RJ: Moradores do Chapadão protestam contra operações de guerra da PM

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Kauê Ribeiro dos Santos (à direita), de 12 anos, assassinado durante operação da PM. Foto: Reprodução

Moradores do Complexo do Chapadão, zona norte do Rio de Janeiro, realizaram, no dia 10 de setembro, uma importante manifestação em repúdio ao ataques promovidos pelo 41° Batalhão da Polícia Militar (PM) contra a população. Em especial, a manifestação rechaçou o assassinato de Kauê Ribeiro dos Santos, de 12 anos, além de torturas e estupros em moradores promovidos por PMs na região.

O ato foi marcado por denúncias feitas pelos moradores, que passaram de casa em casa convocando a todos para se unirem ao ato, que fechou uma das principais vias de acesso à comunidade. Policiais do 41° Batalhão, fortemente armados, imediatamente se dirigiram à manifestação, com cerca de quatro viaturas, ameaçando enviar um “caveirão” para dentro da comunidade caso o ato não cessasse.

Manifestantes, principalmente mulheres, não obedeceram às ordens dos policiais e entoaram palavras de ordem: Não acabou! Tem que acabar! Eu quero o fim da Polícia Militar!, Witzel assassino!, Chega de chacina, polícia assassina! e outras, a que os policiais revidaram com empurrões e outras agressões. 

Uma moradora chegou a denunciar a truculência dos policiais para com os estudantes, principalmente as crianças. Segundo ela, toda semana a polícia chega com o “caveirão” às 7h da manhã na porta da escola para amedrontar a população. 

Cartazes e faixas com os dizeres Witzel assassino e terrorista! e Rebelar-se é justo! foram erguidos durante a manifestação, que contou com a presença de familiares de Kauê e de movimentos populares. 

O 41º Batalhão é popularmente conhecido pela extrema violência empregada contra moradores durante as operações de guerra na região. 

Mais uma criança morta na conta de Witzel

Kauê, cujo assassinato revoltou profundamente os moradores do Chapadão, foi atingido na cabeça por policiais do 41° Batalhão da PM, no dia 7 de setembro, durante uma operação supostamente destinada a combater o roubo de cargas na região. Kauê vendia balas por conta própria para ajudar na renda familiar, que vive em condições precárias, e tentou fugir do tiroteio. 

A polícia afirma que Kauê estaria envolvido com o descarregamento de um caminhão junto dos supostos assaltantes. Afirma, ainda, que prestou socorro aos feridos após o confronto. 

Testemunhas, no entanto, disseram que Kauê estava passando pelo local da operação após vender balas e que, após ter sido assassinado por volta de 20h por policiais militares, seu corpo foi jogado dentro do camburão junto dos outros quatro feridos. A família denuncia o descaso do velho Estado, já que o menino só deu entrada no Hospital Carlos Chagas, na Penha, às 10h da manhã de domingo, já sem vida. 

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