Chile: Policiais promovem abusos, sequestros e agressões contra mulheres ativistas

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Imagem: Reprodução

Carolina Muñoz, jovem chilena, foi sequestrada no dia 22 de novembro de manhã pela polícia militarizada chilena (carabineros) e não se sabe ainda sobre o seu paradeiro. Amigos e familiares da jovem acusam o governo genocida chileno de não dar informações a respeito da sua situação.

Manifestantes gravaram um vídeo no último momento em que Carolina foi vista, que mostra a jovem tentando impedir que o camburão da polícia circulasse pela manifestação e, depois, mostra ela sendo agredida por quatro carabineros, e sendo levada presa no camburão da polícia.

Caso parecido com o de Carolina é o da jovem atriz Daniela Carrasco, que foi sequestrada em outubro, durante o “estado de exceção” decretado por Sebastián Piñera, e apareceu morta cinco dias depois, pendurada pelo pescoço em um terreno baldio perto da casa onde morava, e com sinais de violência sexual em seu corpo.

No mesmo dia em que Carolina foi sequestrada, mais uma jovem foi vítima de uma prática comum de tentativa de intimidação pela polícia militar chilena: antes de a deterem, os carabineros tiraram sua roupa em plena manifestação enquanto a mantinham no chão. 

Espancamento de jornalista

Outra jovem, chamada Javiera, que já foi obrigada a ficar nua à frente de policiais chilenos duas vezes desde o começo das manifestações, conta como se deram os acontecimentos. Javiera trabalha com direitos humanos na Universidade de Temuco, informando e documentando a situação dos manifestantes quando são detidos pelos carabineros chilenos. No dia 21 de novembro, ela mesma foi detida em uma manifestação enquanto exercia sua profissão, e foi obrigada a passar por todos tipos de humilhação. 

“Eu estava fazendo meu trabalho quando vi uma mulher, que estava sendo espancada pelos carabineros com um escudo. Era uma mulher mais velha que estava perguntando por seu filho. O menino não estava envolvido nas manifestações, mas eles o levaram embora”, diz ela, explicando como veio a ser detida.

Ela conta que, nesse momento em que ela fora defender a senhora que estava sendo agredida, começou uma brutal repressão policial: “Todas as pessoas começaram a correr aterrorizadas por todo o lado e eu estava lá defendendo a mulher, até que o policial me disse: ‘mãos para cima’, e mantiveram a ordem apesar de eu lhes ter dito que era jornalista dos direitos humanos. Desde que fui detida até ser liberta, nunca confirmaram se eu era mesmo jornalista”.

No momento da sua detenção, Javiera foi levada em um camburão da polícia por cinco carabineros, e foi espancada a socos por estes soldados. Na delegacia, ela ainda foi obrigada a ficar nua por duas vezes.

Fotógrafa que capturava imagens de repressão policial é assassinada a facadas

Na tarde do dia 21 de novembro, a fotojornalista chilena Albertina Martínez Burgos foi encontrada morta em seu apartamento. Seu corpo havia sido ferido com arma branca, e havia indícios de golpes.

Martínez registrava a repressão e o abuso de mulheres por parte dos carabineros durante os protestos contra o governo de Sebastián Piñera. De acordo com a imprensa local, seu parceiro pediu a sua mãe para ir ao apartamento de Albertina, pois ele não tinha ouvido falar dela por várias horas. Quando ela foi ao local, encontrou a jovem sem vida.

De acordo com relatos de familiares, vários dos seus instrumentos de trabalho, como sua câmera, seu computador e seu material fotográfico foram roubados do seu apartamento.

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