MA: PM invade residências e prende quatro ativistas na madrugada

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Comunidades ocupam Prefeitura de Arari, no Maranhão. Foto: Reprodução/Redes sociais

Na madrugada do dia 13 de setembro, quatro militantes do movimento Fóruns e Redes de Cidadania foram presos dentro de suas próprias casas, invadidas pela repressão da Polícia Militar (PM), no município de Arari (Maranhão). Os quatro se tratam de lideranças comunitárias, moradores da comunidade tradicional de Fleixeiras, onde lutam pela defesa do seu território, atualmente cercado e ameaçado por grileiros. 

Em nota oficial, o movimento Fóruns e Redes de Cidadania denuncia a perseguição contra os movimentos populares, acusando a conivência e o conluio do judiciário, do Ministério Público e do governo do estado maranhense, encabeçado por Flávio Dino (PCdoB), e sua PM vergonhosa, com o latifúndio e grileiros de terras da região.

O município de Arari integra a Área de Preservação Ambiental da Baixada Ocidental Maranhense, uma Zona de Proteção Internacional, porém se encontra tomado de grileiros ligados a grandes fazendeiros que ameaçam os territórios de comunidades tradicionais que lá vivem. Segundo relata o movimento, nada é feito pelo Estado para minguar a ação de grilagem, e as “autoridades” públicas trabalham “como verdadeiros capatazes do latifúndio destruidor, violento e criminoso”.

Comunidades unidas

Em sua página oficial em rede social, o movimento Fóruns e Redes de Cidadania informa que, no dia 2 de setembro, várias das comunidades de Arari ocuparam o prédio da Prefeitura, bradando palavras de ordem como Povo manda, governo obedece! e Povo unido e organizado luta e vence! 

A comunidade Fleixeiras se fez presente, como também as do Cedro, Taboa, Felix, Estiva, Ilhota I e II, Juncal I e II, Carmo, Comundá, Baiano, Beira do Campo, Paiol, Santo Antônio, Bonfim, Barreiros e do Curral da Igreja. Elas denunciaram a falta de políticas públicas onde vivem, com relação à saúde, educação, lazer, geração de emprego e renda e sobre o isolamento de suas comunidades, devido a falta e a má conservação das estradas vicinais, que as mantêm isoladas. 

Funcionários da prefeitura chamaram a PM e guardas municipais para retirar os manifestantes do edifício, porém eles conseguiram expressar suas reivindicações mesmo assim, com a assistência de seu assessor jurídico, o advogado Iriomar Teixeira. 

Na página oficial, Fóruns e Redes também anunciam que, no dia 16 de setembro, as diversas comunidades realizarão em Arari um julgamento público sobre as práticas abusivas e arbitrárias perpetradas pelas “autoridades” contra as populações tradicionais e suas lideranças políticas – “lavradores, pescadores, quebradeiras de coco, marisqueiras, vaqueiros” –, como forma de cimentar sua luta contra o latifúndio.

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