SP: Jovem fica cega de um olho ao ser atingida por bala de borracha disparada por PM

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Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Uma jovem de 16 anos foi atingida no olho por um tiro de bala de borracha disparado por um policial militar quando este participava de uma operação para dispersar um baile funk, na noite do dia 10 de novembro, na rua Guaianases, em São Paulo.

Gabriella Talhaferro perdeu a visão do olho esquerdo. A menina participava de um evento conhecido como "Baile da Beira do Rio", que acontece nas madrugadas de sábado para domingo. Naquela noite, Gabriella conta que estava com mais 15 amigos em frente a uma adega justamente para não ficar na rua no meio da multidão, pois a policia estava desde as primeiras horas da noite presente no local impedindo a realização do baile e intimidando os jovens. Ela conta que os policiais, por volta das 2h da madrugada, lançaram bombas de gás para obrigar que os pequenos grupos de jovens, que permaneciam na rua, saíssem do local. Foi quando uma carro da PM passou com quatro policiais em frente a adega que a menina estava e disparou a curta distância o tiro de bala de borracha, que acertou o olho esquerdo da adolescente.

A Policia Militar disse, por sua vez, que os policiais do 28° Batalhão da PM Metropolitano realizavam uma operação de nome "Noite Tranquila", que tem o objetivo de coibir ocorrências de pertubação do sossego. Ainda segundo a PM, cerca de 700 pessoas teriam obstruído a rua, sendo necessário o uso de técnicas de controle de distúrbios para conter a multidão.

Contudo, testemunhas afirmam que no momento do tiro não havia multidão e que o tiro foi disparado contra um pequeno grupo de pessoas.

"Eu estava em frente a adega quando tomei o tiro. Eles vieram na viatura, pararam na rua e quando virei o rosto o policial atirou. Estavam bem na minha frente. Ele estava dentro da viatura. Nem desceu. Mirou no meu rosto e atirou”, disse Gabriella em entrevista ao portal Ponte Jornalismo.

Sobre o uso de balas de borracha em ações de dispersão de bailes funk, o ouvidor das polícias de São Paulo, Benedito Mariano, disse: "Bala de borracha, apesar de ser não letal, pode matar dependendo de onde pega. E pode trazer sequelas para o resto da vida".

A própria cartilha da PM sobre uso de balas de borracha diz que elas só devem ser usadas em casos restritos, contra um “agressor ativo, certo e específico”, e nunca disparada aleatoriamente contra uma multidão. A regra deixa claro que é um “erro” usar bala de borracha para dispersar manifestantes, que o tiro deve ser dado a 20 metros do alvo, “que deverá ser preciso” e “direcionado para os membros inferiores do agressor ativo”.

PM nega socorro e dá risadas

Gabriella ainda denunciou na entrevista ao Ponte Jornalismo que, mesmo ensaguentada e com muita dor, os policiais negaram socorro:

"Pedimos para eles ligarem para o socorro e eles disseram ‘se vira’. Um deles ainda me disse ‘vá se foder’, enquanto o outro dava risada. Sou capaz de reconhecer todos: o que atirou em mim, o que me xingou e o que dava risada. Não sai da minha cabeça”, disse a menina, em tom de revolta.

A menina foi socorrida por outras pessoas que estavam no local e foi levada para a UPA de Itaquera. Em seguida foi transferida de ambulância para o Hospital Municipal Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo. De lá, foi transferida mais uma vez para o Hospital São Paulo, onde fez cirurgia.

A mãe da menina, Kelly Talhaferro, conta que a menina ainda está bastante traumatizada com a violência que sofreu "Ela está sofrendo muito. Tem horas que ela fica um pouco mais animada, e tem horas que se revolta, diz que deveria ter morrido", diz a mãe.

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