Paramilitares acusados de executar Marielle foram a condomínio de Bolsonaro no dia do crime

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As novas informações vazadas pelo monopólio de imprensa de que Élcio de Queiroz, paramilitar de extrema-direita acusado de matar Marielle Franco, teria interfonado para Bolsonaro e se encontrado ao mesmo tempo com Ronnie Lessa, no mesmo dia em que a vereadora foi executada, trazem à tona novamente as fragilidades da investigação sobre a morte da parlamentar.

Como analisamos ao longo das edições de AND, a morte de Marielle, em 2018, foi resultado de uma profunda pugna no seio das forças de repressão no estado do Rio, insatisfeitas com a intervenção militar que buscava, dentre outras coisas, reestruturar as Polícias Militar e Civil e centralizá-las. Temendo perder seus nacos de poder e controle territorial, político, social e econômico, tais grupos armados de poder – incluindo tais grupos paramilitares erroneamente chamados de “milícias”, que atuam dentro das forças auxiliares – executaram a vereadora para produzir uma paralisia na intervenção e encurtar seu raio de atuação.

Foto: Evaristo Sá/AFP

O vazamento do depoimento do porteiro do condomínio de Bolsonaro, que afirma que o acusado Élcio de Queiroz interfonou para a casa do fascista, tendo dele autorização para entrar, foi lançado à público – acusou Bolsonaro – pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que estaria buscando desgastá-lo com vistas às eleições de 2022. O monopólio de imprensa, com Globo à cabeça, perdendo influência que se acha no atual governo, logo escalou buscando desgastar Bolsonaro.

O Ministério Público do Rio de Janeiro, no dia 31/10 (dia seguinte ao vazamento), foi a público para dizer que no áudio gravado pelo interfone demonstra que a voz que foi atribuída a Bolsonaro na realidade seria do próprio Ronnie Lessa. A procuradora, que apoiou Bolsonaro nas eleições de 2018, afirmou que Élcio não interfonou à casa de Bolsonaro. No entanto, segundo apurou o monopólio de imprensa Folha de S. Paulo, não foram feitas perícias para investigar se os áudios foram adulterados ou mesmo renomeados, significando que os arquivos de áudio recolhidos podem ter sido adulterados e comprometidos. O próprio Carlos Bolsonaro publicou um vídeo no qual mostra o conteúdo do áudio em questão antes mesmo da sua apreensão pelos investigadores.

Como é sabido, há uma proximidade (no mínimo geográfica) entre Bolsonaro e os paramilitares, ainda que não se tenha vindo à tona o quanto profunda ela é. Bolsonaro e Ronnie Lessa moram num mesmo condomínio. Já no caso de Élcio (o outro paramilitar), há uma foto em que posa junto a Bolsonaro e, também curiosamente, a foto recortou o rosto de ambos. “Meu marido nunca tira foto com ninguém, nem com os filhos. Fiquei surpresa de ele ter tirado essa foto”, revela a própria esposa de Élcio. “O mais engraçado é que ele postou cortando as cabeças”, comenta ela.

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