Massas populares sacodem o Iraque em grandes protestos

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Manifestantes assumem um veículo blindado antes de queimá-lo durante um ato em Bagdá, no dia 3 de outubro de 2019. Foto: Associated Press

O povo iraquiano se rebelou aos milhares em uma semana de protestos pelos seus direitos, como direito ao trabalho e aos serviços públicos, além de rechaçar o sistema político. Os protestos, iniciados no dia 1º de outubro e tornados diuturnos por todo o país, tomaram grandes proporções com ações combativas das massas. Pelo menos 104 pessoas, incluindo oito membros das forças de repressão, foram mortas, e 6,1 mil pessoas ficaram feridas.

Um manifestante presente nos protestos, em um vídeo veiculado pelo portal Al Jazeera, disse: “Nessa revolução, nós somos apenas um, não um milhão de pessoas diferentes, mas apenas um. Ninguém nos representa, aqueles que vão ao parlamento usando ternos para ‘nos representar’, eles não nos representam. Nós não queremos partidos eleitoreiros. Se uma centena de nós morrer nesses protestos, um milhão de nós virá à tona. Nenhum desses manifestantes pertencem a um estabelecimento religioso ou partido”.

No dia 6 de outubro, pelo menos oito pessoas foram mortas e 25 feridas em novos confrontos entre manifestantes e policiais no leste de Bagdá, segundo informações da polícia e de fontes médicas ao monopólio de imprensa Reuters. Na periferia de Bagdá, soldados atiraram com armas de fogo contra 300 manifestantes que protestavam contra o governo. 

No mesmo dia, a polícia, apoiada pelo Exército iraquiano, usou armas e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão em dois locais separados na cidade de Sadr, informou a polícia.

Oito prédios de partidos eleitoreiros do Iraque e 51 instituições públicas e privadas foram incendiados durante as manifestações, também no dia 6. A informação foi veiculada por Saad Maan, porta-voz do Ministério do Interior do Iraque, em entrevista a jornalistas em uma coletiva de imprensa em Bagdá. Maan também disse que dois postos de controle da polícia foram incendiados durante os protestos.

Em um dos episódios de repressão, alguns manifestantes, em sua maioria jovens, foram encurralados ruas laterais perto da cidade de Sadr por tropas militares, que dispararam à queima roupa e na direção da cabeça dos jovens. 

Imran Khan, do portal Al Jazeera, disse que aconteceram outros confrontos na periferia da capital, com forças de segurança disparando gás lacrimogêneo e armas de fogo contra manifestantes enquanto tentavam entrar na praça Tahrir, no centro da cidade: "O que nós vimos e ouvimos aqui em Bagdá nas primeiras horas da manhã são confrontos entre forças de segurança e manifestantes na periferia”, disse Khan. 

No dia 5, manifestantes já haviam saído às ruas em duas cidades do Sul do Iraque em protestos que incendiaram sedes de partidos políticos reacionários, segundo informou a AP. As “autoridades” policiais e políticas descreveram o protesto como “muito grande”. Em outra cidade do Sul, Diwaniyah, manifestantes marcharam em direção aos escritórios do governo local, informou a AP. Não houve relatos de violência por lá.

Um morador do Sul do Iraque, Abdu Salah, de 70 anos, explica que a raiz dos protestos é a miséria e a impotência que as massas sentem. “Se as condições de vida não melhorarem, os manifestantes voltarão”, disse ele. No dia 5, um total de 540 manifestantes foram presos, dos quais quase 200 permaneceram sob custódia.

Um dia antes, também na província de Diwaniyah, o conselho provincial também foi invadido por manifestantes. “Centenas de manifestantes invadiram o prédio do conselho provincial após violentos confrontos com as forças de segurança”, disse o tenente de polícia, Jassim al-Tamimi, à imprensa local Anadolu. Na ocasião, dezenas de manifestantes foram feridos por tiros, e as massas responderam ferindo os agentes das forças policiais com pedras.

Nesse dia, as forças de repressão iraquianas abriram fogo sobre dezenas de manifestantes reunidos em Bagdá para um quarto dia de manifestações contra a corrupção, o desemprego e os serviços públicos sucateados.

O povo luta pela libertação

Em 2003, sob o pretexto de “guerra contra o terrorismo”, o USA empreendeu uma covarde guerra de agressão, de invasão e ocupação contra a nação iraquiana, removendo o então presidente Saddam Hussein, acusado de produzir “armas de destruição em massa”, acusação jamais comprovada. Após a invasão, eleições fraudulentas foram instauradas no país, servindo apenas a legitimar os governos fantoches do imperialismo ianque, encobrindo a condição colonial do país.

Com a invasão, a nação iraquiana foi saqueada. Empresas nacionais foram destruídas pela guerra e pelo regime que sucedeu. Hoje, monopólios internacionais do setor de energia se beneficiam de contratos assinados pelos governos fantoches, com 20 anos de vigência, dando lucros bilionários.

No Iraque pós-invasão, só as transnacionais do petróleo têm acesso garantido e regular à água e à eletricidade. Já os trabalhadores iraquianos, que sustentam e dão origem aos lucros máximos extraídos, mal têm água e luz, não têm direito de greve e vivem sob o permanente risco de serem classificados como "terroristas" se tentarem enraizar qualquer tipo de organização sindical.

Quase 60% dos 40 milhões de iraquianos vivem com menos de 6 dólares por dia, segundo dados do Banco Mundial. O desemprego assola 14,80% da população, segundo dados de 2017. Em 2014, 23% da população vivia abaixo da linha de pobreza. Enquanto isso, os ianques requisitaram em 2011, e foram prontamente atendidos, que o Estado iraquiano assinasse com companhias do USA um contrato de 4,2 bilhões de dólares para a compra de aviões de combate F-16.


Os protestos antigovernamentais do Iraque eclodiram na terça-feira em Bagdá antes de se espalharem por outras cidades. Foto: Hussein Faleh/AFP

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