Nota de pesar pelo falecimento do companheiro Tonhão

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Reproduzimos na íntegra a nota publicada na página Liga Operária em pesar pelo falecimento do companheiro Antônio Justino, o Tonhão.


É com muito pesar que recebemos a notícia de que o nosso grande professor, lutador, defensor de um sindicalismo classista e de uma sociedade mais justa e igualitária, o companheiro Tonhão, nos deixou.

Pudemos acompanhar a sua militância na luta. Mesmo com certas divergências, sempre tivemos o maior apreço por sua persistência e o seu estilo de vida simples e trabalho duro na defesa de seus ideais. Tonhão foi Formado em letras pela USP, secretário da Educação de Diadema (ABC paulista) em 1983 e vice-prefeito da cidade, eleito na chapa de José Augusto. Considerado por seus ex-alunos da escola General José Artigas, em Diadema, como o melhor professor que tiveram.

Mostrou firmeza e determinação ao não tergiversar em ficar do lado das famílias que haviam sofrido com um despejo a mando do prefeito e liderou a ocupação do gabinete do prefeito Augusto (hoje deputado estadual pelo PPS) oito meses depois de empossado como vice.

Em uma reunião nacional do PT, Tonhão e centenas de companheiros de diversas correntes foram expulsos do partido por discordarem do caminho que o PT estava tomando e partiram para formar uma Frente que agregasse o máximo de lutadores do povo, unidos pelo princípio na defesa da luta pela emancipação do nosso povo. Renunciou seguir como vice-prefeito de Diadema e passou a defender o voto nulo, por não crer nesse parlamento podre e corrupto.

A Frente se conformou em várias partes do país, tendo a participação de militantes de várias correntes políticas e organizações independentes, o que serviu de base para os oportunistas usarem o espaço para fins eleitoreiros, traindo a “Carta de Princípios” e, com isso, implodindo a sua organização. Porém, o período que existiu, a Frente teve um papel importante para agregar lutadores do povo.

Em 2000 peitou o governador Mário Covas e seus seguranças que tentaram intimidar os professores que estavam acampados em frente da Secretaria Estadual de Educação na Praça da República e, por isso, pagou com sua demissão, ficando 15 anos sem salários. Mesmo assim continuou firme na luta e sobrevivendo do seu trabalho. Para manter-se, vendia DVD’s nos atos da categoria e contava com a colaboração de muitos companheiros e companheiras, que o apoiaram até o fim. Mesmo passando por dificuldades financeiras, abriu mão de receber da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) um salário (o que não seria absurdo), já que foi um grande lutador da classe, reconhecido pela categoria dos professores. Fez isso, para não se prender nas algemas invisíveis do velho Estado e da estrutura burocrática do sindicalismo mafioso da APEOESP.

E é nessas batalhas de seu dia a dia que Tonhão mostrou-nos o seu valor e a sua retidão na defesa de sua posição política, mesmo sem salários e doente. Depois de anos de luta conseguiu se aposentar, aos 65 anos, com 30 anos de pó de giz em seu currículo. Recorreu à “justiça” desse velho e podre Estado burguês-latifundiário por anos, perdendo na instância em São Paulo e também no STF em Brasília. Após os veredictos, deixou claro, no Blog Prioridade Educação, que nos mostra a sua conduta e o seu compromisso com os militantes jovens:

“Recorri, sem ilusão, aos dois aparatos para mostrar aos companheiros(as), ainda inexperientes ou iniciantes na militância política, que o combate à burguesia não se dá via judiciário. É sobretudo nas ruas, nos locais de trabalho, de estudo, de moradia, pela base, construir algo sólido, com suor, algo para desarmar a burguesia de sua histórica tradição de seduzir e assediar como forma de perpetuar a dominação.”

Ao acompanhar os grandes levantes da juventude combatente que estremeceu os alicerces desse velho e podre Estado burguês-latifundiário, serviçal do imperialismo ianque, ele disse:

“Para nós, a estratégia só pode ser o socialismo, porém a tática e método de luta devem ter como espelho as ações materiais da juventude de junho de 2013 ou nas ocupações de escolas de 2015. Ou ocupações de fábricas, resposta ao desemprego, arrocho, inflação.”

Na greve da categoria de 2015, Tonhão subiu no carro de som do sindicato para denunciar com firmeza a traição da diretoria pelega da APEOESP. Mesmo cercado de pelegos e de bate-paus, não tergiversou, deixando a Bebel (presidente da APEOESP) boquiaberta.

Temos a certeza de que a luta defendida pelo companheiro Tonhão foi semeada por anos e brotará para dar frutos e forjar novos companheiros e companheiras, elevando seus feitos e o seu nome ao mais alto cume da luta do nosso povo, por uma nova sociedade, com uma nova política, uma nova cultura, nova economia, enfim: uma verdeira e nova democracia. Com orgulho e satisfação estivemos em algumas batalhas ao lado desse valoroso companheiro, que dedicou a maior parte de sua vida à sua militância, sem baixar a cabeça diante do inimigo. Transmitimos o nosso pesar aos seus familiares e companheiros(as) de luta. Como afirmou o presidente Mao em seu texto “Servir o Povo”, onde compara o peso da morte para os que lutam em defesa do povo:

“Embora a morte colha a todos igualmente, a morte duns tem mais peso que o monte Tai, enquanto que a de outros pesa menos que uma pena.”

Nós, da Liga Operária, nesse momento saudamos: Companheiro Tonhão, presente na luta!

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