PA: Manifestante é baleado pela PM em protesto contra latifúndio de gado

Banco de Dados AND

No dia 27 de novembro, um manifestante foi alvejado pela Polícia Militar (PM) com tiro de bala de borracha, em Igarapé-Miri, no nordeste do Pará. Cleonildo da Conceição Cardoso, de 21 anos, foi atingido na região do abdômen. 

A agressão aconteceu quando a PM disparou contra manifestantes que interditaram um trecho da rodovia PA-151. O protesto era contra o latifúndio pecuário, Minerva Foods, que despeja urina e fezes provenientes do confinamento de gado para exportação nos rios da região.

Esse não é o primeiro protesto protagonizado pelos moradores dos municípios de Igarapé-Miri e Abaetetuba. Segundo os relatos, a comunidade começou a sentir os efeitos da contaminação, que acontece há mais de sete anos, quando diversas pessoas ficaram doentes e com dor de estômago. 

Conforme noticiado pelo AND, em março de 2018, Paulo Sérgio Almeida Nascimento, que exercia a função de segundo-tesoureiro da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia Cainquiama, foi assassinado durante a madrugada em Barcarena, município próximo ao latifúndio da Minerva. Antes, em dezembro de 2017, Fernando Pereira, um dos dirigentes da Cainquiama, também foi assassinado a tiros. 

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Os moradores da área, ribeirinhos e quilombolas, estão sem água, adoecendo e sem sua principal fonte de renda que provém do rio Curuperê, o principal rio atingido. “A gente quer que a Minerva Foods pague pelos prejuízos causados à comunidade Curuperé-Grande. Eles exportam a carne e só deixam contaminação aqui”, declarou a moradora Socorro Silva, presidente da Cainquiama, ao monopólio de imprensa G1 na ocasião dos protestos realizados no início de 2019. 

Agronegócio 

A Minerva Foods, maior exportadora de gado vivo da América do Sul, nada mais é do que o latifúndio de nova roupagem, conhecido como “agronegócio”. Pertence a família Vilela de Queiroz e tem como um dos sócios o rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud. 

O latifúndio ocupa, só na cidade de Abaetetuba, uma área de 400 hectares conhecida como “fazenda Morada da Lua”, onde são confinados, em quarentenas, mais de 27 mil bois por vez. Ali há um declive que resulta na nascente do rio Curuperé e deságua nos afluentes Abaeté, Igapó-açu, Bacuri e Cataiandeua, caminho que percorre os dejetos. Os mananciais atingidos são a fonte subsistência de pelo menos 180 famílias.

A princípio a Minerva Foods negou as denúncias, porém foi autuada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) que afirmou que o latifúndio construiu e utilizou, sem autorização, uma vala para escoar os dejetos dos animais no Rio Curuperê. 

Em decorrência disso, a empresa foi sentenciada judicialmente com a interdição parcial de suas atividades, além de proibido o recebimento de gado. Foi multada em 2015, no valor de R$ 200 mil, dos quais R$ 50 mil deveriam ser destinados às obras de melhorias para a comunidade. 

Entretanto, a prefeitura de Abaetetuba, com o valor da multa, construiu apenas uma parada de ônibus e colocou uma única caixa d’água de plástico, que nunca funcionou, pois a precariedade da região é tamanha que não há sequer encanamento nas casas da comunidade. A Minerva Foods em 2017 foi também autuada por pagar propina de R$ 1 mil a R$ 8 mil a fiscais agropecuários e agentes sanitários de Tocantins.

Este ano a desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento revogou a determinação judicial que interditava as atividades, o que indica o conluio do velho Estado com o latifúndio. 

Uma moradora declarou ao monopólio de imprensa G1: “Já denunciamos muitas vezes, mas os juízes têm que olhar pra nós com outros olhos, somos produtor de fauna e flora. Eles [povo que vive às margens do rio] são um povo pobre, muito sofrido e tem o direito de cobrar a vida deles de volta, não querem nada da Minerva, nenhum boi, não querem emprego, querem o rio”.

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