Revolucionários celebram o centenário da fundação do Partido Comunista da Dinamarca

Foto: socialistiskrevolution

O último dia 9 de novembro marcou o centenário da fundação do Partido Comunista da Dinamarca. Celebrando essa histórica data, revolucionários dinamarqueses publicaram uma declaração e produziram um vídeo nessa ocasião (clique aqui para assistir).

Durante a celebração, os revolucionários proletários dinamarqueses fizeram um amplo balanço da história do Partido Comunista da Dinamarca, que hoje pugna por reconstituir-se, além de uma análise de classe da política nacional. 

Um velho regime em decomposição

A declaração lida no vídeo diz: “O Estado burguês da Dinamarca está apodrecendo, é um tigre de papel que caminha para a sua morte. É um Estado que envia seus soldados aos mais longes países no mundo para pilhá-los e saqueá-los, e que, da forma mais descaradamente reacionária, se apropria de colônias onde o povo vive em miséria enquanto seus ricos recursos naturais são impiedosamente explorados”.

“É um Estado que gere uma sociedade na qual a austeridade, as ‘leis do gueto’, o monitoramento da população e as provocações fascistas fazem parte da agenda. Onde a cultura do abuso de drogas, do estupro, do individualismo e outras pragas são massivamente difundidas. Nós testemunhamos nossos bairros sendo demolidos ao nosso redor, os salários sendo congelados enquanto os preços só aumentam. Os ricos acumulando cada vez mais riqueza enquanto se preparam para a próxima crise, a qual seremos nós os que pagarão por ela”, disparam os maoistas. 

História de combates

Os revolucionários dinamarqueses fizeram, no vídeo, uma exposição da história do movimento comunista nacional. “Diversos revolucionários na história lutaram pela destruição desse podre sistema, o primeiro foi o camarada Gerson Trier, que lutou junto a Engels e Lênin. Ele dedicou sua vida a combater o oportunismo no Partido Social Democrata e passou mais de 30 anos em luta por um partido marxista. Em 1916 ele rompeu com o Partido Social Democrata e sinalizou à constituição do Partido Comunista da Dinamarca, porém faleceu antes de cumprir com tal tarefa. Nós lembramos do camarada Gerson Trier como o precursor do Partido Comunista da Dinamarca, como um grande revolucionário marxista”.

Prosseguem: “Em 1919, cem anos atrás, o Partido Comunista da Dinamarca se constitui sob a base do marxismo. Isso ocorreu logo após o triunfo da Grande Revolução Socialista de Outubro, onde Lênin e os bolcheviques desenvolveram o marxismo em sua segunda etapa, o marxismo-leninismo. Porém, demandou-se dez anos de encarniçadas lutas internas para que o Partido Comunista da Dinamarca se tornasse um partido marxista-leninista, com profundas raízes entre o proletariado, com uma boa direção e fortes organizações armadas”.

Foto: socialistiskrevolution

Resistência ao nazismo

“Em 1940, a Dinamarca foi ocupada pelo imperialismo alemão. As lideranças do Partido foram enviadas a campos de concentração, porém o resto do Partido lutou por iniciar a luta armada de resistência. Nessas circunstâncias, habilidosos quadros e heroicos partisans se forjaram, e o povo se levantou em grandes lutas contra a ocupação fascista. Ocorreu nesta luta ações de todos os tipos: agitações e propagandas armadas, como foi o Desfile da Liberdade; sabotagens, como foi o caso dos bombardeios em Langebro, nos quais as massas foram mobilizadas a participar; aniquilações seletivas, como o caso do “Ladrão de Cavalos”, infame infiltrado nazista; além de ações de guerrilha, como foram as emboscadas às patrulhas nazistas. E, durante a greve, o povo dinamarquês se levantou e fez o imperialismo alemão abrir mão da lei marcial e do toque de recolher que havia sido imposto no país”.

Os maoistas da Dinamarca asseveram que tal história comprova a possibilidade da guerra popular universal: “Em síntese, a luta de resistência foi uma guerra revolucionária, e seu sucesso deriva das características da guerra popular que existia ali, o que prova a universalidade da guerra popular”.

Foto: socialistiskrevolution

Revisionismo assalta o Partido e reconstituição

A declaração prossegue: “Em 1945, a libertação nacional chega, e é restabelecido o imperialismo dinamarquês. O assim chamado governo da ‘Libertação’ foi criado com colaboradores nazistas como ministros, e a antiga direção do Partido Comunista retorna à Dinamarca e se junta a tal governo. Para legitimar isso, o partido começou a falar sobre uma transição pacífica ao socialismo através do parlamento. O revisionismo usurpou o Partido Comunista e o transformou em um partido capitalista com bandeiras vermelhas”.

Após a tomada do Partido pelos revisionistas, as lutas combativas das massas jamais cessaram. “As massas continuam a se rebelar hoje, especialmente nos bairros proletários pelo país. Elas combatem a ‘lei do gueto’, a intimidação policial e as provocações fascistas. Os oportunistas condenam as massas e impõem limites à sua revolta para que esta não ameace o imperialismo. Essa é a velha mentira dos exploradores de que a opressão é justa, quando é na realidade rebelar-se é justo!”.

Os maoistas cravam à necessidade urgente da reconstituição do Partido. “Porém, um Partido Comunista é necessário para organizar a rebelião das massas, para que seja possível o triunfo contra o aparato organizado do Estado. A história da Dinamarca claramente comprova as teses do marxismo-leninismo-maoismo, do Partido Comunista e da Guerra Popular. Nós nunca deveremos esquecer o motivo pelo qual necessitamos do Partido Comunista. Ele é um instrumento para a conquista do poder político para o proletariado através da Guerra Popular, para a continuação da revolução durante a ditadura do proletariado, para que toda a humanidade possa entrar no comunismo. O Estado burguês da Dinamarca deve ser derrubado através da violência revolucionária, e o imperialismo dinamarquês deve ser aniquilado com o fogo da guerra popular”.

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