Máfia dos transportes públicos: da precariedade às falsas promessas

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Horários irregulares, tarifas caras, falta de ar-condicionado, transportes lotados e malcuidados. Esses são apenas alguns dos problemas enfrentados pela população de uma lista que não parece ter fim. Trocam-se os nomes dos governantes, surgem novas falsas promessas, mas a situação permanece a mesma. E o povo, cansado das ladainhas do velho Estado, já não enxerga saída na farsa eleitoral.

O transporte público no Rio de Janeiro, que de público nada tem, foi considerado o pior transporte público do mundo, em uma pesquisa feita em 74 cidades ao redor do globo pela Expert Market, em 2018. As altas tarifas e impostos pagos pela população não têm retorno. O ar-condicionado, prometido por Eduardo Paes durante seu mandato como prefeito da cidade e por Marcelo Crivella (ambos carregam nas costas uma lista criminosa contra a população) em seu atual mandato, para uma grande parcela da população é apenas um burburinho. Nos ônibus que oferecem ar-condicionado, poucos funcionam com eficiência.


Manifestação contra o aumento da passagem no Rio de Janeiro, em 2015. Foto ilustrativa/Mídia Ninja

As frotas dos ônibus são insuficientes e não atendem as demandas da população e boa parte dos transportes oferecidos estão em péssimas condições de uso.

Em entrevista ao AND, Camila Nascimento, professora de Educação Física, aponta: “Está faltando planejamento, não vejo o retorno das verbas no serviço. É confuso chegar nos lugares, os transportes estão sempre cheios, são poucos ônibus circulando. E nos trens parecemos animais dentro de uma jaula, a infraestrutura deles é ruim, os horários em que circulam também”.

Nessas condições, boa parte da população trabalhadora se vê obrigada a madrugar para conseguir chegar no horário em seus trabalhos, tendo em vista que parte considerável dos trabalhadores mora fora da cidade, na Região Metropolitana do Rio. E mesmo aqueles que moram na cidade, como caso de Cléber da Silva, que mora em Madureira, na zona norte, leva em média 4 horas por dia dentro do transporte público.

A isenção fiscal das empresas de transportes, que atingem lucros bilionários com as tarifas pagas pela população, é uma das maneiras criminosas que os políticos corruptos encontram de articular seus interesses com os interesses dos empresários, sobretudo das linhas de ônibus.

“É uma verdadeira máfia, porque apesar de existir uma CPI para investigar esses lucros, em seguida nós vemos que não há um comprometimento em mudar o cenário. Essa precarização ela tende a persistir. Eu não vejo engajamento dos políticos para mudar, fazer funcionar. Só em época eleitoral é que tentam aparentemente mudar alguma coisa”, disse Cléber.

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