Ocupação indiana persegue e tortura manifestantes na Caxemira

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Mais de três mil pessoas foram presas no último mês de agosto na Caxemira, segundo fontes policiais da agência do monopólio de imprensa Associated Press, após a revogação da “autonomia” da região frente ao velho Estado expansionista indiano. As sessões de tortura de caxemires por forças indianas também cresceram exponencialmente.  

Segundo o jornal Al Jazeera, os ataques aos manifestantes geralmente são realizados durante a noite e de madrugada, quando eles são capturados em suas casas. As dezenas de relatos recolhidos revelam a realidade das longas sessões de tortura, em que são utilizados espancamentos com pedaços de paus, choque elétricos, queimaduras e ameaças com armas.

Em uma entrevista anônima à Al Jazeera, um homem narra sobre quando foi detido e torturado por dias: “Continuaram me perguntando por que eu participei de uma marcha de protesto. Eu continuava dizendo a eles que não [havia participado], mas eles não pararam. Depois que desmaiei, eles usaram choques elétricos para me reviver”.

No dia 4 de setembro, um jovem de 16 anos, Asrar Khan, morreu devido a um ferimento na cabeça, onde foi atingido por um projétil de gás lacrimogêneo e tiros de pellets disparado pelas forças de ocupação, segundo testemunhas oculares e os próprios registros médicos, durante um protesto contra a ocupação no dia 6 de agosto, em Srinagar. Horas depois do anúncio de sua morte, militares indianos impuseram um cerco ao redor do bairro onde vivia Asrar, e fez com que a família o enterrasse no cemitério do bairro, em vez do cemitério tradicional religioso da família, no centro da cidade. “Depois de matarem nosso menino, eles nem nos deixaram lamentar direito. Que tipo de democracia é essa?”, afirmou Irfan, primo do jovem assassinado.

No entanto, as lideranças populares da região alegam que não é possível manter um cálculo preciso das torturas por causa do apagão nas telecomunicações e do medo generalizado, ao que as denúncias têm sido difíceis de serem coletadas.

Um fator que tem agravado a situação é o uso draconiano da Lei de Poderes Especiais das Forças Armadas (PSA), promulgada em 1978, que permite a detenção preventiva de qualquer pessoa, mesmo sem nenhum crime reconhecido.

Ferimentos em um jovem caxemire, que denuncia tortura praticada pelas forças da ocupação indiana. Foto: Akash Bisht/Al Jazeera

Foto: BBC

Protestos pela autodeterminação

Os casos têm se dado no contexto da suspensão da limitada “autonomia” da Caxemira e o subsequente bloqueio da região, que ocorre desde o início de agosto. Apesar das prisões políticas não serem um fenômeno novo no cotidiano da Caxemira, a suspensão das telecomunicações e a proibição à coleta de notícias, no apagão lançado pelo governo do fascista Narendra Modi, à cabeça do velho Estado indiano, têm dificultado e invisibilizado as denúncias.

A campanha de terror e medo depreendida pelas forças da ocupação tem trabalhado para combater e conter a rebelião na Caxemira, mas apesar da impunidade concedida aos agentes da repressão e das prisões e torturas como forma de disseminar o pânico, os protestos se mantém diariamente, principalmente na capital sazonal de Srinagar. 

Foto: Dar Yasin / AP

Foto: Muhammad Sajjad/AP

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