição aberta aos movimentos populares combativos.

Este cerco da repressão dá um passo adiante em sua ofensiva com a militarização das Universidades brasileiras. A perseguição constante, que jamais cessou de existir, avança a passos largos na tentativa de amedrontar os elementos mais avançados da luta popular. O show de horrores reacionário apresentado na UFMS durante a reunião da SBPC mostrou que o próprio Exército financiou e ajudou a construir este encontro. 

Na abertura do evento, o atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, não compareceu, já que, com apenas sete meses de "trabalho", estava aproveitando suas férias com seu super-salário ministerial. Em seu lugar e o representando, Weintraub enviou seu lambe-botas, o secretário de Educação Superior (Sesu), Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, que, antes de iniciar seu discurso, foi vaiado em uníssono, mostrando a insatisfação popular com a destruição da já limitada educação pública no país - processo que já estava em marcha com Prouni e o Reuni nos governos petistas e que agora será aprofundado pelo governo Bolsonaro e dos generais.

Com centenas de atividades em sua programação, e num processo que aprofunda a semicolonialidade do Brasil frente à superpotência hegemônica única, que é o USA, a ciência brasileira apresentou palestras, durante as quais o general Waldemar Barroso Magno Neto (da Financiadora de Estudos e Projetos) ocupou um dos auditórios do Encontro. A presença de militares fardados, sem nenhum pudor de desfilar com suas vestes verde-oliva, foi constante para tentar criar a ilusão de que as Forças Armadas  reacionárias no Brasil estão a serviço do povo brasileiro. Com o slogan “Exército Brasileiro, braço forte, mão amiga”, eles tentaram mascarar o entreguismo acerca da base de Alcântara. Fizeram, ainda, questão de anunciar aos quatro ventos da SBPC, com seus stands e tanques, amostras da tecnologia que está sendo desenvolvida contra o povo brasileiro. Se orgulhavam do papel de capachos e lambe-botas do imperialismo de Trump. 

A militarização da ciência brasileira: com tanques de guerra foi realizado o 71º Encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Foto: Comitê de Apoio ao AND - MS

A militarização e ultrarreacionarização é chancelada pelo reitor da UFMS e promovida pelo governo Bolsonaro, tutelado pelo ACFA. Foto: Comitê de Apoio ao AND - MS

Também marcou presença e realizou uma Conferência o astronauta Marcos Pontes, tenente-coronel da Força Aérea Brasileira e atual ministro da Ciência e Tecnologia, conhecido por ter sido o primeiro astronauta brasileiro a participar de uma missão espacial, em voo a bordo de uma espaçonave russa. Ele é filiado ao Partido Social Liberal (PSL), cuja base de votação tem relativo contingente de pessoas que acreditam que a terra é plana. 

Com a cabeça na lua, o ultrarreacionário reitor da UFMS Marcelo Turine e sua vice-reitora Camila Ítavo posam ao lado do ministro da Ciência e Tecnologia, sem saber como pagarão as contas da UFMS. Seus capachos abrem o sorriso. Foto: Reprodução / Redes Sociais

Com uma burocracia que impedia livros e jornais críticos de serem vendidos, a organização do evento exigia os títulos dos livros que seriam disponibilizados, para que uma comissão avaliasse se cada um dos títulos era de interesse da organização. Somente assim era liberada uma mesa e espaço para utilização. O principal stand com livros no evento mostrava qual era o título de livros que a organização liberou: livros do guru do atual presidente, Olavo de Carvalho, inimigo declarado da ciência e da Universidade.

A movimentação do Exército reacionário no espaço de realização da SBPC ocorreu durante todo o período deste evento, com soldados tirando fotos de tudo aquilo que pudesse ser contrário a suas posições ideológicas.

Isso aconteceu tanto em palestras realizadas por cientistas de posições ideológicas um pouco mais avançadas, quanto em outros locais onde pudessem considerar uma ameaça às posições explícitas ou implícitas das Forças Armadas.

Sem conseguir autorização oficial e sem aceitar o embarreiramento institucional, o Comitê de Apoio ao AND e outras forças não se intimidaram e organizaram suas brigadas de vendas. Militares do Exército, equipados com suas câmeras, na tentativa de intimidação, sorrateiramente tiraram fotos de uma professora vendendo livros marxistas. O Comitê de Apoio conversou com a professora, que nos disse: “Tiraram fotos para me intimidar. Eles são os verdadeiros inimigos da educação”.

Sem cair na intimidação reacionária, apoiadores do AND denunciaram o terrorismo de Estado levado a cabo pelo atual golpe contrarrevolucionário e preventivo. Foto: Comitê de Apoio ao AND - MS

Em todos os lugares em que a reação lança suas garras, a ação combativa de classe marca presença. Estudantes combativos organizaram um ato de rechaço ao atual governo. Na manhã do dia 24 de julho, já era possível ver a reluzente bandeira vermelha no pontilhão que corta a avenida Ernesto Geisel, em frente à UFMS, batizada com o nome de um carrasco da ditadura militar-fascista. Nela, era possível ler: Defender a educação pública e gratuita com unhas e dentes!


Às 6h da manhã, era possível ver a reluzente faixa vermelha da indignação no viaduto em frente a UFMS. Foto: Comitê de Apoio ao AND - MS 

Na noite deste mesmo dia, uma manifestação deu o tom do que o governo Bolsonaro e dos generais terá que enfrentar. Sob os gritos e palavras de ordem de Tortura, assassinato, não acabou 64, a juventude deu seu combativo recado às forças repressivas. Em uma entrevista com um destes membros da juventude, ele disse que “jamais esquecemos os estudantes combativos que tombaram lutando contra eles [milicos do regime militar-fascista]. Edson Luís, Jana Moroni e Idalísio Aranha. Todos eles estão aqui, jamais esquecidos e [estão] presentes na luta! Até que caiam todos esses [governos das classes dominantes reacionárias]”.

Mais de 200 pessoas compareceram à marcha, gritando palavras de ordem que conclamavam a população à Greve Geral de Resistência Nacional, denunciavam a entrega da Nação brasileira e anunciavam a aliança estudantil com os trabalhadores. Os estudantes marcharam por dentro da instituição e fecharam com luta a principal avenida de acesso à Universidade, finalizando a marcha com a atividade Cultural “2° Slam da Concha” realizado na concha acústica. Lá, os presentes puderam assistir a apresentações de poesias faladas e outras intervenções artísticas.

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