Mais protestos nas favelas! Moradores do Complexo do Alemão rebelam-se contra genocídio

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Foto: Raull Santiago

Nesta manhã, 21 de setembro, o Complexo do Alemão amanheceu em protesto contra os atos terroristas e perversos do governador Wilson Witzel e sua Polícia Militar (PM), que levaram à morte a criança Ágatha Félix, de apenas 8 anos, que foi alvejada nas costas, segundo moradores, por um policial militar, enquanto voltava para sua casa com a avó, numa kombi.

O ato fechou a estrada do Itararé, uma das principais vias de acesso ao Complexo do Alemão, e contou com a presença de 300 pessoas. Mototaxistas, familiares dos assassinados durante a semana em outras operações e movimento populares, como as Mães de Manguinhos, incorporaram ao ato em solidariedade à família de Ágatha Félix e de Wellens dos Santos (mototaxista brutalmente assassinado pela polícia na mesma semana). Manifestantes foram seguidos por viaturas ao longo de todo o protesto.

A assessoria da PM do Rio de Janeiro, numa tentativa de isentar-se de culpa, lançou uma nota dizendo que Ágatha foi morta no momento que supostos “traficantes” teriam atacado policiais da UPP. Os moradores desmentem os ataques e repudiam as mentiras e ataques contra o povo feitos pela PM, a mando de Witzel. 

O ato foi marcado pela denúncia dos moradores do Complexo aos ataques genocidas promovidos por Witzel, que acontecem diariamente, principalmente contra a juventude preta e favelada. Um morador chegou a denunciar: “Nós estamos indignados. Esse governo só entra aqui para poder matar. Não adianta investir em ‘caveirão’ se a educação está precária. Não adianta investir em helicóptero se a saúde está ruim. Eu repúdio a covardia da Secretaria da PM!”. 

Guerra contra o povo está declarada

A política de extermínio de Witzel deixou mais de 1.249 mortos, no estado do Rio, desde o início de seu mandato, em especial na capital carioca. A política de guerra promovida pela PM e pelos governos tem causado grandes chacinas nas favelas da cidade e atiçam a revolta popular, em repúdio a todos os assassinatos de inocentes que vêm acontecendo. O porta-voz da PM, o capacho Mauro Fliess, afirma que a corporação não irá recuar e que o governo do estado “está no caminho certo”. Afirma ainda que não há nenhum indicativo de que a polícia teria participado do covarde assassinato de Ágatha, versão desmentida por moradores.

Tal política genocida está em marcha há anos, em processo de escalada. De 1998 a 2018, a tendência de crescimento da “letalidade policial” é reveladora: em 1998, a letalidade era de 2,8 por 100 mil habitantes, enquanto que, em 2018, atingiu 9 por 100 mil habitantes. Se em 1998 morreram pelas mãos de policiais, oficialmente, 397 pessoas, em 2018 o número foi para 1.534 pessoas. E agora, com a política de extermínio de Witzel, o número de mortos, em menos de um ano de mandato, é quase o total de mortes ocorridas em 2018.

No atual governo, de Wilson Witzel, imediatamente posterior à intervenção militar no estado, a política, que antes movia-se camufladamente, tornou-se escancarada. Só em julho deste ano, morreram em intervenções policiais 194 pessoas. Em apenas um mês.

Segundo temos analisado em AND, As razões dessa guerra civil reacionária levada a cabo contra as massas é, dentre outras: 1) resultado do nível crescente de miséria e desemprego no estado, problema cuja única solução que o velho Estado e seus governos podem oferecer é mais repressão e assassinatos, uma vez que a economia nacional assenta-se em um capitalismo burocrático só passível de ser transformado via revolução.  E, 2) a reação planeja concentrar as regiões hoje controladas por grupos delinquentes e do tráfico varejista de drogas (antigamente apoiados pelos sucessivos governos) em grupos paramilitares, conhecidos vulgarmente como “milícias”.

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