RO: Camponeses são ameaçados de despejo e morte em Rondônia

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Camponeses do assentamento Flor do Amazonas estão sobre ameaça judicial de despejo após decisão da justiça estadual de Rondônia. O mandado de reintegração foi entregue pelo oficial no dia 17 de julho, com a informação de que a decisão deveria ser cumprida até 24 de julho. O assentamento fica no município de Candeias do Jamari.

Na área que possui 104 lotes, nos quais vivem cerca de 80 famílias, o momento é de tensão, não só pela ameaça de despejo, mas também por uma carta anônima que os camponeses receberam com ameaças de morte. A carta relata a existência de dois pistoleiros, contratados por um consórcio de grileiros, com ordens para matar as lideranças do acampamento.

Segundo os acampados, as ameaças foram denunciadas à polícia resultando na apreensão de armas e pessoas num flutuante indicado pela carta. Ainda nas proximidades do acampamento, um camponês local foi ameaçado diretamente com uma arma na cabeça.

A violência parece motivada pelo interesse na área de Assentamento do Flor do Amazonas por um poderoso grupo de plantio de soja, que recentemente se instalou na região de Candeias do Jamari e já está provocando graves problemas a outros posseiros e assentados da região do Rio Preto, também dentro da área pública do PA Flor do Amazonas.

Toda esta situação foi denunciada para o Ministério Público Federal, e foi solicitada, também, intervenção da Defensoria Agrária e do Conselho Estadual de Direitos Humanos, assim como da Comissão de Agricultura da ALE, em defesa do Acampamento.

O grupo protocolou ainda, um pedido para que se reúna a Mesa de Negociação de Conflitos do Governo do Estado, presidida pela Casa Civil, para prevenir e evitar mais conflitos. A Mesa foi criada pelo governo de Rondônia em abril de 2017, mas até agora não se reuniu no atual gerenciamento. “Se algo pior acontecer será responsabilidade do governador, coronel Marcos Rocha”, denunciaram alguns dos presentes numa reunião que debateu a situação.

Histórico de VIOLÊNCIA CONTRA CAMPONESES na região

Os camponeses já sofreram vários ataques de pistoleiros, prisões irregulares e duas reintegrações de posse. A violência dos latifundiários chegou a ceifar a vida de um dos dirigentes do acampamento.

Em 2016, um grupo armado atacou os camponeses, homens e mulheres, que iam pescar no Rio Candeias. O tiroteio ocorreu na manhã de 15 de outubro no Ramal Taboca, Igarapé Taboca, Km 114, nas proximidades do Acampamento Boa Sorte.

No ano seguinte, em julho de 2017, constantes ameaças vinham sendo relatadas contra os assentados, em uma das quais homens encapuzados dirigindo uma caminhonete chegaram à disparar tiros de espingarda calibre 12 e de pistolas calibre 38.

Já em novembro de 2017 as famílias trabalhadoras foram atacadas com um segundo despejo, sendo obrigadas a ficar alojadas por dez dias num ginásio de Candeias. Como se não bastasse o criminoso despejo, enquanto montavam um novo acampamento nas proximidades, num local autorizado pelo proprietário, as famílias foram surpreendidas pela perseguição, primeiramente da Polícia Ambiental e em seguida da Polícia Militar. Nesta ocasião, os policiais encarceraram dez trabalhadores e agrediram covardemente outros com cassetetes e balas de borracha, resultando no ferimento de diversas pessoas.

Ainda no final deste mesmo ano (2017), no mês de dezembro, pistoleiros armados assassinaram uma das lideranças do Acampamento Boa Sorte, Hugo Rabelo Leite, e feriram diversos camponeses. O homicídio nunca foi apurado.

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