Chile: ‘Acordo para uma nova Constituição’ é rechaçado pelo povo

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O povo chileno e, principalmente, a juventude rechaçaram o “Acordo de Paz e Nova Constituição” que foi liberado pelo governo de Sebastián Piñera como forma de tentar apaziguar o grande levantamento de massas que arrastou como um tsunami o país.

As massas argumentam que o acordo, além de ser levado à cabo pelos políticos ilegítimos de todo o Chile, não resolve as medidas que trazem maior exploração para o povo, como a administração das pensões de aposentadorias pelas Administradores de Fundos de Pensão, cujas aposentadorias não são o suficiente nem para os gastos com saúde dos aposentados; a privatização das maiorias das instituições de ensino chilenas, criando dívidas gigantescas entre os estudantes; a saúde pública ineficiente; o aumento constante do custo de vida e a estagnação dos salários; a venda da água do país para o uso de grandes empresas multinacionais, enquanto é declarado estado de emergência no campo para os pequenos e médios camponeses por falta de água; além de ignorar os pedidos de justiça pelos graves casos de prisões arbitrárias, mortes, torturas e violações sexuais cometidas pelas forças da repressão de Piñera, durante toda a jornada de protestos. Jovens e estudantes chilenos pedem para que continuem as mobilizações contra o regime de exploração chileno, independente do novo acordo.


Povo chileno permanece nas ruas por uma verdadeira e profunda transformação do país. Foto: Edgard Garrido/Reuters

De acordo com o jornal democrático El Pueblo, na tentativa de aplacar os protestos, o governo de Piñera até agora tem anunciado o congelamento do aumento da tarifa de transporte, a redução da quantidade de parlamentares e dos salários dos ministros de Estado, melhorias nas pensões mínimas e salários mínimos, seguro saúde, redução do preço dos medicamentos, maiores impostos sobre grandes fortunas, bem como contas para reverter o aumento da eletricidade e a redução do horário de trabalho para 40 horas. “Mas todas estas medidas são completamente insuficientes”, escreve El Pueblo.

O jornal explica que todas essas medidas são consideradas hipócritas diante de ataques sistemáticos contra o povo, já que ao mesmo tempo o governo continua centrando seus discursos na condenação dos protestos e no chamado à restauração da “ordem pública”.

Os revolucionários também frisam o papel do oportunismo na condenação do uso justo da violência pelas massas, e ter como seu único propósito a demanda por uma nova assembléia constituinte: “Nisso convergem com os apelos do governo e dos parlamentares para ‘repudiar as ações de violência’ e exigir que as próprias massas realizem o trabalho policial e contra as expressões de protesto violento”.

“No entanto, os setores mais combativos das massas continuam superando as lideranças oportunistas e estão adotando novas formas de organização em meio à luta. São muitos os que pela primeira vez tomaram consciência da necessidade de se autodefender contra a repressão, preparando-se para o desenvolvimento de mobilizações nos próximos dias”, apontam os revolucionários.

“O resultado do protesto ainda não é claro, mas a vontade de não se dobrar permanece elevada. Aos olhos de muitos, os dias de outubro explicitam cada vez mais o sentido profundo das palavras revolucionárias de ordem 'as massas fazem história' e 'a rebelião se justifica”, concluem.

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