Saúde Indígena: Protesto e ocupação trazem vitórias

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Após 21 dias de ocupação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) em Brasília e em escritórios do órgão em vários estados, por centenas de índios, a gerência fascista de Jair Bolsonaro e Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) cedeu. As maiores exigências das tribos foram atendidas, através da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), principalmente o transporte de emergência para índios(as) doentes.   

Os indígenas rebelados pertencem ao distrito sanitário Litoral Sul, que abrange a faixa praiana dos estados do RS, SC, PR, SP e RJ, com 23 mil pessoas de 11 etnias diferentes, entre elas Guarani, Kaingang, Tupi, Krenak e Pataxó. A partir de agora o Ministério da Saúde tem prazo de 150 dias para que sejam licitados os serviços de transporte terrestre, aéreo e alimentação para a SESAI e seus 34 distritos nos estados.  

Outra exigência que os indígenas apresentaram, e que foi acatada no TAC, é a divulgação trimestral no site da Sesai, do relatório que demonstre a efetiva aplicação os recursos públicos destinados às ações de atenção integral à saúde indígena e educação em saúde.

As lideranças presentes na ocupação em Brasília afirmaram que, sob o comando de Bolsonaro, “a Sesai sofreu um verdadeiro desmonte” e que por isso as tribos decidiram lutar.

CELEBRANDO OS GUERREIROS

Eunice Kerexu, líder guarani do Morro dos Cavalos, aldeia próxima a Florianópolis (SC), participou da ocupação em Brasília (enquanto outros membros da aldeia faziam o mesmo na representação da Sesai na capital catarinense) e fez um breve relato ao AND.

“Depois que começou este governo foi a primeira vez que nós, do povo Guarani, nos unimos e nos juntamos, forte mesmo, para fazer as nossas reivindicações da área da saúde. E deu certo. Valeu a pena todo o sacrifício de tantos dias.

Em nossa reunião no Ministério, a Sesai prometeu destinar 3 carros com 6 motoristas para atender o transporte de urgência dos doentes das aldeias do litoral de SC. A gente imagina que será 1 para o sul, outro para o norte e outro para a Grande Florianópolis. Hoje em dia o atendimento é péssimo, nunca tem carro quando a gente precisa.

Eles prometeram também conseguir uma sala para criar um novo espaço para o Polo-Base Litoral Sul do povo guarani.

É muito provável também a instalação de um posto de saúde no Morro dos Cavalos, com recursos para manutenção e funcionários . Na parte de saneamento básico, sanitaristas e outras demandas, as lideranças ficaram de voltar às aldeias e fazer os projetos completos, para apresentar em breve.

Foi marcado ainda, para outubro, em Curitiba, um encontro de conselheiros indígenas da SESAI de SC com outros setores, para discutir a gestão do Polo-Base dos guaranis de Florianópolis,de Interior Sul para Litoral Sul (alterando portanto uma disfunção atual).

Estas, então, são algumas notícias que trouxemos ao nosso povo.

Sem esquecer que nossa presença em Brasília, acampados na Esplanada, no Ministério, também parece que ajudou na decisão do STF, que devolveu as demarcações dos territórios para a Funai, no Ministério da Justiça. Tirando das mãos dos fazendeiros, dos ruralistas do Ministério da Agricultura, como o governo Bolsonaro queria.

Então estamos felizes, estamos comemorando essas vitórias. Se é como se diz que o silêncio e o canto são grandes armas para o Guarani, vamos dar um  'Aguyjevete'* a todos os que lutaram!!!! Um viva aos guerreiros!!!”

Nota

*'Aguyjevete' é uma expressão guarani que expressa gratidão. Porém, no sentido dado por Kerexu, se trata de um agradecimento que envolve alegria, festejo, celebração, algo notável por ser o povo guarani muito discreto/silencioso.

Indígenas em protesto pela não extinção da Sesai. Foto: Leandro Guedes      

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