Uruguai: Milhares de pessoas marcham contra militarização da ‘segurança pública’

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No dia 23 de outubro, há quase uma semana, em Montevidéu, cerca de 55 mil uruguaios saíram às ruas para protestar contra a reforma “viver sem medo”, que, através de um plebiscito (que se realizará no dia 3 de novembro), deformará a constituição e criará uma Guarda Nacional com 2 mil soldados das Forças Armadas reacionárias que trabalharão ao lado da polícia.

A marcha começou à frente da Universidade da República, às 15h, e seguiu pela principal avenida da capital. Durante o trajeto, os manifestantes carregavam cartazes e gritavam palavras de ordem denunciando a militarização da sociedade. Além disso, balançavam bandeiras do Equador e Chile, demonstrando solidariedade internacional com os povos latino-americanos que protagonizaram grandes ondas de protestos. 

A reforma "viver sem medo" é um passo adiante na militarização da sociedade uruguaia e algumas de suas consequências são a permissão para incursões militares noturnas em domicílios privados (com autorização judicial), além de negar o direito à libertação antecipada de presos culpados por certos crimes e admitir a pena de prisão perpétua. 

Foto: Reprodução

Milhares de pessoas vão às ruas para protestar contra a militarização da segurança pública. Foto: El observador

Um manifestante disse em entrevista à agência EFE que tal iniciativa vai de mãos dadas com a política de segurança já existente no Uruguai que está vigente há muitos anos e que “só está falhando” em frear a criminalidade.

Esta ideia, segundo o manifestante, é mais do mesmo e está destinada ao “fracasso”, pois continua com a lógica de olhar o problema da segurança a partir da perspectiva da repressão e que gera “uma escalada de violência”, que se torna “algo muito perigoso”. “O que dizemos é que esta proposta é ineficiente, não vai cumprir seu objetivo que é viver sem medo, na realidade estamos convencidos de que a segurança não vai melhorar por causa disso”, disse ele.

“O que está acontecendo no resto da América Latina deve ser capaz de abrir os olhos para entender também que a situação não é tratada assim, temos muitos países ao lado que têm militares nas ruas e que a violência não para de crescer. Então, por que vamos por esse caminho se sabemos que é um fracasso?”, concluiu.

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