AM: Protesto contra o corte de verbas no Inpa

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Foto: Reprodução

Na manhã do dia 4 de setembro, cerca de 500 trabalhadores e estudantes realizaram um ato na sede do Instituto Nacional de Pesquisas (Inpa) da Amazônia contra a precarização de um dos maiores centros de pesquisas do país. 

Mesmo diante de uma manifestação tranquila, os estudantes denunciaram que a direção do Inpa acionou viaturas da Polícia Militar (PM), inclusive permitindo sua entrada no Instituto. Os estudantes entoaram palavras de ordem contra a tentativa de intimidação por parte da direção: “Eu sou aluno, o Inpa é o meu lugar”.

Uma estudante de 22 anos, oriunda da região Sul do país, denunciou que, sem a bolsa, ela terá que abandonar sua pesquisa e retornar para sua cidade. “Não tenho como trabalhar e pesquisar”, afirmou, preferindo não se identificar.

Já o estudante do doutorado em Ecologia, André Gonçalves, denunciou que os cortes inviabilizam diversas pesquisas e, além disso, há muitos anos não são realizados concursos públicos, fato que acelera o sucateamento do Inpa. 

— As pesquisas são realizadas com transporte, viagens, manutenção de equipamentos e, principalmente, recursos humanos, que basicamente são os bolsistas. O número de servidores do Inpa, hoje, é pequeno, e a mão de obra está estagnada. Toda a ciência que é feita hoje aqui é por bolsistas de mestrado e doutorado. Isso é alarmante, porque as pessoas não conseguem perceber isso. Trabalhamos de 8 a 12 horas por dia, sem garantias ou benefícios, porque é a nossa vocação” — afirmou André.

A professora Sônia Alfaia afirmou que o ato foi um grito de alerta e que outros devem ocorrer brevemente para defender a ciência e tecnologia.

— A manifestação atendeu às nossas expectativas. Tivemos o apoio da sociedade. Isso foi um grito de alerta de que o Inpa é uma instituição pública, que gera conhecimento técnico e científico sobre a Amazônia, e capacita mestres e doutores de alto nível. O que pode se esperar de um país que não investe em pesquisa? Esses alunos investiram tempo e energia em pesquisas. Eles não podem parar agora — disse Sônia.

Ataques ao Inpa pelos governos reacionários

O Inpa vem sofrendo vários cortes ao longo dos últimos anos, assim como todas as universidade públicas do país. Relatórios do próprio governo apontam a intensidade dos cortes realizados. No ano de 2015, o orçamento total do Inpa foi de R$ 14,33 milhões, e em 2016 foi reduzido para R$ 13,30 milhões; no ano de 2017 houve um pequeno aumento para R$ 14,24 milhões, contudo, em 2018, o orçamento foi reduzido para R$ 8,55 milhões, mesmo com diversas pesquisas sendo prejudicadas. No atual ano, o governo realizou mais um corte reduzindo para R$ 8 milhões.

O Inpa foi uma das primeiras instituições de pesquisa e ensino a sofrer intervenção na sua direção: Antônia Franco foi nomeada como diretora ainda pelo governo Temer para dirigir a instituição até 2022. Entretanto, na votação realizada internamente, o professor Henrique dos Santos Pereira foi o mais votado com 55% dos votos. A diretora nomeada participou apenas do processo de seleção junto ao Comitê de Busca do Ministério de Ciência e Tecnologia, semelhante à comissão eleitoral.

Vários pesquisadores denunciaram a demora na escolha do diretor do Inpa, além de várias influências externas, dentre elas do Comando Militar da Amazônia do Exército. Conforme denunciou na época Sônia Alfaia, “não há comunicado oficial sobre os motivos da demora na nomeação. No entanto, extraoficialmente, existe a informação de que políticos e até mesmo o Comando Militar da Amazônia tentam intervir no processo, indicando o nome de uma candidata que não participou da consulta interna do Inpa”.

Na última semana o governo reacionário de Bolsonaro, tutelado Alto Comando das Forças Armadas (ACFA), anunciou também o cancelamento de 5.613 bolsas de pós-graduação ofertadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o que atinge diretamente os estudantes do mestrado e doutorado em todos os institutos de pesquisas do país.

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