Equador: Comitês de Camponeses Pobres resistem contra a mineração imperialista

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Fotos: Comitê de Camponeses Pobres - Equador

No dia 23 de novembro, na Bacia do Rio Mira, o Comitê de Camponeses Pobres do Equador declarou a zona de Goaltal como uma “zona livre da mineração”, diante da  venda de milhares de hectares em concessão do velho Estado, desde as comunidades de Ibarra e San lorenzo, até a fronteira com a Colômbia, para a exploração mineira imperialista.

Segundo a denúncia dos camponeses, a mineradora, que tem como objetivo açambamcar as terras dos camponeses e indígenas locais, já têm se entranhado nas comunidades camponeses: “Estão comprando consciências, as consciências de funcionários públicos, as consciências de líderes corruptos, as consciências de nossos camponeses que acreditam que com a mineração sairão da fome, da miséria”.

E continuam: “Primeiro nos dividem, depois querem nos comprar. Não duvidamos: se não ficarmos juntos, virão nos matar. Mas não nos encontrarão cabisbaixos, sem honra, sem a vontade de defender aquela terra em que estamos trabalhando há mais de 60 anos, por aquela terra que mesmo no meio das dificuldades nos permitiu conceder às cidades produtos agrícolas básicos como milho, feijão, naranjilla, cana de açúcar, mas que também têm o ar e a água que todos nós precisamos para viver”.

Os pequenos proprietários também advertem que não ficarão de braços cruzados ao ver a sua terra ser levada sob a forma de ouro, cobre ou qualquer outro metal que não signifique nada para os camponeses pobres, porque para eles a terra, por menor que seja, por pior que seja a qualidade, é a sua vida, “e a vida é inestimável”.

“Não estamos dispostos”, dizem eles, “a reconhecer as decisões das autoridades, porque elas pensam em outras coisas. Pensam em como financiar despesas que não servem ao povo, aos camponeses pobres”. As massas prosseguem: “Não respeitamos nem reconhecemos o que dizem as autoridades, suas leis, porque já são compradas pelas transnacionais, pelos empresários que não se importam em deixar um rastro de destruição, contaminação, desolação em nossos territórios, muito menos conflitos e violência entre nós, os camponeses pobres, aqueles que geram riqueza com nossas mãos, com nosso suor, com nossas vidas”.

No entanto, pontuam, “reconhecemos a autoridade dos Povos e das organizações populares como: A Federação Indígena e Camponesa de Imbabura, o Povo Karanqui, a Frente de Defesa dos Trabalhadores de Imbabura, os Comitês de Camponeses Pobres de Cotopaxi e Chimborazo, companheiros de Bolívar, que têm nos apoiado; aqueles que mostram sua preocupação com o que está acontecendo, particularmente com os camponeses do Coração do Mundo Nuevo e de El Guayabal, em Goaltal; com os camponeses dos Conselhos e da reserva Drácula em El Chical”.

“Sabemos que acabarão por nos acusar de sermos rebeldes, guerrilheiros, traficantes de droga, porque só assim vão acreditar que têm os argumentos legais para nos perseguir, reprimir, prender, ou matar”. Diante disso, os camponeses dizem que são obrigados a cobrirem seus rostos, para não serem identificados, mas colocam que o rosto de cada camponês lá “é o rosto do povo, do animal da montanha, da água, do rosto rachado como o da terra, dos mil rostos, rostos e vontades que se expressam em nossa organização, o Comitê dos Pobres Camponeses”.

Agricultura versus mineração

“Para aqueles que consideram que a mineração pode subsistir com a agricultura, com os camponeses pobres”, argumentam os pequenos produtores, “dizemos-lhes que estão errados, que a vida não pode habitar com veneno, que a vida não pode habitar com a morte”. 

Os camponeses afirmam que “os interesses dos grandes empresários mineiros não podem habitar com os interesses dos camponeses pobres, e esperamos que não insistam em nos dizer que com isso virá o progresso, o trabalho, a abundância porque não acreditamos neles”. Prosseguem: “Não queremos progresso semifeudal, queremos a terra; não queremos emprego em mineração, queremos trabalhar em nossas terras; não queremos ‘riqueza’ ou ‘abundância’, queremos a terra e temos a segurança que estamos dispostos a lutar para defendê-la ou conquistá-la”.

E acrescentam: “As vitórias não virão do céu, muito menos por decreto executivo. As vitórias serão produto da força de nossa organização, da direção ideológica correta que ela tem, mas acima de tudo, pela nossa vontade de dar tudo para conquistar nossos objetivos”. 

As exigências 

Na declaração, o CCP, junto dos pequenos proprietários, expõem suas exigências, que são, em síntese, a rejeição à invasão, intervenção e outras etapas preparatórias para se apoderar das comunidades citadas em benefício da mineração, e exigem que os monopólios da mineração não apareçam em suas terras.

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