Chumbo e silício são encontrados nas balas usadas para reprimir protestos na América Latina

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Policial Militar do Chile lança bomba de gás em protesto. Foto: El Comércio

Após a morte de 23 pessoas durante a onda de protestos chilenos, que já dura mais de 40 dias, seis dessas pessoas sendo vitimadas diretamente pela ação truculenta da Polícia Militar (carabineros) do Chile, a Universidade do Chile analisou o conteúdo das “balas de borracha” disparadas pelos agentes da repressão. A conclusão foi que 80% delas era feitos de chumbo e silício, elementos tóxicos. Já na Colômbia, os mesmos tipos de bala vitimaram um jovem de 18 anos, durante os protestos no país.

A pesquisa foi produzida pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Chile, que buscou verificar se as “balas de borrachas” disparadas pelos carabineros eram realmente “não letais”. O resultado mostrou que apenas um quinto do conteúdo é borracha. 

“As balas analisadas contêm 20% de borracha e os 80% restantes correspondem a outros compostos. Os outros compostos são silício (SiO2), sulfato de bário (BaSO4) e chumbo (Pb), o que põe em risco a vida das pessoas”, diz o relatório da Universidade.

O Silício, que produz silicose, é cancerígeno, e o chumbo é um dos metais mais nocivos para a saúde humana.

Além disso, o estudo solicitado pela Unidade de Trauma Ocular do Hospital Salvador indicou que a dureza da bala é de 96,5 Shore A, mais dura que um pneu e quase igual a um casco de construção. 


Escala feita pela universidade indicando a dureza da munição “não letal”

O uso do elemento químico chumbo é rejeitado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que o classifica como um metal tóxico, causando poluição ambiental generalizada e problemas de saúde em muitas partes do mundo. 

“É uma substância que se acumula e afeta vários sistemas do corpo: nervoso, hematológico, gastrointestinal, cardiovascular e renal. As crianças são mais vulneráveis aos efeitos neurotóxicos do chumbo; um nível relativamente baixo de exposição pode causar danos neurológicos graves e, em alguns casos, irreversíveis”, diz a OMS.

O estudo foi realizado com uma amostra de dois projéteis que, segundo a equipe médica, foram obtidos após atendimento de pacientes feridos por carabineros e militares das Forças Armadas. Por sua vez, a Sociedade Médica do Chile informou que, até agora, pelo menos 230 pessoas com lesões oculares foram informadas.

As balas que mataram Dylan Cruz

O estudante Dylan Cruz, de 18 anos, morreu na Colômbia, no dia 23 de novembro, com uma espingarda de calibre 12, cuja munição era um saco com “várias pastilhas de chumbo”, diz o relatório forense que considerou o caso um “homicídio violento”, cometido pelo Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad), espécie de “tropa de choque”.

“Os resultados da necropsia nos permitem afirmar que a morte do jovem é consequência de traumatismo craniano penetrante causado pelas munições de impacto disparadas por uma arma de fogo, que causam danos graves e irreversíveis ao cérebro”, disse a diretora do Instituto de Medicina Legal, Claudia García, em comunicado à imprensa.

A médica explicou que os elementos estudados pela equipe de Medicina Legal, formada por especialistas forenses, fazem parte de “um cartucho de carga múltipla, munição de impacto” do tipo Bean Bag (ou “saco de feijões”), um saco de balas de chumbo.

Em vídeos do momento, foi evidenciado como a bala atingiu o crânio de Dylan. A hipótese de que o objeto que teria o atingido fossem estilhaços de bomba de gás lacrimogêneo foi descartada, pois foi comprovado que se tratava realmente uma arma letal.


Tipo de arma e balas com as quais o Esmad assassinou Dylan Cruz

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