Pentágono disponibiliza bilhões de dólares para construir o muro de Trump

A- A A+

O Secretário de Defesa do Estado imperialista ianque, Mark T. Esper aprovou, no dia 3 de setembro, o desvio de 3,6 bilhões de dólares para pagar a construção de 280 quilômetros de barreira na fronteira Sul com o México. O dinheiro será desviado de mais de 127 projetos militares, planejados pelo Pentágono, tanto no país como no estrangeiro.

Para conseguir isso, Esper contou com uma parte obscura do código ianque, conhecida como Seção 2808, que permite que o secretário de Defesa, durante emergências nacionais, exija o uso das Forças Armadas e utilize fundos de construção militar sem, necessariamente, receber a aprovação do Congresso para tais projetos. 

“Esses projetos impedirão a entrada ilegal, aumentarão o tempo de expulsão das pessoas que atravessam a fronteira ilegalmente e canalizarão os migrantes para os portos de entrada”, escreveu Esper no documento. “Eles reduzirão a demanda por pessoal e bens [do Departamento de Defesa] nos locais onde as barreiras são construídas e permitirão a redistribuição de pessoal e bens para outras áreas de alto tráfego na fronteira, sem barreiras”, afirmou.

A decisão para saber qual das instituições ianques arcaria com os custos do projeto chauvinista de Trump gerou distúrbios no Estado imperialista. O Congresso ianque, sendo contra a retirada de dinheiro de seus próprios fundos para a construção do muro, mesmo agora após a decisão do Pentágono, terá de cobrir os custos desviados dos 127 projetos militares para que seu funcionamento não pare completamente.

A conta para a construção do muro chegou ao Pentágono depois que Trump declarou estado de emergência nacional em meados de fevereiro, não tendo conseguido persuadir o Congresso a fornecer mais dinheiro para o projeto. A disputa levou à maior paralisação do governo dos USA* na história, durando 35 dias no final de 2018 e início de 2019. 

A administração de Trump também usou de uma “lei antidrogas” separada para ter acesso a 2,5 bilhões de dólares para a construção do muro, a partir do orçamento do Pentágono. Ele também recebeu 601 milhões de dólares de fundos do Departamento do Tesouro para a construção, apesar de, durante a campanha, Trump dizer diversas vezes que o México pagaria por seu projeto de muro na fronteira.

Os 3,6 bilhões de dólares pagarão para substituir barreiras ou cercas existentes e construir novos sistemas de cercas, e os 11 projetos militares previstos ao longo da barreira se encontram em terras de propriedade militar, terras de propriedade do governo e terras privadas. Toda a terra deve primeiro ser transferida para o Exército do USA antes que a construção possa começar.

De acordo com o portal revolucionário Incendiary News, a tentativa de transformar a fronteira USA-México em uma zona de guerra antecede o governo de turno de Trump: “Nos anos após o presidente Ronald Reagan tornar ilegal a contratação de imigrantes indocumentados em 1986, ao assinar a Lei de Reforma e Controle de Imigração, a Patrulha de Fronteira começou a construir cercas de fronteira modernas, normalmente feitas de aço ou concreto e com altura de 3 a 6 metros. Em 2000, aproximadamente 100 quilômetros de cercas haviam sido erguidas, principalmente em áreas urbanas, e em 2006 o Congresso aprovou a Lei da Cerca Segura, que determinava outros 1,2 mil km de cerca ao longo da fronteira USA-México. Durante o primeiro mandato do presidente Barack Obama, a quilometragem de cercas nas fronteiras dobrou”, denuncia o portal.

A construção de muros não acabará com a ‘crise migratória’

O Informe ao V Encontro de Partidos e Organizações Marxista-Leninista-Maoistas da América Latina - no documento Sobre a Situação Internacional e as Tarefas do MCI, publicado em maio de 2016 e assinado por vários partidos maoistas do continente - afirma que a “onda migratória”, causada pela guerra imperialista e a exploração e opressão das semicolônias, são “uma necessidade dos monopólios nos próprios países imperialistas, que requerem baixar os custos de produção baixando os níveis de salário”. No entanto, prosseguem, “ao mesmo tempo propalam, através dos meios de comunicação, o perigo do ‘terrorismo’ e promovem a histeria chauvinista, alentando o racismo e o nacionalismo”. 

Os maoistas dizem que o motivo da promoção dessa política reacionária é “dividir a classe entre trabalhadores nativos e trabalhadores imigrantes para conjurar a ação unificada classista do proletariado, para que este não se organize como classe única, com interesses únicos e ideologia, política e partido comunista”.

Como já foi dito em AND nº 185, o assassinato sistemático e contínuo de membros das massas mais pobres por parte das forças repressivas do Estado ianque é parte da guerra contra o proletariado e o povo estadunidense, particularmente contra a população negra e imigrantes do Terceiro Mundo.

No entanto, refugiados e imigrantes, provenientes especialmente das nações agredidas pelas guerras de rapina promovidas pelo imperialismo, quando submetidos a mais profunda exploração nas entranhas das potências imperialistas se rebelam, agitam a luta de classes nesses países e frequentemente promovem atos de guerra contra todo o quadro de opressão, como ataques a bomba – chamados de “atentados” pelo monopólio de imprensa. É o que se denomina de “a guerra imperialista regressa a casa”.


Nota:

*As “paralisações no governo do USA” ocorrem quando há uma falha no acordo sobre os fundos de financiamento do governo para o próximo ano fiscal ou uma medida temporária de financiamento.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja