CE: Comitê de Apoio ao AND realiza 2ª visita à Aldeia Tapeba em Caucaia

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Relato enviado por membros do Comitê de Apoio ao Jornal A Nova Democracia de Fortaleza, Ceará. Todas as fotos contidas no relato são do Comitê.


Enviamos este e-mail para repassarmos um relato e fotos de nossa 2ª visita à Aldeia Indígena dos Tapeba, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Além de fecharmos com as lideranças indígenas os detalhes sobre a homenagem ao companheiro Manoel Coelho Raposo em novembro, visitamos outros espaços que não conseguimos visitar na semana passada. Fechamos a data do evento de homenagem ao Raposo para o dia 10 de novembro, a ser realizado na Escola Indígena Narcísio Ferreira Matos, às 10h.

Nessa segunda visita, conversamos com a liderança indígena Lúcia Tapeba, que nos fez várias denúncias, que vão desde a construção inacabada de um posto de saúde que deveria ter sido entregue pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) até queimadas recentes que aconteceram em alguns pontos da Aldeia. Segundo a liderança indígena, os bombeiros que atenderam ao chamado dos índios Tapeba para apagarem o fogo que atingiu várias partes do roçado, disseram que, provavelmente, esses focos de incêndio possuem origem criminosa, para além do clima da região nesta época do ano, entre outros fatores causadores de incêndios. É possível ver o resultado das consequências do fogo em algumas fotos que ilustram esse relato.

A combativa e aguerrida liderança passou horas conversando sobre a luta dos povos indígenas, particularmente do povo Tapeba. Além disso, nos contou a relação que tinha com o histórico militante comunista Manoel Coelho Raposo. Assim como Adelson Tapeba, Lúcia falou sobre a determinação e apoio sem restrições à luta dos heroicos povos indígenas por parte do companheiro Raposo, que, mesmo estando muito doente, comparecia às reuniões da Aldeia.

A CENTRALIDADE DA LUTA PELA TERRA

Um ponto muito forte de nossa entrevista com Lúcia Tapeba foi o momento em que ela falou da importância da luta pela terra e da produção coletiva como eixos principais para os povos indígenas. "Educação e saúde são importantes, mas a terra é o principal", argumentou. Lúcia também comentou a influência das ideologias burguesas e reacionárias no seio do povo indígena, denunciando que os jovens indígenas e camponeses são levados a crer que é preciso sair de suas comunidades e aldeias para serem felizes.

"Faculdade é importante, lutamos muito por escolas e ensino de qualidade para o nosso povo, mas os índios que se formam precisam retornar e reforçar a nossa luta", apontou.

Dessa forma, Lúcia Tapeba demonstrou que a luta pela terra para quem nela vive e trabalha é o ponto de partida para a conquista de outros importantes direitos. Também foram relatados conflitos históricos entre índios e posseiros, entre os próprios índios e entre os índios e as "autoridades" de órgãos dos velho Estado, como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Sesai.

Em um dos relatos, Lúcia falou sobre um momento em que contestou os dirigentes da Sesai que argumentavam que não há verbas para finalizar a construção do posto de saúde. "Olha a roubalheira que está acontecendo neste país, o dinheiro desviado e recuperado da corrupção, a farra que fazem com nosso dinheiro e você vem aqui me dizer que não tem dinheiro?", contou.

OPORTUNISTAS: TRAIDORES DOS POVOS INDÍGENAS

Além dos riquíssimos relatos que recebemos, Lúcia Tapeba denunciou ainda a atuação criminosa dos oportunistas no seio dos povos indígenas, que tentam capitanear a luta. Ameaças, agressões físicas, esvaziamento de espaços deliberativos da comunidade e até tentativa de impedir a entrada de lideranças e demais membros da Aldeia Tapeba em reuniões e audiências públicas. Tudo isso está no leque de crimes cometidos por oportunistas, que têm o objetivo de se manterem encastelados e protegidos em seus cargos no velho Estado, fingindo que defendem os interesses do povo.

Um relato muito maior poderia ser feito sobre essa 2ª visita, mas deixamos aí os pontos principais a serem publicados. Além de conhecermos outros pontos da comunidade que não tínhamos conhecido, ainda nos foi oferecido um delicioso almoço (com baião de dois, tilápia e jerimum). Conhecemos alguns locais escolhidos pelos indígenas da Aldeia para plantar feijão e outros produtos.

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