O medo do lado de lá - Nota sobre a repercussão do debate na Uerj

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Foto: Rodrigo Duarte Baptista

O jornal A Nova Democracia (AND) vem a público repudiar as declarações proferidas por Olavo de Carvalho e sua gangue acerca do debate por nós realizado no último dia 22/10, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Como nossos leitores sabem, realizamos uma mesa intitulada Balanço das lutas de 2019 e perspectivas: Sob um ponto de vista revolucionário, com participação, dentre outras organizações populares, do Movimento Feminino Popular (MFP), do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), da Liga Operária, da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e do filósofo e relevante intelectual Vladimir Safatle.

Ao contrário dos reacionários, que abocanharam uma fortuna do erário para realizar seu “Congresso Conservador” (CPAC), nosso evento foi aberto, gratuito e amplamente anunciado. Passou longe, portanto, de ser uma atividade conspiratória em qualquer nível. Pelo que sabemos, o termo revolução não só não foi banido, pelo menos por enquanto – o que, de resto, seria ridículo – como os contrarrevolucionários mais fanáticos, como Olavo e sua turma, adoram apropriar-se dele (para desvirtuá-lo, naturalmente).

De todo modo, as redes bolsonaristas replicaram intervenção do representante da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) na qual este diz que: “O povo quer luta, está sedento de passar na faca todos os seus inimigos”. Ao que Olavo de Carvalho comentou no Twitter: “Esse carinha das UERJ (SIC) que promete nos esfaquear, tem de ir para a cadeia JÁ. Deixá-lo livre e solto ao som de discursos anti-Globo é palhaçada”.

De cara, notemos a singular confissão: esta gente admite sua condição de inimigos do povo. Nisto, estamos de acordo. Sigamos. Ora, dizer, numa figura de linguagem, que o povo quer levar a cabo o acerto de contas histórico com seus inimigos é abissalmente distinto de prometer passar alguém, pessoa física, na faca. Sabemos que as hostes bolsonaristas, como fascistas que são, cultivam a ignorância e o obscurantismo, mas interpretar texto neste nível é algo acessível até mesmo para uma criança recém alfabetizada. Suspeitamos, entretanto, que não é exatamente de língua portuguesa que se trata.

A verdade é que as recentes explosões populares na América Latina, notadamente no Chile, que é a Meca de Paulo Guedes & cia, acenderam o sinal de alerta no seio da cúpula reacionária. Sabedores de que as medidas questionadas lá são as mesmíssimas aplicadas cá, os Chicago boys “brazileiros” se espantam, e com razão. No plano interno, acabam de aprovar a contrarreforma da Previdência, que arrasa direitos sociais dos mais pobres, mantendo, no entanto, privilégios indecentes para Judiciário, Legislativo e a oficialidade superior das Forças Armadas. Repercute, mesmo dentro do Exército, como noticiado por algumas fontes militares, a “traição” de Bolsonaro aos praças e a desmoralização crescente do seu atual desgoverno. Agora, em nome de fazer uma “reforma administrativa”, querem cassar estabilidade de servidores públicos, entregar a preço de banana empresas estatais, achatar o salário mínimo, dentre outras atrocidades.

O governo de Bolsonaro e dos generais, que tanto fala em “combater privilégios”, é o maior defensor dos privilégios do imperialismo, da grande burguesia e do latifúndio e ameaça ir até o AI-5 e o estabelecimento de um regime fascista para mantê-los. Estes invertebrados vão, até, mais longe: entregarão a base de Alcântara para os ianques, vexame e ignomínia que nem os gorilas ousaram entre 1964-1985. De modo que se acumulam, no Brasil, de dia em dia e de hora em hora, condições para um levantamento de massas como jamais vimos, que levará de roldão todo este séquito Olavo-bolsonarista, que parece vivo, mas já apodrece.

Os criminosos sentem, de antemão, os potenciais efeitos dos seus crimes; o chão treme sob seus pés; eles tremem enquanto babam e gritam.

Diante deste quadro, nada mais coerente do que estas hostes tomarem AND e organizações populares consequentes como seus alvos. Notem, caros leitores, e isto não é pouco, que enquanto o oportunismo reformista e as correntes de pensamento pós-modernas, por exemplo, fogem da palavra “revolução” como o diabo da cruz, dizendo dos que a sustentam que são “anacrônicos”, os ideólogos e propagandistas da reação não brincam com fogo. Reconheça-se neles, ao menos, bom faro.

Resta, por fim, ressaltar quão ridícula é a posição desta gente que todos os dias posa com armas na internet se fazendo agora como vestais horrorizadas com a “truculência da esquerda”. Ora, não é este mesmo demencial Olavo de Carvalho (para o qual o capital financeiro imperialista sustenta, vejam só, o “movimento comunista mundial”), quem argumenta que contra os comunistas “vale tudo”? Não é ele que classifica a esquerda como “inimiga da Humanidade”? Não é ele mesmo quem apregoa, diuturnamente, uma aliança entre “Bolsonaro, as Forças Armadas e o povo” para “esmagar” seus inimigos? Em linha reta, esta teologia política dá no porão. Que é mesmo o lar natural dos Bolsonaros e seu séquito de mercenários, arrivistas, oportunistas, politiqueiros, assassinos e ladrões. Este rebotalho queima à luz do sol. É o que está acontecendo.

Tentem levar a cabo suas promessas imundas e verão, fascistas! Descobrirão que o Brasil também pode ser como “Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandescente!”. Não passarão!


Assista o vídeo do evento

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